"O Riquelme é José Inácio", diz Parreira
Marcelo Xavier/ Enviado especial do PATO MACHO à Alemanha
Está no papo. O técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira, acredita que o Brasil já merece levantar a taça por antecipação. O grande estrategista disse hoje, em Frankfurt, que o time já está nos cascos para a grande vitória e que a argentina (vai em minúscula, mesmo!!!) não passa de uma piada.
"Pode escrever, a taça é nossa, não tem para esses castelhanos. O time argentino é medíocre, lento, indolente e sem qualquer pegada, a verdade é esa: nós vamos encaixotá-los. Iremos repetir a performance de Buenos Aires e assombrar o mundo com nosso futebol-arte", afirmou o brilhante e adudacioso treinador, em entrevista após o jantar, na festiva concentração da Seleção.
Parreira inclusive já destacou os pontos fracos do adversário. "O Riquelme é josé inácio. Ele pega a bola e passa, como se ela queimasse, só engana, isso sem falar no Sorín, que já enganava no Cruzeiro, agora só dá migué".
Vencedor
Consagrado com títulos como da Copa do Mundo e da Copa América, o técnico brasileiro já fala como vencedor e revela que está dando autógrafos como campeão da Copa das Confederações: "eu quero essa Copa das Confederações porque só falta ela para eu ganhar.". Esses castelhanos vão ter que esperar, a época deles já passou".
Como disse em Porto Alegre, antes da gloriosa vitória por 4 a 1 em Buenos Aires, pelas Eliminatórias do Mundial, Parreira voltou a desdenhar a próxima partida: "se antes foi um amistoso de luxo, amanhã nós vamos liquidá-los como Ulisses fez com os pretendentes de Penélope", riu. Questionado a respeito da propalada precariedade da zaga, Carlos Alberto desdenhou: "meu filho, eu tenho Cicinho, Adriano, Robinho, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, vou me preocupar com zaga? Alôooooo!".
Parreira reitera que o Brasil vai entrar para matar o jogo. "quando eu aposto contra a Argentina, eu já gasto o dinheiro de véspera", disse o treinador. "É jogo jogado".
O técnico já fez também uma análise da Copa das Confederações. Para ele, o torneio, que gerou polêmica por interromper as férias dos jogadores "estrangeiros", foi bastante produtivo.
"Acho que tudo aqui foi extremamente proveitoso, o saldo foi muito positivo e a vitória sobre a Alemanha foi fácílima. Conseguimos observar 20 jogadores e eliminar o santos tirando o Robinho", brinca. "Fazer o quê, dura é a lei, mas é a lei.
Babado!
Roque Júnior elogia Galvão Bueno em treino
Um dos jogadores mais elogiados após o jogo entre Brasil e Alemanha, que terminou com a vitória da Seleção por 3 a 2, o brioso zagueiro Roque Júnior não escondeu a sua alegria e apreço com o narrador Galvão Bueno, da TV Globo, após o treino desta segunda-feira.
O zagueiro viou de longe seu amigo, deixou o gramado quando os atletas faziam alongamento, depois de trabalharem por cerca de 45 minutos. Caminhou em direção ao jornalista e, de braços abertos, teve uma rápida conversa antes de voltar para o campo.
Na opinião do jogador, segundo sua assessoria, os elogios feitos por Bueno durante o primeiro tempo da partida contra os alemães foram pontuais e justos. E o tom de sua reciprocidade foi para que o Galvão: "não se esquecesse dele, nem no smomentos mais fugazes".
Procurado pelo PATO MACHO, Galvão Bueno disse, a respeito dos elogios: "Vocês sabem que eu sou suspeito para falar dos amigos. Não fiz mais do que a minha obrigação como amigo e como brasileiro. O Roque sabe que nós somos muito amigos".
Após o treino desta segunda-feira, Roque Júnior ganhou o apoio do técnico Carlos Alberto Parreira. "O Roque Júnior é o maior zagueiro que já botou chuteira pela Seleção", afirmou o comandante do Brasil. "O Bellini não amarra as alparcas dele".
" Eu só não quero açodá-lo demais, a ponto que ele venha a ter algum mal desempenho nas partidas ", completou Parreira. "De qualquer maneira, já ganhamos".
Tuesday, June 28, 2005
Sunday, June 26, 2005
31 Canções (versão brega!)
O último livro de Nick Hornby, 31 Canções, é muito bom — quem não leu, leia. Na obra, ele fala de diversas canções pop que fizeram a sua cabeça. Ao contrário dos sucessos anteriores, o lançamento é totalmente despretensioso. Trata de uma lista (óbvio) das suas músicas preferidas, e a forma como elas se confundem com sua vida de trintão cool e desassombrado. A despretensão reside no fato de que, assim como ele, todos e qualquer um pode fazer o mesmo, talvez não com a mesa intensidade, ao relacionar músicas com estágios de vida cujos critérios são esses inefáveis laços sentimentais que nos prendem à vida e suas idiossincrasias. Como o ponto de partida de sua lista é o seu gosto pessoal, ele pode bater na trave do leitor em determinados momentos — por conta de artistas pop mundialmente conhecidos — quanto passar longe da meta, devido ao ecletismo de Hornby.
A história da nossa vida e músicas: é um tipo de meditação que só não passa pela cabeça dos inimigos do botão play e do auto-falante. E, para quem gosta de música, sempre tem aquela história para contar envolvendo você e alguma faixa — nem que seja pelo menos uma. Claro, não se trata de ser a música que mudou a vida, mas aquela que, sempre que a ouvimos, bate alguma coisa. O cara que estava perdido na vida, na porta da miséria, desempregado e descornado, mas tinha aquele disco do Jimi Hendrix que salvou a sua vida e que foi o seu fiel confidente; a menina que chorou muito ouvindo "Vento No Litoral", da Legião Urbana, a rapaz que se lembra do seu pai sempre que ouve "Velho Realejo" com o Sílvio Caldas; o cara que lembra daquele porre de vinho de garrafão ao escutar "I Wanna Be Sedaded", dos Ramones; do sujeito que resolveu pintar a cara de graxa e protestar nas ruas de pois de ouvir Caetano em "Alegria, Alegria", na naquela minissérie; da dona de casa que achou que a Vanusa cantava "Manhãs de Setembro" especialmente para ela; da ex-ardorosa fã do Menudo que sempre sente fica vermelha ao ouvir "não Se Reprima" e alguém jogar na sua cara que ela tinha ataques de histeria ao vê-los no Viva a Noite; ou aquela vovó que sempre se lembra do falecido ao curtir o "Besame Mucho" com o Ray Conniff. OK, sei que se eu espremer mais o cérebro, eu vou escrever um pequeno evangelho sobre o assunto. Voluntariamente ou não, elas sempre acabam invadindo a nossa mente e assombrando nossas memórias como o chá com bolinhos do Marcel Proust.
O segredo de 31 Canções, no caso do autor de Febre de Bola, é surpreender o leitor sendo profundo dentro de uma proposta aparentemente reles. Tudo passa pela sua análise isenta de preconceitos de ocasião, pelo menos, no sentido qualitativo de escolher "as melhores" mas, sim, aquelas que representaram algo na sua vida, ou seja, sentimentais motivações. Isso naturalmente não transforma a lista de Hornby numa verdadeira colcha de retalhos, que inclui Patti Smith, Teenage Fanclub, Santana, Rod Stewart, Ani DiFranco, Aimee Mann, Paul Westerberg, Suicide, J. Geils Band, Ben Folds Five, Badly Drawn Boy, The Bible, Van Morrison, Soulwax, e por aí vai. Ou seja, se a lista segue alguma lógica, essa passa longe de um gênero específico.
Claro, nem tanto. Por exemplo, quando ele fala de "Rain", ele banca o cronista musical, e acerta na mosca. "Rain" é uma canção maravilhosa dos Beatles, de um ano maravilhoso da carreira deles, o ano que o Oasis ficou tentando viver nos últimos dez anos, e é maravilhoso escutar uma canção de Lennon-McCartney que não teve praticamente todo o seu sumo sugado". Nesse caso, eu devo concordar que realmente existe uma fixação no ano de 1966 e, principalmente pelo experimentalismo do rock daquela época. Na verdade, o que o Oasis faz é viver parado naquele cânone; nesse sentido, eu até conseguiria, junto com Hornby, escolhê-la em detrimento de qualquer outra do quarteto de Liverpool. Ou então o fato dele se achar tão velho para uma música tão primordial, como "Heratbraker", do Led Zepplin, ou se sentir cada vez mais renovado sempre que ouve a mesma música, como "Thunderoad", do Bruce Springsteen...
Enfim, lista de músicas preferidas como uma espécie de egotrip quase como um inventário de nossas, vidas, uma recherche do tempo perdido com trilha sonora, todos podem fazer. Ótimo. Portanto, eu humildemente pensei que poderia, aqui, nesse humilde espaço, ajuntar uma lista pessoal das minhas canções preferidas. Mas não se trata de uma lista comum. Eu queria, na verdade, é montar um inventário das melhores canções brega de todos os tempos e dar subsídios à este gênero tão renegado pelo Brasil dândi, encasacado de tão bem vestido e coberto de pó-de-arroz. Chega de popices e seus congêneres. Eu quero os trovadores do Brasil bodum, molambento e suburbano.
Mas brega, BREGA! Então vamos lá:
O Telefone Chora – Márcio José: considerado pelos especialistas como o brega mais globalizado de todos os tempos. Original de Claude François, ganhou versões em espanhol, italiano. Márcio José foi o responsável por vertê-la para a língua de Camões. Metade falada, metade cantada, ela narras as peripécias de um homem que tenta em vão falar com a sua mulher, com quem havia rompido há sete (ou oito) anos, desde que a filha do casal veio ao mundo. Pois o diálogo todo é travado por ambos, pai e filha, sem que este se dê conta da desdita. "O telefone/chora/e ela não quer/ falar...".
Torturas de Amor– Waldick Soriano: precisa falar alguma coisa? Essa música é simplesmente FODA!
Fuscão Preto – Almir Rogério: uma dor de corno motorizada. A maior de todas, tendo um carro como protagonista fala da mulher que "foi vista com outro", "cheirando a álcool e fumando sem parar" e que trocou o poeta por um Fusca. Soberba.
Deixa de Banca – Reginaldo Rossi: o Pai de Todos. O Abraão do brega. Antes dos outros existirem, ele já existia. Salve, Reginaldo Rossi, o padroeiro da turma do goró.
A Desconhecida – Fernando Mendes: acharam que eu ia esquecer dele? O Leonardo gravou "A Desconhecida", do cara que também é o inventor do "Cadeira de Rodas" e "Você não me Ensinou
a Te esquecer". Mas não adianta: a original é muito melhor. "De onde ela vei/Prá onde ela vai?". Emoboy em pessoa.
Tango Prá Teresa – Ângela Maria: ela que é a highlander da música brasileira. Essa cantou na Primeira Missa. Ângela, teu povo te ama. A Ângela cantando tango é simplesmente de fazer o Gardel ter tremilicos lá na tumba.
Meu Grito – Agnaldo Timóteo: Agnaldo é um cara esquecido pelas novas gerações. Fiquem sabendo que ele foi um dos maiores, dos maiores. O cara cantando "The House Of The Rising Sun" bota o Eric Burdon no chinelo, nem se apresenta. "Meu Grito", por sua vez, foi feita pelo Roberto Carlos especial mente para o deputado Timóteo. Esta foi um grande sucesso da Jovem Guarda. O disco, de 1967, foi presente do Dia dos Namorados que meu pai deu para aquela que viria a ser a minha mãe. Meu pai também era brega. E a minha mãe não sabia o que lhe esperava...
Aparências – Márcio Greyck: "quantas vezes nós deitamos lado a lado, tão somente prá dormir?", dia a letra. "Quantas vezes nós dissemos ‘eu te amo’ prá tentar sobreviver?". Greyck discute a relação e vira mito.
Costa del Sol – Sônia Rocha: ah, você não sabe quem é a Sônia Rocha? Então voc6e não sabe nada!
Telefone Mudo – Trio Parada Dura: Antológico, com o Barrerito nos vocais e como s errinhos de concordância verbal na letra. Era o auge da guarânia na música sertaneja. "Cansei de ser o seu palhaçoooooo/ Fazer o que sempre quis/ Cansei de curar sua fossa/ Quando você não se sentia feliz".
Eu, Você e a Praça – Odair José: Ele é o bardo das gadosas, o minnesinger do Brasil bodum, o cantor dos amores impossíveis, o cronista do cotidiano rés-do-chão. O maior entre os maiores. Autor de frases memoráveis como "se eu soubesse o que iria acontecer/ nao teria acostumado minhas coisas com você" ou "se eu fosse uma lágrima eu não te deixaria, ficaria em seus olhos como poesia e todo amor do mundo seria para nós dois". "Eu, Você e a Praça" parece um ajuste de contas do poeta apaixonado e sua musa, de prontidão, na calçada. Impressionista, ela começa assim: "encostei meu carro na praça/E você/ Um tanto sem graca/ Sorriu pra mim...".
Tudo Passará – Nelson Ned: quem não conhece? Te ouvir tomando umas e outras, no rádio do boteco. Hors Concours.
Secretaria da Beira do Cais – César Sampaio: essa é estilo "A Bailarina", pelo título delas, dá para entender onde o eufemismo quer chegar.
Se Amar é Viver – Altieres Barbiero: "se amar é viver, eu vivo porque amo você". O refrão é cantado com um coro feminino, estilo chansoneur francês. Já o Altieres é um Leonard Cohen "bodum", canonérrimo. Outra daquelas declamadas. Aqui, o sujeito é um coitado que encontra um vulto do passado, dos tempos do colégio. Ao ver a sua amada transformada em mulher, ele se esgueira e tenta revelar o seu amor pela mulher que ele encontra na praça, enquanto faz o inventário de sus investidas. Eis que, de repente, uma criança corre aos braços da bela senhora, gritando "mamãe". Para quê! Nosso herói foge, envergonhado: é tarde demais. E canta: "se amar é viver, eu vivo porque amo você...".
Feriado – Gizele, a Madoninha Capixaba: ela não parece com a Madonna, é fanha, não canta nada, é a maior sem noção, mas é a minha musa. Nada melhor para levantar o astral. "Feriado" é, na verdade, "Holiday", numa tradução quase literal da letra. "Seriadão (sic)..leee-gal! Vamos comemorar pelo munduuuuuuuu!".
Seu Amor Anda É Tudo – Moacir Franco: mais um dos patriarcas do brega, Franco também foi chique. E um grande compositor, criador de grandes sucessos, como "O Milagre da Flecha", "Balada # 7".
Ainda Ontem Chorei de Saudade – João Mineiro & Marciano: coincidência. A música é de Moacir Franco, também. Clássico dos clássicos. "ainda ontem/Chorei de Saudade/ Relendo a carta/ Sentindo o perfume/ Mas que fazer com esse amor/ Que me invade/ Mato esse amor ou me mata/ O ciúme".
Prometemos Não Chorar – Barros de Alencar: É aquela do cara que vai abandonar a concubina, e faz um show de histrionismo sádico tentando conformar a pequena inconsolável num restaurante, fazendo-a se humilhar diante dos clientes. "lembra a tarde em que nos conhecemos? Ele: "Foi lindo que aconteceu entre nós. Mas já passou. Já passou. Agora é preciso que nos separemos". Ela: "Chuif! Eu Te amo!" Ele (frio): "O seu café está esfriando, páre de chorar, o garçom está vindo!".
Ainda queima a Esperança – Diana: "todo dia é o mesmo dia/ Toda hora é qualquer hora....Eu não sei por quanto tempo/Vou esquecer o seu amor (...) "está feliz agora, depois que tudo acaboooou". Pior, só churrasquinho grego com cerveja uruguaia quente. Soleado – Francisco Cuoco: Carlão não é propriamente um mentor brega, mas entrou para a história no gênero ao gravar esta canção como recitativo, com uma voz rouca de conhaque vagabundo e cigarro Caporal. A música gira em torno de um corno enigmático, que teria perdido o amor de sua mulher para um certo "bobocudo", e se consola em exclamações como "porque te amo. Te quero! Como te quero!". O babado é que, a despeito do sucesso, Cuoco não ganhou nada como disco. Resolveu botar a antiga Ariola na Justiça, e acabou ganhando a causa, recebendo R$ 100 mil. Pelo menos, de bobocudo, o "Carlão" não tem nada.
Retalhos de Cetim – Benito di Paula: autor de pérolas do cancioneiro, tais como "Tudo está No seu Lugar", a lírica "Eu Amei" e a bucólica "Amigo do sol, Amigo da Lua" , sambista "EMO" revela a tocante história da cabrocha enganadora que o deixou chorando na avenida no meio do desfile de Carnaval.
Quarto de Pensão – Paulo de Paula: em grande estilo, dotado de um precioso senso de narração e descrição, Paulo de Paula é voyeur em "Quarto de Pensão". "Pelo vitrô dentro de um quarto em minha frente/ Vejo um vulto diferente/Mal posso compreender/ Me aproximo com tanta curiosidade/ Porque o vulto na verdade/ Chega a me surpreender/ E por detrás de uma cortina transparente/ surge uma luz fosforescente/ Vejo um corpo de mulher/ que aparenta/Vinte anos mais ou menos/ Pelo que eu estou sabendo/ Meu carinho ela não quer".
Nosso Amor Virou Um Lixo – Carlos Alexandre: está para nascer um "poeta sonhador" como Carlos Alexandre. Bodum total. Ninguém é brega com tanta convicção quanto ele. Depois de "Mulher Traiçoeira", nada como exorcizar um amor perdido com "Nosso Amor Virou Um Lixo".
O Grande Amor da Minha Vida – Bartô Galeno: profeta do goró, Galeno é o cara da música do toca-fitas. É o Jim Morrison do brega. Daqueles que canta três números e desaba no palco, como o líder dos Doors. Desde então, tem conquistado hordas de fãs ardorosos e sequiosos de sua lírica. "O Grande Amor da Minha Vida" é se não a maior, a mais representativa de seu inefável talento: "Amor/ Você não sabe o quanto eu/ Estou sofrendo Amor /Na sua ausência/A solidão me apavora/Amor não consegui gostar de mais ninguém Porque /Você é o grande amor da minha vida".
Princesa – Amado Batista: seresteiro das noites, aquele do "hospital, na sala de cirurgia, pela janela eu via, você sofrendo a sorrir". Quem não se apaixonou por aquela princesa, caixeira de supermercado de subúrbio, com olhinhos brilhantes, cabelinhos "toinoinoin" e um tímido sorriso de dentinhos meigamente tortinhos? "Ao te Ver/Pela primeira vez/ Eu tremi todo/ Uma coisa tomou conta/ Do meu coração/ Com este olhar meigo/ De menina? Me fez nascer no peito/ esta paixão..."
Menina de Trança – Antônio Marcos: emoboy e profeta do goró, o saudoso Antônio Marcos encarnou o romântico evangélico (lembram de "O Homem de Nazaré"), mas ficou menos datado mesmo nas canções de amor como "Volte, Amor" e, principalmente "Menina de Trança", a mais "emo" de todas, com seu arranjo de berceuse. É a história da menina que virou mulher e "esqueceu" de amá-lo. "O tempo tão lindo/ Ficou na lembrança/ Menina de trança/ que falta me faz". É o eterno príncipe dos "emos".
A Cruz que Carrego – Evaldo Braga: ninguém sofreu mais do que ele. Evaldo Briga cantava "sorria" mas, por dentro, copiosamente ele chorava. Ninguém cantava como Evaldo Braga. "A Cruz que Carrego" é a sua maior interpretação. Evaldo Braga sofreu até a morte. "Quem de mim tanto gostava/ Agora me odeia". Foi um gênio em seu curso espaço de tempo.
Dois Sem Vergonha – Lindomar Castilho: lista brega sem Lindomar não é lista brega. Castilho, o cantor que, como diria Ortega Y Gasset, era literalmente o homem e as suas circunstâncias. O rei do bolero trash: "Todo dia a gente briga/ Por ciúme ou por intriga/ Sempre temos que brigar/ Você diz que vai embora/ E eu com raiva nessa hora/ Não lhe peço prá ficar/ É um problema de quem gosta/ quando você vira as costas/ A tristeza me acompanha/ É mesmo um caso sem jeito/ Você vai e volta e eu aceito/ Isso é uma pouca vergonha". Vai encarar?
Índia – Paulo Sérgio: ainda mais com as baquetinhas e o backing do regional mexicano, nada mais cafona, na interpretação viril do inolvidável Paulo Sérgio que, como alfaiate, era um grande cantor.
A Namorada que Sonhei – Nílton César: uma declaração de amor. "Receba as flores meu amor/ E em cada flor um beijo meu/ são flores lindas que eu lhe dou/ Rosas vermelhas com amor/ amor que por você nasceu. Do ex-ídolo da Jovem Guarda tardia, quando ainda vigorava o orgãozinho Lafayette, César, autor de "Férias na Índia" e "Amor, Amor, Amor" canta uma profissão de fé dos casais enamorados na irretocável "A Namorada que Sonhei". "Querida ml vezes querida/Deus na terra nascida/ A Namorada que sonhei".
Coração Materno – Vicente Celestino: o primeiro brega no Brasil, do tempo da Chiquinha Gonzaga. Aliás, ele era ator dos teatros de revista da maestrina. Nos cinemas, virou "O Ébrio". Foi redimido pelos tropicalistas – Caetano e Duprat recriaram essa mesma canção, um tango-canção inspirado num poema popular francês. A voz de barítono de Celestino foi um símbolo do bregão (o termo, aliás, não existia). Quem nunca ouviu Vicente não sabe o que é brega. Nem O Nick Hornby. Hehe.
A história da nossa vida e músicas: é um tipo de meditação que só não passa pela cabeça dos inimigos do botão play e do auto-falante. E, para quem gosta de música, sempre tem aquela história para contar envolvendo você e alguma faixa — nem que seja pelo menos uma. Claro, não se trata de ser a música que mudou a vida, mas aquela que, sempre que a ouvimos, bate alguma coisa. O cara que estava perdido na vida, na porta da miséria, desempregado e descornado, mas tinha aquele disco do Jimi Hendrix que salvou a sua vida e que foi o seu fiel confidente; a menina que chorou muito ouvindo "Vento No Litoral", da Legião Urbana, a rapaz que se lembra do seu pai sempre que ouve "Velho Realejo" com o Sílvio Caldas; o cara que lembra daquele porre de vinho de garrafão ao escutar "I Wanna Be Sedaded", dos Ramones; do sujeito que resolveu pintar a cara de graxa e protestar nas ruas de pois de ouvir Caetano em "Alegria, Alegria", na naquela minissérie; da dona de casa que achou que a Vanusa cantava "Manhãs de Setembro" especialmente para ela; da ex-ardorosa fã do Menudo que sempre sente fica vermelha ao ouvir "não Se Reprima" e alguém jogar na sua cara que ela tinha ataques de histeria ao vê-los no Viva a Noite; ou aquela vovó que sempre se lembra do falecido ao curtir o "Besame Mucho" com o Ray Conniff. OK, sei que se eu espremer mais o cérebro, eu vou escrever um pequeno evangelho sobre o assunto. Voluntariamente ou não, elas sempre acabam invadindo a nossa mente e assombrando nossas memórias como o chá com bolinhos do Marcel Proust.
O segredo de 31 Canções, no caso do autor de Febre de Bola, é surpreender o leitor sendo profundo dentro de uma proposta aparentemente reles. Tudo passa pela sua análise isenta de preconceitos de ocasião, pelo menos, no sentido qualitativo de escolher "as melhores" mas, sim, aquelas que representaram algo na sua vida, ou seja, sentimentais motivações. Isso naturalmente não transforma a lista de Hornby numa verdadeira colcha de retalhos, que inclui Patti Smith, Teenage Fanclub, Santana, Rod Stewart, Ani DiFranco, Aimee Mann, Paul Westerberg, Suicide, J. Geils Band, Ben Folds Five, Badly Drawn Boy, The Bible, Van Morrison, Soulwax, e por aí vai. Ou seja, se a lista segue alguma lógica, essa passa longe de um gênero específico.
Claro, nem tanto. Por exemplo, quando ele fala de "Rain", ele banca o cronista musical, e acerta na mosca. "Rain" é uma canção maravilhosa dos Beatles, de um ano maravilhoso da carreira deles, o ano que o Oasis ficou tentando viver nos últimos dez anos, e é maravilhoso escutar uma canção de Lennon-McCartney que não teve praticamente todo o seu sumo sugado". Nesse caso, eu devo concordar que realmente existe uma fixação no ano de 1966 e, principalmente pelo experimentalismo do rock daquela época. Na verdade, o que o Oasis faz é viver parado naquele cânone; nesse sentido, eu até conseguiria, junto com Hornby, escolhê-la em detrimento de qualquer outra do quarteto de Liverpool. Ou então o fato dele se achar tão velho para uma música tão primordial, como "Heratbraker", do Led Zepplin, ou se sentir cada vez mais renovado sempre que ouve a mesma música, como "Thunderoad", do Bruce Springsteen...
Enfim, lista de músicas preferidas como uma espécie de egotrip quase como um inventário de nossas, vidas, uma recherche do tempo perdido com trilha sonora, todos podem fazer. Ótimo. Portanto, eu humildemente pensei que poderia, aqui, nesse humilde espaço, ajuntar uma lista pessoal das minhas canções preferidas. Mas não se trata de uma lista comum. Eu queria, na verdade, é montar um inventário das melhores canções brega de todos os tempos e dar subsídios à este gênero tão renegado pelo Brasil dândi, encasacado de tão bem vestido e coberto de pó-de-arroz. Chega de popices e seus congêneres. Eu quero os trovadores do Brasil bodum, molambento e suburbano.
Mas brega, BREGA! Então vamos lá:
O Telefone Chora – Márcio José: considerado pelos especialistas como o brega mais globalizado de todos os tempos. Original de Claude François, ganhou versões em espanhol, italiano. Márcio José foi o responsável por vertê-la para a língua de Camões. Metade falada, metade cantada, ela narras as peripécias de um homem que tenta em vão falar com a sua mulher, com quem havia rompido há sete (ou oito) anos, desde que a filha do casal veio ao mundo. Pois o diálogo todo é travado por ambos, pai e filha, sem que este se dê conta da desdita. "O telefone/chora/e ela não quer/ falar...".
Torturas de Amor– Waldick Soriano: precisa falar alguma coisa? Essa música é simplesmente FODA!
Fuscão Preto – Almir Rogério: uma dor de corno motorizada. A maior de todas, tendo um carro como protagonista fala da mulher que "foi vista com outro", "cheirando a álcool e fumando sem parar" e que trocou o poeta por um Fusca. Soberba.
Deixa de Banca – Reginaldo Rossi: o Pai de Todos. O Abraão do brega. Antes dos outros existirem, ele já existia. Salve, Reginaldo Rossi, o padroeiro da turma do goró.
A Desconhecida – Fernando Mendes: acharam que eu ia esquecer dele? O Leonardo gravou "A Desconhecida", do cara que também é o inventor do "Cadeira de Rodas" e "Você não me Ensinou
a Te esquecer". Mas não adianta: a original é muito melhor. "De onde ela vei/Prá onde ela vai?". Emoboy em pessoa.
Tango Prá Teresa – Ângela Maria: ela que é a highlander da música brasileira. Essa cantou na Primeira Missa. Ângela, teu povo te ama. A Ângela cantando tango é simplesmente de fazer o Gardel ter tremilicos lá na tumba.
Meu Grito – Agnaldo Timóteo: Agnaldo é um cara esquecido pelas novas gerações. Fiquem sabendo que ele foi um dos maiores, dos maiores. O cara cantando "The House Of The Rising Sun" bota o Eric Burdon no chinelo, nem se apresenta. "Meu Grito", por sua vez, foi feita pelo Roberto Carlos especial mente para o deputado Timóteo. Esta foi um grande sucesso da Jovem Guarda. O disco, de 1967, foi presente do Dia dos Namorados que meu pai deu para aquela que viria a ser a minha mãe. Meu pai também era brega. E a minha mãe não sabia o que lhe esperava...
Aparências – Márcio Greyck: "quantas vezes nós deitamos lado a lado, tão somente prá dormir?", dia a letra. "Quantas vezes nós dissemos ‘eu te amo’ prá tentar sobreviver?". Greyck discute a relação e vira mito.
Costa del Sol – Sônia Rocha: ah, você não sabe quem é a Sônia Rocha? Então voc6e não sabe nada!
Telefone Mudo – Trio Parada Dura: Antológico, com o Barrerito nos vocais e como s errinhos de concordância verbal na letra. Era o auge da guarânia na música sertaneja. "Cansei de ser o seu palhaçoooooo/ Fazer o que sempre quis/ Cansei de curar sua fossa/ Quando você não se sentia feliz".
Eu, Você e a Praça – Odair José: Ele é o bardo das gadosas, o minnesinger do Brasil bodum, o cantor dos amores impossíveis, o cronista do cotidiano rés-do-chão. O maior entre os maiores. Autor de frases memoráveis como "se eu soubesse o que iria acontecer/ nao teria acostumado minhas coisas com você" ou "se eu fosse uma lágrima eu não te deixaria, ficaria em seus olhos como poesia e todo amor do mundo seria para nós dois". "Eu, Você e a Praça" parece um ajuste de contas do poeta apaixonado e sua musa, de prontidão, na calçada. Impressionista, ela começa assim: "encostei meu carro na praça/E você/ Um tanto sem graca/ Sorriu pra mim...".
Tudo Passará – Nelson Ned: quem não conhece? Te ouvir tomando umas e outras, no rádio do boteco. Hors Concours.
Secretaria da Beira do Cais – César Sampaio: essa é estilo "A Bailarina", pelo título delas, dá para entender onde o eufemismo quer chegar.
Se Amar é Viver – Altieres Barbiero: "se amar é viver, eu vivo porque amo você". O refrão é cantado com um coro feminino, estilo chansoneur francês. Já o Altieres é um Leonard Cohen "bodum", canonérrimo. Outra daquelas declamadas. Aqui, o sujeito é um coitado que encontra um vulto do passado, dos tempos do colégio. Ao ver a sua amada transformada em mulher, ele se esgueira e tenta revelar o seu amor pela mulher que ele encontra na praça, enquanto faz o inventário de sus investidas. Eis que, de repente, uma criança corre aos braços da bela senhora, gritando "mamãe". Para quê! Nosso herói foge, envergonhado: é tarde demais. E canta: "se amar é viver, eu vivo porque amo você...".
Feriado – Gizele, a Madoninha Capixaba: ela não parece com a Madonna, é fanha, não canta nada, é a maior sem noção, mas é a minha musa. Nada melhor para levantar o astral. "Feriado" é, na verdade, "Holiday", numa tradução quase literal da letra. "Seriadão (sic)..leee-gal! Vamos comemorar pelo munduuuuuuuu!".
Seu Amor Anda É Tudo – Moacir Franco: mais um dos patriarcas do brega, Franco também foi chique. E um grande compositor, criador de grandes sucessos, como "O Milagre da Flecha", "Balada # 7".
Ainda Ontem Chorei de Saudade – João Mineiro & Marciano: coincidência. A música é de Moacir Franco, também. Clássico dos clássicos. "ainda ontem/Chorei de Saudade/ Relendo a carta/ Sentindo o perfume/ Mas que fazer com esse amor/ Que me invade/ Mato esse amor ou me mata/ O ciúme".
Prometemos Não Chorar – Barros de Alencar: É aquela do cara que vai abandonar a concubina, e faz um show de histrionismo sádico tentando conformar a pequena inconsolável num restaurante, fazendo-a se humilhar diante dos clientes. "lembra a tarde em que nos conhecemos? Ele: "Foi lindo que aconteceu entre nós. Mas já passou. Já passou. Agora é preciso que nos separemos". Ela: "Chuif! Eu Te amo!" Ele (frio): "O seu café está esfriando, páre de chorar, o garçom está vindo!".
Ainda queima a Esperança – Diana: "todo dia é o mesmo dia/ Toda hora é qualquer hora....Eu não sei por quanto tempo/Vou esquecer o seu amor (...) "está feliz agora, depois que tudo acaboooou". Pior, só churrasquinho grego com cerveja uruguaia quente. Soleado – Francisco Cuoco: Carlão não é propriamente um mentor brega, mas entrou para a história no gênero ao gravar esta canção como recitativo, com uma voz rouca de conhaque vagabundo e cigarro Caporal. A música gira em torno de um corno enigmático, que teria perdido o amor de sua mulher para um certo "bobocudo", e se consola em exclamações como "porque te amo. Te quero! Como te quero!". O babado é que, a despeito do sucesso, Cuoco não ganhou nada como disco. Resolveu botar a antiga Ariola na Justiça, e acabou ganhando a causa, recebendo R$ 100 mil. Pelo menos, de bobocudo, o "Carlão" não tem nada.
Retalhos de Cetim – Benito di Paula: autor de pérolas do cancioneiro, tais como "Tudo está No seu Lugar", a lírica "Eu Amei" e a bucólica "Amigo do sol, Amigo da Lua" , sambista "EMO" revela a tocante história da cabrocha enganadora que o deixou chorando na avenida no meio do desfile de Carnaval.
Quarto de Pensão – Paulo de Paula: em grande estilo, dotado de um precioso senso de narração e descrição, Paulo de Paula é voyeur em "Quarto de Pensão". "Pelo vitrô dentro de um quarto em minha frente/ Vejo um vulto diferente/Mal posso compreender/ Me aproximo com tanta curiosidade/ Porque o vulto na verdade/ Chega a me surpreender/ E por detrás de uma cortina transparente/ surge uma luz fosforescente/ Vejo um corpo de mulher/ que aparenta/Vinte anos mais ou menos/ Pelo que eu estou sabendo/ Meu carinho ela não quer".
Nosso Amor Virou Um Lixo – Carlos Alexandre: está para nascer um "poeta sonhador" como Carlos Alexandre. Bodum total. Ninguém é brega com tanta convicção quanto ele. Depois de "Mulher Traiçoeira", nada como exorcizar um amor perdido com "Nosso Amor Virou Um Lixo".
O Grande Amor da Minha Vida – Bartô Galeno: profeta do goró, Galeno é o cara da música do toca-fitas. É o Jim Morrison do brega. Daqueles que canta três números e desaba no palco, como o líder dos Doors. Desde então, tem conquistado hordas de fãs ardorosos e sequiosos de sua lírica. "O Grande Amor da Minha Vida" é se não a maior, a mais representativa de seu inefável talento: "Amor/ Você não sabe o quanto eu/ Estou sofrendo Amor /Na sua ausência/A solidão me apavora/Amor não consegui gostar de mais ninguém Porque /Você é o grande amor da minha vida".
Princesa – Amado Batista: seresteiro das noites, aquele do "hospital, na sala de cirurgia, pela janela eu via, você sofrendo a sorrir". Quem não se apaixonou por aquela princesa, caixeira de supermercado de subúrbio, com olhinhos brilhantes, cabelinhos "toinoinoin" e um tímido sorriso de dentinhos meigamente tortinhos? "Ao te Ver/Pela primeira vez/ Eu tremi todo/ Uma coisa tomou conta/ Do meu coração/ Com este olhar meigo/ De menina? Me fez nascer no peito/ esta paixão..."
Menina de Trança – Antônio Marcos: emoboy e profeta do goró, o saudoso Antônio Marcos encarnou o romântico evangélico (lembram de "O Homem de Nazaré"), mas ficou menos datado mesmo nas canções de amor como "Volte, Amor" e, principalmente "Menina de Trança", a mais "emo" de todas, com seu arranjo de berceuse. É a história da menina que virou mulher e "esqueceu" de amá-lo. "O tempo tão lindo/ Ficou na lembrança/ Menina de trança/ que falta me faz". É o eterno príncipe dos "emos".
A Cruz que Carrego – Evaldo Braga: ninguém sofreu mais do que ele. Evaldo Briga cantava "sorria" mas, por dentro, copiosamente ele chorava. Ninguém cantava como Evaldo Braga. "A Cruz que Carrego" é a sua maior interpretação. Evaldo Braga sofreu até a morte. "Quem de mim tanto gostava/ Agora me odeia". Foi um gênio em seu curso espaço de tempo.
Dois Sem Vergonha – Lindomar Castilho: lista brega sem Lindomar não é lista brega. Castilho, o cantor que, como diria Ortega Y Gasset, era literalmente o homem e as suas circunstâncias. O rei do bolero trash: "Todo dia a gente briga/ Por ciúme ou por intriga/ Sempre temos que brigar/ Você diz que vai embora/ E eu com raiva nessa hora/ Não lhe peço prá ficar/ É um problema de quem gosta/ quando você vira as costas/ A tristeza me acompanha/ É mesmo um caso sem jeito/ Você vai e volta e eu aceito/ Isso é uma pouca vergonha". Vai encarar?
Índia – Paulo Sérgio: ainda mais com as baquetinhas e o backing do regional mexicano, nada mais cafona, na interpretação viril do inolvidável Paulo Sérgio que, como alfaiate, era um grande cantor.
A Namorada que Sonhei – Nílton César: uma declaração de amor. "Receba as flores meu amor/ E em cada flor um beijo meu/ são flores lindas que eu lhe dou/ Rosas vermelhas com amor/ amor que por você nasceu. Do ex-ídolo da Jovem Guarda tardia, quando ainda vigorava o orgãozinho Lafayette, César, autor de "Férias na Índia" e "Amor, Amor, Amor" canta uma profissão de fé dos casais enamorados na irretocável "A Namorada que Sonhei". "Querida ml vezes querida/Deus na terra nascida/ A Namorada que sonhei".
Coração Materno – Vicente Celestino: o primeiro brega no Brasil, do tempo da Chiquinha Gonzaga. Aliás, ele era ator dos teatros de revista da maestrina. Nos cinemas, virou "O Ébrio". Foi redimido pelos tropicalistas – Caetano e Duprat recriaram essa mesma canção, um tango-canção inspirado num poema popular francês. A voz de barítono de Celestino foi um símbolo do bregão (o termo, aliás, não existia). Quem nunca ouviu Vicente não sabe o que é brega. Nem O Nick Hornby. Hehe.
Wednesday, June 08, 2005
É chato ser brasileiro!
ESPORTES
Argentina desaba diante do Brasil: 4 a 1
Seleção levou 1 a 0 no começo, mas mostrou que amistoso de luxo mesmo é Boca e River. Time de Parreira está classificado para a Copa do Mundo 2006
Marcelo Xavier / enviado especial do PATO MACHO à Buenos Aires
Com um desempenho irretocável nas duas etapas, o Brasil meteu quatro sonoros golaços na fraca Argentina e deu goleada de luxo em pleno Monumental de Nuñez, para o delírio dos 10 mil brasileiros que lotaram o estádio do River. Com a vitória, a Seleção Brasileira distancia-se da Argentina na liderança das Eliminatórias Sul-Americanas ao Mundial de 2006, com 30 pontos contra 28.
O festejado e propalado "quarteto fantástico" (Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Adriano), que tanto sucesso fez no Beira-Rio contra um apático Paraguai, quase deu mostras que iria ruir diante de 70 mil espectadores argentinos, como queriam os "cretinos fundamentais" da imprensa. Tudo começou quando Crespo recebeu a bola livre na entrada da área e chutou rasteiro no canto esquerdo para fazer 1 a 0.
Mas a verdade veio à tona: a esperança de que, a partir dali, começasse a aparecer o talento dos craques brasileiros realmente deu as caras quando brilhou a estrela de Robinho, de excelente atuação em campo. Ele aproveitou falha da defesa e empatou o jogo, aos 15 da primeira etapa, com um belo arremate de fora da área.
Desestabilizado, o time de José Pekerman que, antes do jogo, havia chamado a partida de "amistoso de luxo", sentiu que a alma castelhana soçobrava diante da vultosa alma brasileira. Aos 40 minutos, Adriano ganhou a disputa com Ayala e desviou de cabeça para fazer 2 a 0. Foi o que bastou para perturbar completamente a equipe argentina. Dois minutos depois, em desespero, um covarde e pífio Sorín acertou um tapa escandaloso em Ronaldinho, após uma disputa no meio de campo. O árbitro uruguaio Gustavo Mendés mostrou que não era caseiro, e expulsou o lateral, que precisou ser retirado coma ajuda da Polícia. Em seu lance seguinte, Ronaldinho brilhou ao driblar quatro adversários e chutar a gol: era o terceiro. O primeiro tempo terminou com alguns princípios de briga. Desestabilizado, o time da casa esperava o pior.
A Argentina bem que tentou, e jogou excepcionalmente bem no segundo tempo, tentando encurralar os briosos visitantes em seu campo defensivo. Mas foi tudo em vão. Tensos, os "castelhanos" não conseguiam acertar três passes no meio de campo. Foi quando Robinho, novamente ele, depois de muita insistência, liquidou a fatura, aos 26min, com um gol de placa. A Argentina lutou até o final, continuou pressionando, já fazendo por merecer o segundo gol. Aos 39, quando Crespo chutou uma bola prensada na trave. Nem a entrada do cabrón Carlito adiantou alguma coisa. No meio da humilhação, a hinchada brasileira entoou os versos de Cuesta Abajo, tango de Gardel e Le Pera: "me arrstré por este mundo, la verguenza de haber sido y el dolor de ya no ser". Coitados. É que não adianta: esses castelhanos não ganham nem campeonato de cuspe.
A Argentina tenta, tenta, mas só o Brasil que é Penta.
Argentina: Abbondanzieri; Ayala, Coloccini e Heinze; Kily González, Mascherano, González (Zanetti), Riquelme e Sorín; Saviola (Tevez) e Crespo. Técnico: José Pekerman.
Brasil: Dida; Cafu, Juan, Roque Jr. e Roberto Carlos; Émerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho; Robinho (Renato) e Adriano. Técnico: Parreira. Árbitro: Gustavo Méndez (Ur.)
Tuesday, June 07, 2005
Não acredite. É verdade
Em 2002, Noel Gallagher, líder do Oasis, disse que, quando a banda concluir a sua obra-prima, vai terminar. Para o bem ou para o mal, tudo indica que a resposta é definitivamente talvez: se não é pois o zênite da carreira deles, pelo menos permite um primeiro lugar nas paradas e refrões interessantes.
Gravado nos estúdios da Capitol em Los Angeles, por sugestão do produtor do disco, Dave Sady. De acordo com Noel, o material produzido até 2004 não apresentava qualidade suficiente para vir à luz. Resumo da ópera: o novo disco levou quase dois anos para "deslanchar", agora em sessões de gravação que contaram dois meses e meio.
Como no álbum anterior, Heathen Chemstry (2002), Don’t Believe The Truth abre o repertório à participação de seu irmão, Liam, mais Gem Archer e Andy Bell. Se antes Noel dizia : "I write the song that make the whole world sing". Agora ele mesmo admitiu, em entrevista à revista Q: "Ele [Liam] está em um estágio em que eu só me encontrei há vinte anos atrás, onde você escreve uma canção atrás da outra". Pode ser um elogio. Segundo ele, seu irmão havia apresentado cerca de vinte canções, das quais foram selecionados números como "Guess God Think I’m Able" e "Love Like a Bomb". Lógico, isso não significa dizer que o próprio Noel esteja entregando os pontos. A sua participação no disco, mais do que vital, demostra que ele e a banda definitivamente passou aquela fase de saber se está vivendo o primeiro dos seus anos de glória ou o fim de um curto período de genialidade, como no auge do Britpop. Mais do que tudo, Don’t Believe The Truth mostra o amadurecimento do Noel compositor. De longe, as canções dele valem os três anos de espera.
O ponto negativo para a imensa e inconsolável legião de fãs é a saída de Alan White. O que se espera, ao menos, é que o processo de downsizing a cada lançamento diminua — senão, Liam e Noel irão, inexoravelmente, fundar a sua solidão num duo estilo Everly Brothers...
Para muitos, o acréscimo de Zak Starkey tem a ver com o momento da banda, outros entendem que a sua sonoridade é limitada com relação ao seu antecessor. A avaliação sobre Zak pode ser precoce, mas o interessante em seu trabalho no disco é que, involuntariamente ou não, ele imprimiu um novo formato às canções. Se o velho logotipo voltou à capa, a sonoridade é menos padronizada do simbolismo "beatle" em favor de um teor mais híbrido nas faixas com relação à referências musicais. O próprio guitarrista aponta para um ecletismo lapidar, indo de Kinks a Dylan ou Elvis Presley, muito embora o objetivo do Oasis não seja montar um quebra-cabeça para os seus ouvintes. Até porque muitos deles talvez não saibam sequer quem é Ray Davies...
Apesar da diversidade tendências e influências, pelo menos é possível notar que eles encontraram um padrão dentro dos clichês que o próprio Oasis fomentou. Pelo menos, em termo de letra, se restaram incompreendidos nos últimos discos, eles provam que estão se superando a cada álbum. Longa da torrente de guitarras em profusão e da bateria heavy de Be Here Now (1997), Don’t Believe The Truth busca a medida estóica do rock, modulando entre canções mais acústicas e arranjos mais "cerebrais". Um exemplo é "Turn Up The Sun", composição de Andy Bell, que abre o disco de leve, parece um blues "espacial": "I carry madness/ Everywhere I go / Over a border/ And back to the snow".
Para "Mucky Fingers", parece que Noel gastou a voz a ponto de deixá-la irreconhecível, como John Lennon cantando "Twist And Shout" no Please Please Me. Resultado: sui generis, ficou rascante e mercurial como Bob Dylan. Se a voz lembra o cantor de "Just Like a Woman", a gaitinha entrega de vez. Já a letra sai martelada com a bateria insistente: "you get your mucky fingers burnt/ You get your truth or your lies you have learnt/ And all your plastic believers they leave us and they won't return".
"Lyla" bem que poderia se chamar algo como "Variações sobre "Street Fightin’Man", dos Stones. Até o pianinho no fim provoca uma furtiva lembrança. "Calling all the stars to fall/ And catch the silver sunlight in your hands/ Call for me to set me free/ Lift me up and take me where I stand. Já a moça da canção bem que poderia ser parente da musa inspiradora de "She’s a Rainbow". Não querendo usar a expressão clichê, a já a usando, é a típica faixa de "levantar estádio", como foram antes "The Hindu Times" ou "Go Let it Out. Em "Love Like a Bomb", uma espécie de valsa folk, a voz de Liam está diferente. Quem toca piano é Martin Duffy do Primal Scream.
Noel retorna em "The Importance of Being Idle", título que brinca com Oscar Wilde. A música varia tempos de fox-trote com bolero.
Obra-prima: um pequeno tratado sobre o ócio, de letra deliciosamente irônica: "me dê um tempo, todo homem tem limite, voc6e não consegue uma vida se seu coração não está nisso, não me importo, enquanto houver um leito sobre as estrelas que brilham, estarei bem". "The Meaning Of Soul", já conhecida dos que ouviram a apresentação do Oasis no Glastonbury em 2004, tenta ser um bluescore ou, nas palavras de Noel, "soa como Elvis cheio de crack. "Zak a tocou numa caixa de Weetos com duas colheres de madeira", diz o guitarrista. Para ele, seria Stooges tocando Elvis. Talvez seja Oasis mesmo. Descontando a furibunda harmonica no fim, inimaginável num disco do Oasis, até então.
"Part of The Queue", puro Noel Gallagher. Outra novidade de Don’t Believe The Truth, de sonoridade inusitada. É quase um duelo entre violão e bateria, outra diferente de tudo o que poderia ser taxado como Oasis. "Keep The Dream Alive", no entanto, é tão familiar quanto possa parecer. Lembra algum lado B da banda, daqueles que realmente não soam como lado B. Liam soa como o velho Liam de sempre. "A Bell Will Ring", que segundo Noel soa tão parecida com a fase "Revolver "dos Beatles que seria até possível emendá-la com "Paperback Writer". Senão, no fim, pegue o mote e cante você mesmo de memória: "Dear sir or madam will you read my book it took me years to write, will you take a look?"...
"Guess God Think I’m Abel" pode parecer como um chiste, ou um enigma. Liam usa a m,etáfora para pagar o preço por ser o irmão mais novo: "You could be my enemy/ I guess there's still time/ I get round to loving you/ Is that such a crime?". Já "Let There Be Love" poderia ser "Champagne Supernova", mas não é: até a coda provoca uma lembrança. Poderia ser uma outra "Stop Your Criyng Your Heart Out". Soa como uma daquelas baladonas do John Lennon carreira solo. Mas é melhor sendo ela mesma, e é ótima para terminar um disco. Como aconteceu em 2002, as faixas do novo disco também vazaram indiscriminadamente pela Internet afora.
A diferença é que, se antes, os usuários do Napster tiveram os seus acessos bloqueados, hoje isso se faz sem maiores problemas e deliberadamente. Não são poucos os blogs e sites que espocam pela rede com faixas. O curioso nisso tudo é que o mesmo Noel Gallagher que, à época, disse que isso tirava a "magia das músicas", hoje pensa diferente. Quer lançar o próximo álbum na rede. Mesmo distante dos tempos gloriosos de Deninitively Maybe (1994) e What’s The Story Morning Glory (1995), o Oasis fez um trabalho com luz própria. Comparações à parte podem ficar à cargo dos puristas de plantão. O resto é o bom e velho rock, ou o que ainda resta vivo dele. Mas Noel disse que, se criasse a sua obra-prima, o Oasis terminaria: quem não deve acreditar na verdade?
Gravado nos estúdios da Capitol em Los Angeles, por sugestão do produtor do disco, Dave Sady. De acordo com Noel, o material produzido até 2004 não apresentava qualidade suficiente para vir à luz. Resumo da ópera: o novo disco levou quase dois anos para "deslanchar", agora em sessões de gravação que contaram dois meses e meio.
Como no álbum anterior, Heathen Chemstry (2002), Don’t Believe The Truth abre o repertório à participação de seu irmão, Liam, mais Gem Archer e Andy Bell. Se antes Noel dizia : "I write the song that make the whole world sing". Agora ele mesmo admitiu, em entrevista à revista Q: "Ele [Liam] está em um estágio em que eu só me encontrei há vinte anos atrás, onde você escreve uma canção atrás da outra". Pode ser um elogio. Segundo ele, seu irmão havia apresentado cerca de vinte canções, das quais foram selecionados números como "Guess God Think I’m Able" e "Love Like a Bomb". Lógico, isso não significa dizer que o próprio Noel esteja entregando os pontos. A sua participação no disco, mais do que vital, demostra que ele e a banda definitivamente passou aquela fase de saber se está vivendo o primeiro dos seus anos de glória ou o fim de um curto período de genialidade, como no auge do Britpop. Mais do que tudo, Don’t Believe The Truth mostra o amadurecimento do Noel compositor. De longe, as canções dele valem os três anos de espera.
O ponto negativo para a imensa e inconsolável legião de fãs é a saída de Alan White. O que se espera, ao menos, é que o processo de downsizing a cada lançamento diminua — senão, Liam e Noel irão, inexoravelmente, fundar a sua solidão num duo estilo Everly Brothers...
Para muitos, o acréscimo de Zak Starkey tem a ver com o momento da banda, outros entendem que a sua sonoridade é limitada com relação ao seu antecessor. A avaliação sobre Zak pode ser precoce, mas o interessante em seu trabalho no disco é que, involuntariamente ou não, ele imprimiu um novo formato às canções. Se o velho logotipo voltou à capa, a sonoridade é menos padronizada do simbolismo "beatle" em favor de um teor mais híbrido nas faixas com relação à referências musicais. O próprio guitarrista aponta para um ecletismo lapidar, indo de Kinks a Dylan ou Elvis Presley, muito embora o objetivo do Oasis não seja montar um quebra-cabeça para os seus ouvintes. Até porque muitos deles talvez não saibam sequer quem é Ray Davies...
Apesar da diversidade tendências e influências, pelo menos é possível notar que eles encontraram um padrão dentro dos clichês que o próprio Oasis fomentou. Pelo menos, em termo de letra, se restaram incompreendidos nos últimos discos, eles provam que estão se superando a cada álbum. Longa da torrente de guitarras em profusão e da bateria heavy de Be Here Now (1997), Don’t Believe The Truth busca a medida estóica do rock, modulando entre canções mais acústicas e arranjos mais "cerebrais". Um exemplo é "Turn Up The Sun", composição de Andy Bell, que abre o disco de leve, parece um blues "espacial": "I carry madness/ Everywhere I go / Over a border/ And back to the snow".
Para "Mucky Fingers", parece que Noel gastou a voz a ponto de deixá-la irreconhecível, como John Lennon cantando "Twist And Shout" no Please Please Me. Resultado: sui generis, ficou rascante e mercurial como Bob Dylan. Se a voz lembra o cantor de "Just Like a Woman", a gaitinha entrega de vez. Já a letra sai martelada com a bateria insistente: "you get your mucky fingers burnt/ You get your truth or your lies you have learnt/ And all your plastic believers they leave us and they won't return".
"Lyla" bem que poderia se chamar algo como "Variações sobre "Street Fightin’Man", dos Stones. Até o pianinho no fim provoca uma furtiva lembrança. "Calling all the stars to fall/ And catch the silver sunlight in your hands/ Call for me to set me free/ Lift me up and take me where I stand. Já a moça da canção bem que poderia ser parente da musa inspiradora de "She’s a Rainbow". Não querendo usar a expressão clichê, a já a usando, é a típica faixa de "levantar estádio", como foram antes "The Hindu Times" ou "Go Let it Out. Em "Love Like a Bomb", uma espécie de valsa folk, a voz de Liam está diferente. Quem toca piano é Martin Duffy do Primal Scream.
Noel retorna em "The Importance of Being Idle", título que brinca com Oscar Wilde. A música varia tempos de fox-trote com bolero.
Obra-prima: um pequeno tratado sobre o ócio, de letra deliciosamente irônica: "me dê um tempo, todo homem tem limite, voc6e não consegue uma vida se seu coração não está nisso, não me importo, enquanto houver um leito sobre as estrelas que brilham, estarei bem". "The Meaning Of Soul", já conhecida dos que ouviram a apresentação do Oasis no Glastonbury em 2004, tenta ser um bluescore ou, nas palavras de Noel, "soa como Elvis cheio de crack. "Zak a tocou numa caixa de Weetos com duas colheres de madeira", diz o guitarrista. Para ele, seria Stooges tocando Elvis. Talvez seja Oasis mesmo. Descontando a furibunda harmonica no fim, inimaginável num disco do Oasis, até então.
"Part of The Queue", puro Noel Gallagher. Outra novidade de Don’t Believe The Truth, de sonoridade inusitada. É quase um duelo entre violão e bateria, outra diferente de tudo o que poderia ser taxado como Oasis. "Keep The Dream Alive", no entanto, é tão familiar quanto possa parecer. Lembra algum lado B da banda, daqueles que realmente não soam como lado B. Liam soa como o velho Liam de sempre. "A Bell Will Ring", que segundo Noel soa tão parecida com a fase "Revolver "dos Beatles que seria até possível emendá-la com "Paperback Writer". Senão, no fim, pegue o mote e cante você mesmo de memória: "Dear sir or madam will you read my book it took me years to write, will you take a look?"...
"Guess God Think I’m Abel" pode parecer como um chiste, ou um enigma. Liam usa a m,etáfora para pagar o preço por ser o irmão mais novo: "You could be my enemy/ I guess there's still time/ I get round to loving you/ Is that such a crime?". Já "Let There Be Love" poderia ser "Champagne Supernova", mas não é: até a coda provoca uma lembrança. Poderia ser uma outra "Stop Your Criyng Your Heart Out". Soa como uma daquelas baladonas do John Lennon carreira solo. Mas é melhor sendo ela mesma, e é ótima para terminar um disco. Como aconteceu em 2002, as faixas do novo disco também vazaram indiscriminadamente pela Internet afora.
A diferença é que, se antes, os usuários do Napster tiveram os seus acessos bloqueados, hoje isso se faz sem maiores problemas e deliberadamente. Não são poucos os blogs e sites que espocam pela rede com faixas. O curioso nisso tudo é que o mesmo Noel Gallagher que, à época, disse que isso tirava a "magia das músicas", hoje pensa diferente. Quer lançar o próximo álbum na rede. Mesmo distante dos tempos gloriosos de Deninitively Maybe (1994) e What’s The Story Morning Glory (1995), o Oasis fez um trabalho com luz própria. Comparações à parte podem ficar à cargo dos puristas de plantão. O resto é o bom e velho rock, ou o que ainda resta vivo dele. Mas Noel disse que, se criasse a sua obra-prima, o Oasis terminaria: quem não deve acreditar na verdade?
Piadas na Argentina
— Brasil x Argentina é o Tango da Morte Anunciada ou o Samba do Criolo Doido?
— Maradona virou tiete de Ronaldinho Gaúcho. Será que isso significa que os nossos negros são melhores que os brancos deles?
— Se Pelé é Rei e Maradona é Deus, o que sobra para Ronaldinho, Ronaldo e Robinho?
— Eles falam em Dream Team da Seleção Brasileira. Mas nós estamos desfalcados. Já pensou se o Grafite começa a partida?
— Depois que tiver uns 3 x 0 para o Brasil vai ter argentino pedindo substituição no Brasil ou asilo esportivo.
— Maradona virou tiete de Ronaldinho Gaúcho. Será que isso significa que os nossos negros são melhores que os brancos deles?
— Se Pelé é Rei e Maradona é Deus, o que sobra para Ronaldinho, Ronaldo e Robinho?
— Eles falam em Dream Team da Seleção Brasileira. Mas nós estamos desfalcados. Já pensou se o Grafite começa a partida?
— Depois que tiver uns 3 x 0 para o Brasil vai ter argentino pedindo substituição no Brasil ou asilo esportivo.
Friday, May 27, 2005
A Pena da galhofa e a tinta da melancolia
Vocês conhecem o Eduardo Bueno, o Peninha? Pois ele está lançando o livro 'Grêmio - Nada pode ser maior', pela Ediouro Publicações, com uma noite de autógrafos. Será no dia 1º de junho, às 19h, na Saraiva Mega Store, do Praia de Belas Shopping Center (Avenida Praia de Belas, 1181 - 2º piso).
Em 2004, o também escritor e jornalista, Luís Fernando Verissimo, havia lançado o seu, pelo mesmo projeto da Ediouro (Camisa 12), intitulado ‘Internacional – Autobiografia de uma Paixão’.
Quem ainda não leu nenhum deles, recomendo ambos. Sobre as duas obras, para quem sabe do despeito recíproco entre gremistas e colorados e a eterna rivalidade da dupla Gre-Nal, é
impossível não traçar paralelos entre ambos.
No caso do Luís Fernando, foi um ensaio onde ele pôs muito do elemento afetivo dele com o Inter, uma obra típica de um homem da índole e da idade do Verissimo. Uma crônica de saudades, mas também quase um necrológio. LFV faz uma narrativa proustiana: fala da confusão de nomes de sua avó e do lateral do Inter e do cheiro da grama dos Eucaliptos, e toda essa confusão de odores e de nomes é a sua recherche particular.
Tão proustiano quanto isso, está no ponto negativo onde ele é a prova da passagem do tempo. Mais que odores e nomes, é uma nostalgia maior que a paixão que brota das páginas do livro dele. Eu particularmente fiquei com a sensação de que o Inter é algo que passou para o Verissimo, o resto é um imenso e silencioso anti-clímax. Ele mesmo usa essa expressão: anti-clímax. Brinca que, s eo Ibnter ganhasse mais títulos, ele acabaria viciando demais. O Inter dele começou em 1946 e terminou em 1979, nos festejos do tri brasieiro. Um frio observador objetaria que o colorado não foi além disso depois daquele ano. Talvez a falta de ambição do clube (que não ganha títulos de expressão desde 1992, o que explica em parte a brevidade do ensaio) tenha afetado a paixão da sua autobiografia.
Já o Eduardo Bueno, que é um compilador de histórias nato, resolveu contra-atacar: quis fazer do livro uma cruzada um tanto sintomática, ainda mais pelo fato de que o clube dele está amargando uma doce e cálida segundona e, devido aos frouxos de riso de (quase) toda a crônica esportiva a respeito das peripécias do Grêmio nos últimos tempos, ele resolveu dar vazão ao seu estilo historiador gonzo e fazer um amálgama de grande reportagem entronizada à altura de mito. O que o intuitivo Peninha fez foi transformar todo o sentimento que os torcedores nutrem a respeito do Grêmio "copeiro", "cosmopolita", "peregrino", "viril", de "alma castelhana", enfim, todos os mitos fundadores do futebol gaúcho e fundiu tudo naquela tese furada, misturando alhos com bugalhos, usando naturalmente outros mitos, como o do cavalo no obelisco.
Mas se o Verissimo pôde fazer do seu livro uma espécie de acerto de contas com o Inter de suas memórias e saudades, o sintomático Eduardo Bueno resolveu fazer do seu volume uma blague, uma arrogante jihad contra tudo e contra todos. É a pena da galhofa do Peninha contra a tinta da melancolia do Verissimo. Nesse aspecto, ele foi mais autoral que o seu amigo tricolor. Tanto que muito da história do Inter cruza com a biografia do Luís Fernando, da avó que não jogava na lateral ao apelido de "mandarins" à patota do Aldo Dias Rosa, que tudo sabia, mas nada mandava e o antológico jantar com o Figueroa, regado à vinho tinto e à Pablo Neruda.
Sintomático porque o Peninha quis delimitar com perfeição a virtú gremista. Nada mais sintomático do que a primeira frase do livro: futebol-arte é coisa de veado. Parece que é preciso se posicionar sexualmente. Nesse caso, Mário Sérgio foi definido como "ex-bailarino". Futebol é feio, feíssimo, de muita retranca e bola quebrada numa partida ganha de um a zero embaixo da chuva (já nesse caso nunca o futebol gaúcho num foi tão macho quanto nos últimos tempos).
O Grêmio centauro, charrua, gaudério, etc, etc. O mito do Grêmio maragato, anti-imperial, farroupilha. Um Grêmio de literatura de cordel. O Grêmio é diferente porque é diferente, é Grêmio porque é o Grêmio, está na segundona porque é o Grêmio e a história não acabou porque só vai acabar como Grêmio no topo do mundo outra vez. Como se vê, e uma tese irrepreensível. O Eduardo Bueno, como marqueteiro e pseudo-cientista que é, fez justamente o jogo do leitor, entrou no pensamento da torcida, escreveu ali exatamente o que todos os gremistas pensam (e, de certa forma, o que o olhar estrangeiro também corrobora) . Se o Verissmo foi o cronista do Inter, Peninha foi o evangelista do Grêmio.
Pelo menos, a despeito da rivalidade clubística de ambos, em matéria de bola na trave, Peninha e Verissimo se equipararam. Este declarou a morte do glorioso Cruzeirinho de Porto Alegre. Não, Luís Fernando, o Cruzeiro existe, e estava disputando a segundona Gaúcha. Ele também não tinha certeza se o Inter teria recebido a vaga para o Brasileiro de 1979 do Juventude ou do Esportivo. Foi do Esportivo, Verissimo.
Já o Peninha, além de toda a barra que ele forçou no livro, ele conseguiu inventar que Elis Regina, era supostamente namorada do meio-campista do Grêmio Gessi Lima, havia defendido "uma canção de Edu Lobo" em 1968, no mesmo ano do hepta tricolor. Prá começar, ela defendeu "Arrastão", sim, mas foi no Festival de 1965. E quando o Grêmio foi campeão em 1968, Gessi não estava mais no Olímpico. A história entre ele e Elis (compilada de A História dos Gre-Nais) ocorreu muito, muito antes, nos áureos tempos da ‘pimentinha’ no Clube do Guri. Peninha explica a forçada de barra: segundo ele, é a "história do meu Grêmio, do que ele significa para mim".
Pelo menos, o Peninha ganhou o Gre-Nal (ou Gre-Pal) dos livros num aspecto. Acho que ele conseguiu aprender alguma coisa sobre futebol. Ou não: torcedor torcedor mesmo não torce para o time, torce pelo clube. Aquela história de dedicar o livro aos "volantes de contenção" é estulice. O Peninha não diferencia um centromédio de um ponta-esquerda. Mas o livro dele é excelente. Vale cada um dos trinta contos. E a torcida do Internacional, que certamente não gostou muito da forma debochada com que ele se referiu ao arqui-rival, já sabem: podem reclamar pessoalmente com ele, 1º de junho, às 19h, na Saraiva Mega Store, do Praia de Belas Shopping Center...
Em 2004, o também escritor e jornalista, Luís Fernando Verissimo, havia lançado o seu, pelo mesmo projeto da Ediouro (Camisa 12), intitulado ‘Internacional – Autobiografia de uma Paixão’.
Quem ainda não leu nenhum deles, recomendo ambos. Sobre as duas obras, para quem sabe do despeito recíproco entre gremistas e colorados e a eterna rivalidade da dupla Gre-Nal, é
impossível não traçar paralelos entre ambos.
No caso do Luís Fernando, foi um ensaio onde ele pôs muito do elemento afetivo dele com o Inter, uma obra típica de um homem da índole e da idade do Verissimo. Uma crônica de saudades, mas também quase um necrológio. LFV faz uma narrativa proustiana: fala da confusão de nomes de sua avó e do lateral do Inter e do cheiro da grama dos Eucaliptos, e toda essa confusão de odores e de nomes é a sua recherche particular.
Tão proustiano quanto isso, está no ponto negativo onde ele é a prova da passagem do tempo. Mais que odores e nomes, é uma nostalgia maior que a paixão que brota das páginas do livro dele. Eu particularmente fiquei com a sensação de que o Inter é algo que passou para o Verissimo, o resto é um imenso e silencioso anti-clímax. Ele mesmo usa essa expressão: anti-clímax. Brinca que, s eo Ibnter ganhasse mais títulos, ele acabaria viciando demais. O Inter dele começou em 1946 e terminou em 1979, nos festejos do tri brasieiro. Um frio observador objetaria que o colorado não foi além disso depois daquele ano. Talvez a falta de ambição do clube (que não ganha títulos de expressão desde 1992, o que explica em parte a brevidade do ensaio) tenha afetado a paixão da sua autobiografia.
Já o Eduardo Bueno, que é um compilador de histórias nato, resolveu contra-atacar: quis fazer do livro uma cruzada um tanto sintomática, ainda mais pelo fato de que o clube dele está amargando uma doce e cálida segundona e, devido aos frouxos de riso de (quase) toda a crônica esportiva a respeito das peripécias do Grêmio nos últimos tempos, ele resolveu dar vazão ao seu estilo historiador gonzo e fazer um amálgama de grande reportagem entronizada à altura de mito. O que o intuitivo Peninha fez foi transformar todo o sentimento que os torcedores nutrem a respeito do Grêmio "copeiro", "cosmopolita", "peregrino", "viril", de "alma castelhana", enfim, todos os mitos fundadores do futebol gaúcho e fundiu tudo naquela tese furada, misturando alhos com bugalhos, usando naturalmente outros mitos, como o do cavalo no obelisco.
Mas se o Verissimo pôde fazer do seu livro uma espécie de acerto de contas com o Inter de suas memórias e saudades, o sintomático Eduardo Bueno resolveu fazer do seu volume uma blague, uma arrogante jihad contra tudo e contra todos. É a pena da galhofa do Peninha contra a tinta da melancolia do Verissimo. Nesse aspecto, ele foi mais autoral que o seu amigo tricolor. Tanto que muito da história do Inter cruza com a biografia do Luís Fernando, da avó que não jogava na lateral ao apelido de "mandarins" à patota do Aldo Dias Rosa, que tudo sabia, mas nada mandava e o antológico jantar com o Figueroa, regado à vinho tinto e à Pablo Neruda.
Sintomático porque o Peninha quis delimitar com perfeição a virtú gremista. Nada mais sintomático do que a primeira frase do livro: futebol-arte é coisa de veado. Parece que é preciso se posicionar sexualmente. Nesse caso, Mário Sérgio foi definido como "ex-bailarino". Futebol é feio, feíssimo, de muita retranca e bola quebrada numa partida ganha de um a zero embaixo da chuva (já nesse caso nunca o futebol gaúcho num foi tão macho quanto nos últimos tempos).
O Grêmio centauro, charrua, gaudério, etc, etc. O mito do Grêmio maragato, anti-imperial, farroupilha. Um Grêmio de literatura de cordel. O Grêmio é diferente porque é diferente, é Grêmio porque é o Grêmio, está na segundona porque é o Grêmio e a história não acabou porque só vai acabar como Grêmio no topo do mundo outra vez. Como se vê, e uma tese irrepreensível. O Eduardo Bueno, como marqueteiro e pseudo-cientista que é, fez justamente o jogo do leitor, entrou no pensamento da torcida, escreveu ali exatamente o que todos os gremistas pensam (e, de certa forma, o que o olhar estrangeiro também corrobora) . Se o Verissmo foi o cronista do Inter, Peninha foi o evangelista do Grêmio.
Pelo menos, a despeito da rivalidade clubística de ambos, em matéria de bola na trave, Peninha e Verissimo se equipararam. Este declarou a morte do glorioso Cruzeirinho de Porto Alegre. Não, Luís Fernando, o Cruzeiro existe, e estava disputando a segundona Gaúcha. Ele também não tinha certeza se o Inter teria recebido a vaga para o Brasileiro de 1979 do Juventude ou do Esportivo. Foi do Esportivo, Verissimo.
Já o Peninha, além de toda a barra que ele forçou no livro, ele conseguiu inventar que Elis Regina, era supostamente namorada do meio-campista do Grêmio Gessi Lima, havia defendido "uma canção de Edu Lobo" em 1968, no mesmo ano do hepta tricolor. Prá começar, ela defendeu "Arrastão", sim, mas foi no Festival de 1965. E quando o Grêmio foi campeão em 1968, Gessi não estava mais no Olímpico. A história entre ele e Elis (compilada de A História dos Gre-Nais) ocorreu muito, muito antes, nos áureos tempos da ‘pimentinha’ no Clube do Guri. Peninha explica a forçada de barra: segundo ele, é a "história do meu Grêmio, do que ele significa para mim".
Pelo menos, o Peninha ganhou o Gre-Nal (ou Gre-Pal) dos livros num aspecto. Acho que ele conseguiu aprender alguma coisa sobre futebol. Ou não: torcedor torcedor mesmo não torce para o time, torce pelo clube. Aquela história de dedicar o livro aos "volantes de contenção" é estulice. O Peninha não diferencia um centromédio de um ponta-esquerda. Mas o livro dele é excelente. Vale cada um dos trinta contos. E a torcida do Internacional, que certamente não gostou muito da forma debochada com que ele se referiu ao arqui-rival, já sabem: podem reclamar pessoalmente com ele, 1º de junho, às 19h, na Saraiva Mega Store, do Praia de Belas Shopping Center...
Não gosto de cinema, porém...
Para quem não viu "A Vingança dos Sith", o ingresso vale o desempenho nde Ewan McGregor imitando os trejeitos do Alec Guiness do Episódio IV. Cavaleiro Jedi com sotaque britânico é o que há de anacrônico na série. Sem falar dos bombardeios intergaláticos no váculo. O curioso é comprarar as suas trilogias e perceber que existe uma diferença estética do que se pensava como ficção científica - um ambiente hospitalar nos interiores na primeira trilogia - para a estética barroca, apocalítica, quase rococó.
Mas vamos ao que interessa. "Star Wars" é mitologia pura. a despeito do que todos enxergam sobre efeitos especiais, a história remonta à mitos antigos. Como no ciclo arturiano do Graal, toda a história gira em torno do mundo da Távola redonda, e Artur não é o personagem principal sempre, mas é é o central. Como Anakin/Vader, a história começa com ele e termina com ele. Pura mitologia levada às telas numa roupagem tecnológica.É uma saga, isto é, a história de uma genealogia, com um fundo de tragédia, a degeneração do caráter de um homem escolhido como o maior, o escolhido, e a sua redenção pelo filho, através do Édipo, do complexo.
O filho mata o pai, e o pai morre porque o único que poderia matá-lo era o filho. Ele fez cumprir o destino (moira) que lhe erra fadado desde o começo.Além do mais, a história da primeira trilogia (a parte de Uma Nova Esperança) é adaptado de "A Fortaleza Escondida", de Akira Kurosawa, onde um guerreiro leva secretamente uma princesa por um território inimigo até o seu país.A catarse dos fãs de Star Wars é a catarse do espectador em desvendar as tragédias da saga, a anunciação do escolhido, a queda de anakin e a redenção pela vitória do filho sobre o pai."A Vingança dos Sith" é trágico. Anakin/Vader é trágico. O herói trágico é, segundo o Voltaire Schilling (que também escreveu sobre o tema embora acredito que não goste muito de Star Wars), uma figura radiante, um vencedor que está no esplendor da vida, usufruindo dos feitos das suas armas, envolto numa auréola de glória quando, repentinamente, vê-se vítima de uma alteração brusca do destino.
Um acontecimento sensacional, terrível, sufoca as suas alegrias, conduzindo-o à desgraça, arremessando-o ao mundo das sombras.Anakin é a tragédia da fraqueza., Ele cai em desgraça porque tem medo, e sabe disso. Tem medo de perder sua concubina (Padmé) e se entrega com resignação como vassalo do Imperador. "Para poder-se dizer que um espetáculo é uma tragédia é preciso que ele apresente certas características facilmente identificadas pelo público", diz Schilling. "Em primeiríssimo lugar, deve revelar a dignidade da queda. O herói é sempre uma figura reconhecidamente grande, importante, que consegue manter a integridade moral quando as coisas desandam ao seu redor". O seu halo trágico reside na magnitude da queda.
Ele cai de "um mundo de segurança e felicidade, que se vê ilusório, para as mais profundas das misérias". Anakin resigna-se em sua descida, e curiosamente, Vader nasce junto com a sua prole. O que emerge da luta quase parental entre Obi-wan e Anakin é o ser despedaçado que anaquila a sua personalidade recalcada pela figura sanguinolenta de Darth Vader, um bandoleiro do espaço, facínora, infanticida e poderosamente covarde.A tragédia não é o Fado, mas sim a falta de solução. Não há outra saída do que aqueladeterminada pelos acontecimentos que vão se descortinando frente ao herói. Anakin sabe que vai perder sua mulher, como perdeu a mãe, e Padmé era o equivalente emocional de sua figura parental. Perdê-la significaria o fim absoluto. Vader é a morte quase absoluta desse herói original, que não morre por completo porque, como disse Aristóteles na Poética, o personagem trágico não é nem demasiadamentebom, nem mau.
Tanto que a parcela do homem anterior que preexistiu à Vader é aquele que não pôde matar o próprio filho. Qui-Gon estava certo quando disse que Anakin iria trazer equilíbrio à Força porque de sua própria descendência nasceria aquele que seria capaz e tão somente capaz de vencê-lo. Não haveria o filho sem o pai.O Jedi, por sua vez, é o protótipo do homem estóico. Anakin era tinha o poder mas era passional demais. A mesma doutrina estóica explicava todo o dano que a paixão humana provocava e (seguindo o Voltaire) o desespero que acomete aqueles que se deixam guiar por elas ao não saberem impor limites ao ardores do coração, submetendo-o aos poderes da lógica.
O resto é ficção-científica.
Mas vamos ao que interessa. "Star Wars" é mitologia pura. a despeito do que todos enxergam sobre efeitos especiais, a história remonta à mitos antigos. Como no ciclo arturiano do Graal, toda a história gira em torno do mundo da Távola redonda, e Artur não é o personagem principal sempre, mas é é o central. Como Anakin/Vader, a história começa com ele e termina com ele. Pura mitologia levada às telas numa roupagem tecnológica.É uma saga, isto é, a história de uma genealogia, com um fundo de tragédia, a degeneração do caráter de um homem escolhido como o maior, o escolhido, e a sua redenção pelo filho, através do Édipo, do complexo.
O filho mata o pai, e o pai morre porque o único que poderia matá-lo era o filho. Ele fez cumprir o destino (moira) que lhe erra fadado desde o começo.Além do mais, a história da primeira trilogia (a parte de Uma Nova Esperança) é adaptado de "A Fortaleza Escondida", de Akira Kurosawa, onde um guerreiro leva secretamente uma princesa por um território inimigo até o seu país.A catarse dos fãs de Star Wars é a catarse do espectador em desvendar as tragédias da saga, a anunciação do escolhido, a queda de anakin e a redenção pela vitória do filho sobre o pai."A Vingança dos Sith" é trágico. Anakin/Vader é trágico. O herói trágico é, segundo o Voltaire Schilling (que também escreveu sobre o tema embora acredito que não goste muito de Star Wars), uma figura radiante, um vencedor que está no esplendor da vida, usufruindo dos feitos das suas armas, envolto numa auréola de glória quando, repentinamente, vê-se vítima de uma alteração brusca do destino.
Um acontecimento sensacional, terrível, sufoca as suas alegrias, conduzindo-o à desgraça, arremessando-o ao mundo das sombras.Anakin é a tragédia da fraqueza., Ele cai em desgraça porque tem medo, e sabe disso. Tem medo de perder sua concubina (Padmé) e se entrega com resignação como vassalo do Imperador. "Para poder-se dizer que um espetáculo é uma tragédia é preciso que ele apresente certas características facilmente identificadas pelo público", diz Schilling. "Em primeiríssimo lugar, deve revelar a dignidade da queda. O herói é sempre uma figura reconhecidamente grande, importante, que consegue manter a integridade moral quando as coisas desandam ao seu redor". O seu halo trágico reside na magnitude da queda.
Ele cai de "um mundo de segurança e felicidade, que se vê ilusório, para as mais profundas das misérias". Anakin resigna-se em sua descida, e curiosamente, Vader nasce junto com a sua prole. O que emerge da luta quase parental entre Obi-wan e Anakin é o ser despedaçado que anaquila a sua personalidade recalcada pela figura sanguinolenta de Darth Vader, um bandoleiro do espaço, facínora, infanticida e poderosamente covarde.A tragédia não é o Fado, mas sim a falta de solução. Não há outra saída do que aqueladeterminada pelos acontecimentos que vão se descortinando frente ao herói. Anakin sabe que vai perder sua mulher, como perdeu a mãe, e Padmé era o equivalente emocional de sua figura parental. Perdê-la significaria o fim absoluto. Vader é a morte quase absoluta desse herói original, que não morre por completo porque, como disse Aristóteles na Poética, o personagem trágico não é nem demasiadamentebom, nem mau.
Tanto que a parcela do homem anterior que preexistiu à Vader é aquele que não pôde matar o próprio filho. Qui-Gon estava certo quando disse que Anakin iria trazer equilíbrio à Força porque de sua própria descendência nasceria aquele que seria capaz e tão somente capaz de vencê-lo. Não haveria o filho sem o pai.O Jedi, por sua vez, é o protótipo do homem estóico. Anakin era tinha o poder mas era passional demais. A mesma doutrina estóica explicava todo o dano que a paixão humana provocava e (seguindo o Voltaire) o desespero que acomete aqueles que se deixam guiar por elas ao não saberem impor limites ao ardores do coração, submetendo-o aos poderes da lógica.
O resto é ficção-científica.
Wednesday, May 04, 2005
Sinto falta do Obino
Este ano teríamos ouvidos estas pérolas se Obino ainda fosse o presidente:
– "Temos um Leão no buraco do amor", sobre a contratação de Hugo de León.
– "Temos o uniforme mais bonito do mundo e o melhor saite do Brasil".
– "O Escalona vai ajudar o Grêmio nesta escalada que é a segunda divisão", quando da contratação do lateral esquerdo chileno.
– "O Ânderson é um patrimônio do Grêmio, só vendemos com o consentimento do conselho", depois acontece o mesmo que aconteceu com o Luís Mário, o Marinho, o Adriano, o Fábio Baiano e outros que foram embora e o Grêmio não viu nem um tostão. Não falo no Ronaldinho porque era outro o presidente.
– "O nosso centroavante é o Nigéria (Somália) e não falamos mais nisso", na sua mania de trocar os nomes dos jogadores.
– "Vamos de Brigadianos para cima deles", ao confundir a dupla Pedro (Júnior) e Paulo (Ramos).
– "Temos um Leão no buraco do amor", sobre a contratação de Hugo de León.
– "Temos o uniforme mais bonito do mundo e o melhor saite do Brasil".
– "O Escalona vai ajudar o Grêmio nesta escalada que é a segunda divisão", quando da contratação do lateral esquerdo chileno.
– "O Ânderson é um patrimônio do Grêmio, só vendemos com o consentimento do conselho", depois acontece o mesmo que aconteceu com o Luís Mário, o Marinho, o Adriano, o Fábio Baiano e outros que foram embora e o Grêmio não viu nem um tostão. Não falo no Ronaldinho porque era outro o presidente.
– "O nosso centroavante é o Nigéria (Somália) e não falamos mais nisso", na sua mania de trocar os nomes dos jogadores.
– "Vamos de Brigadianos para cima deles", ao confundir a dupla Pedro (Júnior) e Paulo (Ramos).
Wednesday, April 27, 2005
Troféu Maria Antonieta
Me lembro quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso disse que aposentado era vagabundo. Claro que ele não disse que aposentado era vagabundo, mas sim que, quem se aposentava sem motivo aparente, seria uma espécie de vagabundo. Não sei se foi isso bem o que ele quis dizer, claro, mas todo mundo entendeu que aposentadoria era coisa de vagabundo, era uma espécie de blague aos prontos da terceira idade. Foi um vagabundo carinhoso.
E as pessoas não entenderam o que o presidente quis dizer, em sua briosa e furibunda catilinária contra a vagabundagem. A frase, a despeito do seu real significado, ganhou merecidamente o troféu Maria Antonieta de declaração mais infeliz da década. Mas o que os idiotas da objetividade não entenderam foi que ele disse apenas isto: para quê se aposentar se você pode morrer trabalhando? Falou a voz da experiência. Afinal, ele era senador da República. Um senador pode morrer trabalhando dignamente — embora ganhando muito mal, como todos.
Claro que eu não me preocupei com essa potoca. Afinal quando FH proferiu esta libelo ao trabalho, eu eu era um pobre e imberbe estagiário gauche na vida, vivendo numa maré de mijo inominável e interminável: desempregado, na rua da amargura, vivendo de despejo em despejo, descornado, sem dinheiro e com o meu time caindo pelas tabelas. Logo, não iria me preocupar com essa polêmica: afinal, havia muito ainda o que correr de vaga em vaga até conseguir — quem sabe um dia — um emprego estável, uma vida digna com uma mulher bela, simpática, afável, caseira, com filhos ao colo e — é claro — um troféu no armário.
O tempo passou, e o presidente hoje é outro. Esta semana, ele resolveu também concorrer ao Troféu Maria Antonieta. Disse: "o brasileiro não levanta o traseiro do banco ou da cadeira para buscar um banco mais barato". O presidente está certo! Esta é uma pátria de vagabundos! Não querem achar o banco mais barato, querem se aposentar antes do tempo. Vocês não têm, vergonha, seus vagabundos! As armas, cidadões! O que importa não é o que o País pode fazer por nós,mas sim o que nós podemos fazer pelo País! Quem for brasileiro que me siga! Eu continuo desempregado, na rua da amargura, vivendo de despejo em despejo, sem dinheiro, descornado — embora o meu time tenha se classificado para a segunda fase da Emídio Perondi, atrás do Guarani.
Mas não tem problema, não! O Lula tá certo! Tem mais é que tirar o traseiro do banco! Onde já se viu, bando de vagabundo! Eu não tenho dinheiro, mau cartão foi cancelado, estou devendo uma frota de táxi em dinheiro para cobrir o buraco da conta corrente, mas se ninguém quer mudar o Brasil, eu quero! Fora Banrisul! Bank Of Boston, aqui vou eu!
E as pessoas não entenderam o que o presidente quis dizer, em sua briosa e furibunda catilinária contra a vagabundagem. A frase, a despeito do seu real significado, ganhou merecidamente o troféu Maria Antonieta de declaração mais infeliz da década. Mas o que os idiotas da objetividade não entenderam foi que ele disse apenas isto: para quê se aposentar se você pode morrer trabalhando? Falou a voz da experiência. Afinal, ele era senador da República. Um senador pode morrer trabalhando dignamente — embora ganhando muito mal, como todos.
Claro que eu não me preocupei com essa potoca. Afinal quando FH proferiu esta libelo ao trabalho, eu eu era um pobre e imberbe estagiário gauche na vida, vivendo numa maré de mijo inominável e interminável: desempregado, na rua da amargura, vivendo de despejo em despejo, descornado, sem dinheiro e com o meu time caindo pelas tabelas. Logo, não iria me preocupar com essa polêmica: afinal, havia muito ainda o que correr de vaga em vaga até conseguir — quem sabe um dia — um emprego estável, uma vida digna com uma mulher bela, simpática, afável, caseira, com filhos ao colo e — é claro — um troféu no armário.
O tempo passou, e o presidente hoje é outro. Esta semana, ele resolveu também concorrer ao Troféu Maria Antonieta. Disse: "o brasileiro não levanta o traseiro do banco ou da cadeira para buscar um banco mais barato". O presidente está certo! Esta é uma pátria de vagabundos! Não querem achar o banco mais barato, querem se aposentar antes do tempo. Vocês não têm, vergonha, seus vagabundos! As armas, cidadões! O que importa não é o que o País pode fazer por nós,mas sim o que nós podemos fazer pelo País! Quem for brasileiro que me siga! Eu continuo desempregado, na rua da amargura, vivendo de despejo em despejo, sem dinheiro, descornado — embora o meu time tenha se classificado para a segunda fase da Emídio Perondi, atrás do Guarani.
Mas não tem problema, não! O Lula tá certo! Tem mais é que tirar o traseiro do banco! Onde já se viu, bando de vagabundo! Eu não tenho dinheiro, mau cartão foi cancelado, estou devendo uma frota de táxi em dinheiro para cobrir o buraco da conta corrente, mas se ninguém quer mudar o Brasil, eu quero! Fora Banrisul! Bank Of Boston, aqui vou eu!
Tuesday, April 12, 2005
Diferenças entre os continentes
Na América, mais precisamente no Brasil, se comemora o nascimento do filho do Luciano Huck e da Angélica, além da gravidez da Cicarelli, que parece estar esperando o Mc Donalds, o irmão do Ronald, ambos filhos do Ronalducho. E na Europa só se ouve falar em mortes. Primeiro foi o Papa que abotuou, depois o "Príncipe Encantado" de Mônaco, que papou uma atriz belíssima de Hollyhood, a Grace Kelly, e o pai dela, quer dizer, mordeu o bolso do velho Kelly e conseguiu um dote de milhares de dólares para salvar o principado. Como já dizia Mel Brooks: "It's good to be The King". E tem o outro príncipe, que não morreu, mas era como se tivesse morrido. O tal Charles casou com a mulher mais feia da Inglaterra, depois da esposa do Nigel Mansel segundo Nélson Piquet, que nem a Rainha quis comparecer ao casamento. E para completar, Charles resolveu ir para a Escócia para poder usar saias. Acho que o marido é ela!!
Friday, April 08, 2005
PPP* I: O bêbado da Caixa
(* Pérolas da Publicidade e Propaganda)
Sensacional o comercial da caixa. Sério. Quer coisa melhor do que um coroa que se transforma que nem a Mulher-Maravilha e ainda por cima, numa típica atitude cachaceira enxerga dois gerentes e ainda estende a mão pra cumprimentar o errado?
Fala séééééééééério.
Sensacional o comercial da caixa. Sério. Quer coisa melhor do que um coroa que se transforma que nem a Mulher-Maravilha e ainda por cima, numa típica atitude cachaceira enxerga dois gerentes e ainda estende a mão pra cumprimentar o errado?
Fala séééééééééério.
Thursday, April 07, 2005
Michael Jackson, o papa
Dizem em bocas miúdas em LA que Michael Jackson viajará para Roma nos próximos dias. Além de assistir ao enterro de João Paulo II, o astro pop quer participar das eleições para ser candidato a papa. Ele já tem até o slogan da campanha: "Deixar vir a mim os pequeninos". Será o Papa das crianças e o primeiro papa transgênico do mundo.
Outros papáveis:
Lula – é candidato mas não é católico, segundo o cardeal.
Miss Graziele BBB – É papável e apalpável. O BBB significa Bunda Bela e Boa.
Rubinho – É candidato mas deve chegar em segundo.
Humberto Gessinger – Tive que colocar o nome dele por exigência do Rafael Sirangelo. Ele que explique.
Dado Dolabela – Esse já é papa, papa todas as atrizes da globo.
Rafael Rossatto (Ex-BoB) – Ele quer papar todas mas ainda é aprendiz.
Outros papáveis:
Lula – é candidato mas não é católico, segundo o cardeal.
Miss Graziele BBB – É papável e apalpável. O BBB significa Bunda Bela e Boa.
Rubinho – É candidato mas deve chegar em segundo.
Humberto Gessinger – Tive que colocar o nome dele por exigência do Rafael Sirangelo. Ele que explique.
Dado Dolabela – Esse já é papa, papa todas as atrizes da globo.
Rafael Rossatto (Ex-BoB) – Ele quer papar todas mas ainda é aprendiz.
Ladrões que roubam ladrões
Ainda não descobriram quem levou os laptops dos deputados gaúchos de dentro da Assembléia Legislativa, mas é certo que eles já foram perdoados pela população. Agora cada deputado tem que repor o equipamento perdido já que a seguradora não quer pagar porque não há sinais de arrombamento nas salas oficiais. As seguradoras pensam o que todo mundo pensa, que os deputados foram roubados por eles mesmos. Eles vão tirar em torno de seis mil reais do bolso para substituir as peças roubadas, nada que não se recupere na próxima chamada extra do governador Rizzoto (outro que está assaltando os bolsos da população). Ah! Todos os andares da AL têm câmera de segurança e nada foi visto de suspeito. Só falta serem os fotógrafos de Caxias.
Wednesday, April 06, 2005
A verdadeira causa mortis do Papa
João Paulo II, o Karol Wojtila, não morreu de infecção generalizada. A causa mortis foi outra, diagnosticada em Porto Alegre e publicada no site do Grêmio. Ele morreu de desgosto com o time do De León. Teria dito no leito de morte: "O Papa é gaúcho mas não é trouxa!"
Inclusive nas catacumbas do Vaticano comenta-se à boca miúda que a música que será tocada durante o enterro do nosso sofrido (por ser gremista) Papa é aquele sambinha-chiclete "Karol, Karol, Karol, Karooooool...."
Inclusive nas catacumbas do Vaticano comenta-se à boca miúda que a música que será tocada durante o enterro do nosso sofrido (por ser gremista) Papa é aquele sambinha-chiclete "Karol, Karol, Karol, Karooooool...."
Pato Macho: O Início
Estamos iniciando os trabalhos, seja bem-vinda (pq de macho já bastam os autores) ao nosso cantinho virtual, bem empoeirado - ou seria empoleirado?
Quack!
Quack!
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