Monday, October 31, 2005
Caos no Cartoon Network
Morreu o jovem Dexter e sua irmã Didi. Eles pegaram a gripe aviária. O culpado já foi encontrado e sacrificado. Ele era o jovem e perturbado Frango. Também foi sacrificada a sua irmã, a Vaca, que estava com aftosa. Por via das dúvidas, a ovelha, o cão covarde, o macaco Babão, a doninha Máximo e outros animais com menor conhecimento também foram sacrificados. Parece que tudo foi ordem do Macaco Louco, mas há quem acredite que seja uma obra do Professor, o pai das meninas Superpoderosas. Não se surpreenda se você só ver reprises daqui para adiante se colocar nesse canal.
Monday, October 24, 2005
Novo Referendo
Proponho um novo Referendo, bem simples, com apenas "Sim" ou "Não" como resposta:
"Você é à favor de correr à bala todos os atores da Globo?"
Proponho inclusive um campeonato de tiro ao alvo, sendo que quem acertar a Regina Casé ganha um bônus especial.
"Você é à favor de correr à bala todos os atores da Globo?"
Proponho inclusive um campeonato de tiro ao alvo, sendo que quem acertar a Regina Casé ganha um bônus especial.
Wednesday, October 19, 2005
Reclame
Passagem de ônibus para o Beira-Rio: R$ 1,75
Camisa oficial do Inter: R$149,90
Ingresso de cambista filha da p*** para o jogo do Inter R$55,00
Encher a cabeça de cerveja no Mac Áurio: R$ 50,00
Fitinha "EI, ZVEITER, VAI TOMAR CAJU"R$10,00
Ver o Fernandão fazer um gol aos 48 minutos do segundo tempo e deixar os bambis castelhanos chorando com a derrota e a expulsão do Rato Abondanzieri, NÃO TEM PREÇO.
Camisa oficial do Inter: R$149,90
Ingresso de cambista filha da p*** para o jogo do Inter R$55,00
Encher a cabeça de cerveja no Mac Áurio: R$ 50,00
Fitinha "EI, ZVEITER, VAI TOMAR CAJU"R$10,00
Ver o Fernandão fazer um gol aos 48 minutos do segundo tempo e deixar os bambis castelhanos chorando com a derrota e a expulsão do Rato Abondanzieri, NÃO TEM PREÇO.
Tuesday, October 04, 2005
Pode acontecer com você!
Recebi um e-mail de um amigo a respeito de um novo golpe na praça... Muito cuidado ao parar nos semáforos onde se apresentam aqueles malabaristas com fogo. Enquanto o pobre e distraído motorista está feliz assistindo a curiosa apresentação mambembe, um outro malabarista vem por trás do carro e arremessa um coquetel molotov no capô.
Com o carro em chamas, o motorista sai correndo desesperado e nesse momento vem um terceiro malabarista e joga um bugio adestrado dentro do seu carro, vestido com uma roupa anti-chamas desenvolvida pela NASA para a Guerra do Golfo e alimentado com Red Bull e Pastelina. Esse macaquinho rouba o som e o que mais tiver dentro do automóvel. Depois disso, dois Pterodátilos com integrantes da Camisa 12 rodando e fazendo rasantes pela esquina, fazendo salamaleques e atirando pulseirinhas Alma Colorada nos transeuntes, para distrair a assistência. Eis que, de repente, uma trupe de militantes do P-Sol aparecem do nada fazendo palavras de ordem e berrando: ÃO ÃO ÃO, EU QUERO MENSALÃO! Nisso, aparecem ursos panda num patinete motorizado verde musgo da marca Agrale e todos fogem cantando, "Poeiraaaaaaaaaaaa. Poeiraaaaaaaaaaaaaa, poeiraaaaaaaaaa, levantou poeeeeeiraaaaaaaaaaaaaa" da Ivete Sangalo rumo a outro semáforo.
Muito cuidado! Não custa nada avisar aos amigos.
Com o carro em chamas, o motorista sai correndo desesperado e nesse momento vem um terceiro malabarista e joga um bugio adestrado dentro do seu carro, vestido com uma roupa anti-chamas desenvolvida pela NASA para a Guerra do Golfo e alimentado com Red Bull e Pastelina. Esse macaquinho rouba o som e o que mais tiver dentro do automóvel. Depois disso, dois Pterodátilos com integrantes da Camisa 12 rodando e fazendo rasantes pela esquina, fazendo salamaleques e atirando pulseirinhas Alma Colorada nos transeuntes, para distrair a assistência. Eis que, de repente, uma trupe de militantes do P-Sol aparecem do nada fazendo palavras de ordem e berrando: ÃO ÃO ÃO, EU QUERO MENSALÃO! Nisso, aparecem ursos panda num patinete motorizado verde musgo da marca Agrale e todos fogem cantando, "Poeiraaaaaaaaaaaa. Poeiraaaaaaaaaaaaaa, poeiraaaaaaaaaa, levantou poeeeeeiraaaaaaaaaaaaaa" da Ivete Sangalo rumo a outro semáforo.
Muito cuidado! Não custa nada avisar aos amigos.
Thursday, September 29, 2005
Está no Dicionário Houaiss
Esta eu descobri por acaso:
ALONSO. adj., s. m. 1. parvo, tolo, pateta. 2. Que ou aquele que age ou atua muito devagar, sem pressa.
Imagina então se o espanhol da Fórmula 1 fosse esperto e agisse com pressa! Enquanto isso, o sapateiro alemão tem desfilado bem atrás, com cuidado pra não quebrar o salto alto!
ALONSO. adj., s. m. 1. parvo, tolo, pateta. 2. Que ou aquele que age ou atua muito devagar, sem pressa.
Imagina então se o espanhol da Fórmula 1 fosse esperto e agisse com pressa! Enquanto isso, o sapateiro alemão tem desfilado bem atrás, com cuidado pra não quebrar o salto alto!
Wednesday, September 28, 2005
Telefonema
- O golpe é Botafogo e São Paulo!
- Aposto meus carros e a minha mãe no Fogão!
- Porra! Só na base do mexe.
- Eu quero zebra. Todo mundo vai botar coluna 2!
- Vou amarelar todo o ataque. Não tem prá ninguém! Se não der, eu expulso o frangueiro do Ceni e até o Guilherme Muro faz gol!
- Porra, cara, tô decepcionado contigo. Achei que tu fosse ser meu amigo e perjudicar (sic) o Mengão...
- O Flamengo eu gasto o dinheiro na véspera. Na véspera! Cai, com certeza!
- É o seguinte: tô achando que tu tá amarelando na horas de fazer cartão.
- Que nada! Eu não posso escancarar. Sou profissional!
- Aqui, ó: Vasco e Palmeiras. Precisa mexer?
- Que garantia eu tenho? O Vascão é tão ruim que o Portaluppi fardado entra e joga!
- Não seja pessimista.
- Pessimista? E aquele Santos e Paysandu que tu me prometeu?
- É zebra na certa!
- Pô, cara, eu tô levando fé em ti, e tu vem com brincadeira?
- Imagina, velhinho, eu também tô nessa, fui dar uma de corporativista, e me ferrei! Eu já não confio nem em mim mesmo!
- Então me ajuda, porra! Tô vendendo a minha alma nessa porcaria bem feia. Cruzeiro e Juventude?
- Cara, a papada, com o Lazzaroni não dobra a esquina da Matteo Gianella. Raposa, certo! Tô fazendo vibrações positivas.
- Goiás e Ponte?
- Precisa dizer? Goiás. Ponte na descendente.
- Paraná e Coxa.
- Putz, clássico é bucha. Coluna do meio!
- Paysandu e Figueira, Figueira?
- Acho que rola um mexe...
- Não me interessa esse jogo!
- Bom.
- Timão versus Tio Jejão?
- Corínthians. Não é preciso metereologista para saber para que lado sopra o vento.
- Inter e Flu?
- Bem mexidinho, dá Flu!
- Mas eu quero que tu faça Santos e Paysandu. Faz mexe para o Paysandu vencer. Aposto minha casa e minha frota nessa partida!
- Porra, cara, tá me tirando? Eu sou um reles e honesto pai de santo, não sou juiz de futebol!
- Aposto meus carros e a minha mãe no Fogão!
- Porra! Só na base do mexe.
- Eu quero zebra. Todo mundo vai botar coluna 2!
- Vou amarelar todo o ataque. Não tem prá ninguém! Se não der, eu expulso o frangueiro do Ceni e até o Guilherme Muro faz gol!
- Porra, cara, tô decepcionado contigo. Achei que tu fosse ser meu amigo e perjudicar (sic) o Mengão...
- O Flamengo eu gasto o dinheiro na véspera. Na véspera! Cai, com certeza!
- É o seguinte: tô achando que tu tá amarelando na horas de fazer cartão.
- Que nada! Eu não posso escancarar. Sou profissional!
- Aqui, ó: Vasco e Palmeiras. Precisa mexer?
- Que garantia eu tenho? O Vascão é tão ruim que o Portaluppi fardado entra e joga!
- Não seja pessimista.
- Pessimista? E aquele Santos e Paysandu que tu me prometeu?
- É zebra na certa!
- Pô, cara, eu tô levando fé em ti, e tu vem com brincadeira?
- Imagina, velhinho, eu também tô nessa, fui dar uma de corporativista, e me ferrei! Eu já não confio nem em mim mesmo!
- Então me ajuda, porra! Tô vendendo a minha alma nessa porcaria bem feia. Cruzeiro e Juventude?
- Cara, a papada, com o Lazzaroni não dobra a esquina da Matteo Gianella. Raposa, certo! Tô fazendo vibrações positivas.
- Goiás e Ponte?
- Precisa dizer? Goiás. Ponte na descendente.
- Paraná e Coxa.
- Putz, clássico é bucha. Coluna do meio!
- Paysandu e Figueira, Figueira?
- Acho que rola um mexe...
- Não me interessa esse jogo!
- Bom.
- Timão versus Tio Jejão?
- Corínthians. Não é preciso metereologista para saber para que lado sopra o vento.
- Inter e Flu?
- Bem mexidinho, dá Flu!
- Mas eu quero que tu faça Santos e Paysandu. Faz mexe para o Paysandu vencer. Aposto minha casa e minha frota nessa partida!
- Porra, cara, tá me tirando? Eu sou um reles e honesto pai de santo, não sou juiz de futebol!
Thursday, September 22, 2005
Trocadilhos, anagramas & outras imbecilidades
"Se todo o doleiro fosse impedido de causar dolo à nação isto seria uma lufada de ética na política."
Monday, September 19, 2005
Extra!
Juiz com chip pode ajudar futebol
Instituto alemão revoluciona o esporte bretão para corrigir erros de arbitragem
Marcelo Xavier/Especial para o PATO MACHO
A roubalheira dentro das quatro linhas pode estar chegando ao fim. Cientistas do Lili Marlene Institute, na Alemanha, desenvolveram um chip que pode ser implantado na cabeça do um árbitro através da fossa nasal. O revolucionário aparelho, fruto de profundas pesquisas, pode regular os neurônios deficientes do cérebro de um juiz de futebol, a ponto de fazê-lo enxergar a posição exata de um jogador na linha do impedimento, observar a posição correta de onde ocorreu determinada falta e, desse modo, esclarecer no ato dúvidas sobre impedimentos, reversão de faltas, expulsões injustas e, principalmente, gols discutíveis.
De acordo com o Instituto, os dados de campo são coletados por antenas posicionadas em volta do gramado e analisados por uma central de computação. Em seguida, eles são transmitidos para aparelhos portáteis, direto para o sistema nervoso do árbitro larápio, descondicionando o seu índice de incompetência e falta de visão objetiva.
A invenção, dizem os cientistas do Lili Marlene, o equipamento será útil também para os técnicos, que podem controlar toda a movimentação dos jogadores e o quociente de envaretamento de certos treinadores brasileiros, como Muricy Ramalho, Leão e Abelão, entre outros. Ao mesmo tempo, além de colaborar com o andamento das partidas, os espectadores também terão acesso à informações sobre a velocidade dos chutes. Dessa forma, o chip, se aprovado, pode erradicar a figura mítica do juiz ladrão, que sempre acaba tendo que sair de estádio escoltado pela Polícia, como se fosse um deputado de CPI. Também vai extinguir a figura do chamado cartola do tipo ‘chorão’, que gosta de mandar vídeo com gravações de erros da arbitragem para federações ou vive pedindo a cabeça de árbitros e, se queixando de ridículas teorias conspiratórias contra o seu respectivo clube, como o Juvenal Juvêncio , vice de futebol do São Paulo, por exemplo.
A FIFA vai testar um juiz com chip na cabeça no dia 26 de fevereiro. Se tudo correr bem, a Federação Gaúcha de Futebol adotará a tecnologia no próximo Gauchão em Carlos Eugênio Simon. Ao ser procurado por nossa reportagem, ele não quis declarar nada.
Friday, September 02, 2005
O Homem da Mala Preta
O seu time já perdeu ou ganhou alguma partida de futebol, de maneira estranha ou surpreendente? O goleiro adversário foi substituído no intervalo do jogo? O artilheiro do seu clube foi caçado impiedosamente a pauladas, naquele jogo decisivo? O time aquele que iria te rebaixar na última rodada caminhou em campo, e tomou uma goleada do seu famélico time? Pois deu no Correio: o empresário Roberto Tibúrcio denunciou, em entrevista à Rádio Itatiaia, de MG, a prática de 'mala preta' por parte da diretoria do Atlético Mineiro no Campeonato Brasileiro do ano passado. Tibúrcio, procurador do atacante Quirino, disse que foi o operador do pagamento de 'incentivo' financeiro para atletas de Cruzeiro, Corinthians, Coritiba e Ponte Preta, que na penúltima e última rodada da competição enfrentariam adversários diretos do Galo na luta contra o rebaixamento. Tibúrcio garante que tem como provar a mala preta, porque usou cheques pessoais e transferências eletrônicas de depósitos. O empresário fez a denúncia logo após a direção do clube negar o envio de documentos para a transferência de Quirino para o Real Sociedad.
O homem da Mala Preta é um tabu no futebol: todos dizem que isso não "ecziste", mas a verdade é que ecziste. Aliás, não existe nada mais brasileiramente endêmico do que prevaricação: basta dar uma olhada nos jornais e revistas. O curioso é que a matéria de esportes acabou absorvendo até mesmo o jargão da Política. Assim, o tal empresário é "operador" do incentivo financeiro.
Existem várias histórias envolvendo o homem da mala preta e o futebol. Basta lembrar do célebre caso do suposto "engavetamento;" do lateral-direito do Inter, Édison Madureira, às vésperas de um Gre-Nal, em 1970. Isso na época em que a paranóia sobre a prática de mala preta chegava às raias do absurdo. Depois do jogo, descobriu-se que a história teria sido criada no Olímpico. Falando em Grêmio, também virou lenda urbana um episódio envolvendo o ex-técnico tricolor, Adílson Batista, havia suposta e involuntariamente revelado, em 19 de novembro de 2003, todo o esquema de mala preta envolvendo Grêmio e Criciúma, no Bar do Kabrito, na zona da rótula da Nilo Peçanha. Na companhia de seu auxiliar técnico e do vice de futebol do clube, o treinador assistia ao empate da Seleção com o Uruguai por 3 a 3. Pediram massa com perdiz e chope. Cinco colorados ocupavam uma mesa da calçada desde o final da tarde. Quando deixou o bar, encontrou o que previa.
- Vocês tentaram comprar o Criciúma, agora vai ser uma guerra... - um deles desafiou o técnico.
- Mandamos a mala preta para lá - insistiram os torcedores do Inter.
Adilson apenas riu:
- Vamos ganhar de qualquer jeito. Vocês não sabem de nada, o Criciúma já está no papo.
- Duvido, quer apostar que vocês perdem mais uma? - continuaram os torcedores.
A conversa foi gravada, saiu em reportagem do jornal Zero Hora, mas mesmo a despeito de Adílson ter acertado as suas previsões, ela virou lenda, assim como o não menos famoso Paysandu e Inter, na última rodada da primeira fase do Brasileiro de 2002. Em Belém, há setorista que prove em "off" detalhes escabrosos sobre os desmandos do homem da mala preta na capital paraense, num jogo muito estranho, onde o goleiro titular foi substituído no intervalo, e o clube visitante então pôde fazer a festa, escapando do rebaixamento. Tanto esse jogo quanto o Criciúma e Grêmio ficaram no suspense, e hoje rendem apenas alguma corneta de ocasião. Até porque, assim como no caso do famigerado mensalão do nosso laborioso Congresso Nacional, não "eczistem" provas. E fica o dito pelo não dito. Não houve mala preta, dizem os cartolas. Mas, e o fulano, que tomou aquele gol impossível? E aquele volante que caminhou em campo? E aquela misteriosa contusão no centroavante daquele time? O torcedor não esquece...
A diferença entre esses supostos casos de "mala preta" no futebol e este caso envolvendo um empresário e o Atlético Mineiro é que aqueles quase nunca transcendem a esfera do "suposto esquema" (como o mensalão!), enquanto o presente caso tem nome e sobrenome: O STJD vai requisitar a fita com a entrevista concedida pelo empresário. O clube mineiro pode ser enquadrado em artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que trata de corrupção, concussão e prevaricação.
O homem da Mala Preta é um tabu no futebol: todos dizem que isso não "ecziste", mas a verdade é que ecziste. Aliás, não existe nada mais brasileiramente endêmico do que prevaricação: basta dar uma olhada nos jornais e revistas. O curioso é que a matéria de esportes acabou absorvendo até mesmo o jargão da Política. Assim, o tal empresário é "operador" do incentivo financeiro.
Existem várias histórias envolvendo o homem da mala preta e o futebol. Basta lembrar do célebre caso do suposto "engavetamento;" do lateral-direito do Inter, Édison Madureira, às vésperas de um Gre-Nal, em 1970. Isso na época em que a paranóia sobre a prática de mala preta chegava às raias do absurdo. Depois do jogo, descobriu-se que a história teria sido criada no Olímpico. Falando em Grêmio, também virou lenda urbana um episódio envolvendo o ex-técnico tricolor, Adílson Batista, havia suposta e involuntariamente revelado, em 19 de novembro de 2003, todo o esquema de mala preta envolvendo Grêmio e Criciúma, no Bar do Kabrito, na zona da rótula da Nilo Peçanha. Na companhia de seu auxiliar técnico e do vice de futebol do clube, o treinador assistia ao empate da Seleção com o Uruguai por 3 a 3. Pediram massa com perdiz e chope. Cinco colorados ocupavam uma mesa da calçada desde o final da tarde. Quando deixou o bar, encontrou o que previa.
- Vocês tentaram comprar o Criciúma, agora vai ser uma guerra... - um deles desafiou o técnico.
- Mandamos a mala preta para lá - insistiram os torcedores do Inter.
Adilson apenas riu:
- Vamos ganhar de qualquer jeito. Vocês não sabem de nada, o Criciúma já está no papo.
- Duvido, quer apostar que vocês perdem mais uma? - continuaram os torcedores.
A conversa foi gravada, saiu em reportagem do jornal Zero Hora, mas mesmo a despeito de Adílson ter acertado as suas previsões, ela virou lenda, assim como o não menos famoso Paysandu e Inter, na última rodada da primeira fase do Brasileiro de 2002. Em Belém, há setorista que prove em "off" detalhes escabrosos sobre os desmandos do homem da mala preta na capital paraense, num jogo muito estranho, onde o goleiro titular foi substituído no intervalo, e o clube visitante então pôde fazer a festa, escapando do rebaixamento. Tanto esse jogo quanto o Criciúma e Grêmio ficaram no suspense, e hoje rendem apenas alguma corneta de ocasião. Até porque, assim como no caso do famigerado mensalão do nosso laborioso Congresso Nacional, não "eczistem" provas. E fica o dito pelo não dito. Não houve mala preta, dizem os cartolas. Mas, e o fulano, que tomou aquele gol impossível? E aquele volante que caminhou em campo? E aquela misteriosa contusão no centroavante daquele time? O torcedor não esquece...
A diferença entre esses supostos casos de "mala preta" no futebol e este caso envolvendo um empresário e o Atlético Mineiro é que aqueles quase nunca transcendem a esfera do "suposto esquema" (como o mensalão!), enquanto o presente caso tem nome e sobrenome: O STJD vai requisitar a fita com a entrevista concedida pelo empresário. O clube mineiro pode ser enquadrado em artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que trata de corrupção, concussão e prevaricação.
Wednesday, August 31, 2005
Honni Soit Qui Mal Y Pense
Para LFV, (depois que matou a Velhinha)
A mulher deu a luz a um garoto. Era um menino robusto, rechonchudo e com uma cabeleira indomável, apesar da pouca idade. Puxou ao avô, pensou o pai, enquanto olhava o seu rebento, que ria um sorriso alegre de gengivas devolutas e rosadas, confortável no colo de sua mãe. Tudo corria perfeitamente bem, até que, cerca de uma semana depois, chegou um telegrama direto de Moscou, para os pais. O nome do remetente era alguma coisa inpronunciável, algo como Ivan Ilitch, Slovevitch, Stochkovich, Abramovich, algo assim. O pai em vão tentava pronunciar. A mãe pensava: ué, vovô era descendente de poloneses, será que é algum parente distante?
O pai leu as poucas frases da mensagem — redigidas em Inglês — com certa dificuldade, porém salvo pelo seu curso inacabado do Yázigi, ainda no primeiro grau. O telegrama agradecia pelo nascimento da criança e comunicava que, em breve, um emissário iria falar com eles, com o objetivo de levar o bebê. Levar o bebê? Os papais se entreolharam: como assim? No dia seguinte, outra correspondência traz um recibo de depósito: US$ 1 milhão pelo negócio.
— Que negócio — quis saber a mulher, interrogando o pai. — O que voc6e andou aprontando, seu patife?
— Não sei de nada, não sei de nada! — respondeu ele, assustado tanto com a história do emissário russo quanto com o valor estratosférico do cheque.
Três dias depois, aparece o tal emissário russo, com uma barbicha estilo Lênin (aliás, a cara dele era muito parecida com o Lênin), e baixinho, carregando uma pesada valise.
— Bom dia, eu vim buscar a criança de vocês. — anunciou o russo.
— Mas que história é essa? — Espantou-se o pai.
— Bom, pela cara de vocês, eu preciso dar uma explicação. — adiantou-se o emissário.
Pigarreou, alçou a fronte, e disse:
— É o seguinte: eu sou empresário da bola. Acontece que nós estamos revolucionando o negócio de contratação de craques para o futebol europeu. Ao invés de ficar gastando rios de dinheiro em apostas ou em jogadores extremamente caros, devido à atravessadores de clubes de futebol e rábulas de porta de vestiário, nós estamos entrando na dinâmica da globalização do capitalismo futebolístico. Então, estamos apenas antecipando a tendência do futuro: os grandes clubes de futebol não vão comprar o passe de jogadores de dezessete, dezoito anos, e enviá-los para a Europa mal condicionados, mal treinados, mal alimentados, ignorantes embora supervalorizados e sem o domínio de uma língua de primeiro mundo. Então, nós estamos fazendo uma avaliação de crianças que possam vir a ser futuros boleiros profissionais e estamos levando todos, ainda em tenra idade, para o futebol europeu!
Os pais da criança estavam boquiabertos.
— Mas como?
— Ora, nós temos uma rede de influências, uma rede de informações, não jápodemos prever a qualidade e a funcionalidade dos futuros atletas através do genoma, do biootipo, da genealogia dos pais. Então, nós averiguamos o passado de vocês e concluímos, através de uma pré-análise matemático-metafísico-biológica baseado em documentos clínicos que o seu filho tem um Q. I altíssimo, biotipo de atleta, e capacidade de liderança, ou seja, é um craque!
— Mas...como? — a mãe tremia sob as chinelas.
— Nós temos as nossas fontes, madame. Nós temos as nossas fontes! Mas não se preocupe. No futuro, vai ser assim. Não se assuste. Isso é o futuro. Quem ficar preso a axiomas e a tradicionalismos provincianos, vai certamente ficar na contramão da História...
— O que o meu filhinho vai fazer na Rússia, naquele frio??
— O emissário, em tom suave e ligeiramente didático, explicava:
— Minha senhora, imagino que você esteja pensando no futuro do seu filho. Você quer que ele jogue todo o seu potencial fora, emburrecendo no sistema educacional do seu país, gastando malas de dinheiro em supletivo, cursinho, faculdade para, depois de cinco anos, ficar outros cinco anos desempregado e engordando em casa, e tendo que, depois de velho, ter que fazer cursinho para passar em concurso público? É isso o que a senhora quer? Ou quer que ele, dentro da sua potencialidade como jogador, abra mão de um futuro de ouro no esporte bretão, se carneando em jogos no interior do Brasil, e se tornar um boleiro desconhecido de clube de terceira divisão?
— Bom...pensando assim, acho que...não.
— Viu? Isso mostra que a senhora é uma mulher sábia — sorriu o emissário enquanto, sorridente, abria a sua misteriosa valise.
— Sim, mas o que a gente ganha com isso? — atravessou-se o pai. — quanto vale o meu jogador?
— Alberto! — irritou-se a mamãe. Isso é forma de chamar o nosso filho?
— A senhora não se preocupe, o processo de mudança será simples, indolor, e de muita valia no futuro. A senhora não perderá o contato como seu rebento. E o senhor também não se preocupe, nós vamos hoje mesmo depositar seis milhões de euros por 100% dos direitos federativos do seu jogador, que receberia outros dois milhões de numa negociação remota — se recebesse. O menino vai se criar cheio de saúde, vai se tornar um grande atleta e vocês vão lucrar rios de dinheiro, e terão passaporte comunitário para poder viver na Europa, no futuro. No fim, todos saem ganhando: vocês ficam ricos, e o menino não vai ter que ficar perdendo tempo jogando no Brasil — e, virando-se para o papai, perguntou: —.Qual é o time pelo qual o senhor torce?
— Quem, eu? Sou gremista.
— Então, assim o senhor poupa o seu garoto de ficar perdendo tempo e dinheiro e sendo desvalorizado em campeonatos intermináveis de clubes miseráveis e maus pagadores, e que não vão ser campeões de coisa alguma.
Mais aliviados, os papais preparam a mala de viagem como todas as roupinhas do bebê. A mãe reluta em entregar o menininho na hora de ir embora. Chora muito. Porém, dias depois, já está reconfortada. E o tempo passou. Passou e, um ano depois, o casal têm mais um filho. Um menino. Era outro menino robusto, rechonchudo e com uma cabeleira indomável, apesar da pouca idade. Duas semanas depois, toca o telefone. A mãe atende. Fica pálida. Depois, fica azul, cinza, amarela, cor-de-rosa, furta-cor. Larga o fone no ar, corre até o berço, e se tranca no banheiro. O pai vai atender a chamada. Ouve atentamente o sujeito do outro lado. Então vai falar com a mulher:
— Abre, querida.
— Não abro.
— Abre, querida.
— Não abro!
— Abre, querida.
— Não abro! Não abro! Não abrooooooooooooo!!
— Abre, amorizinha, eles disseram que está tudo bem, que está tudo em ordem. Eles disseram que o menino tem genoma de centroavante rompedor. Vai ser um número 9 nato!
— Eles quem, dessa vez? — perguntou a mulher, chorosa.
— Ah, parece que é um grupo de empresários portugueses.
A mulher deu a luz a um garoto. Era um menino robusto, rechonchudo e com uma cabeleira indomável, apesar da pouca idade. Puxou ao avô, pensou o pai, enquanto olhava o seu rebento, que ria um sorriso alegre de gengivas devolutas e rosadas, confortável no colo de sua mãe. Tudo corria perfeitamente bem, até que, cerca de uma semana depois, chegou um telegrama direto de Moscou, para os pais. O nome do remetente era alguma coisa inpronunciável, algo como Ivan Ilitch, Slovevitch, Stochkovich, Abramovich, algo assim. O pai em vão tentava pronunciar. A mãe pensava: ué, vovô era descendente de poloneses, será que é algum parente distante?
O pai leu as poucas frases da mensagem — redigidas em Inglês — com certa dificuldade, porém salvo pelo seu curso inacabado do Yázigi, ainda no primeiro grau. O telegrama agradecia pelo nascimento da criança e comunicava que, em breve, um emissário iria falar com eles, com o objetivo de levar o bebê. Levar o bebê? Os papais se entreolharam: como assim? No dia seguinte, outra correspondência traz um recibo de depósito: US$ 1 milhão pelo negócio.
— Que negócio — quis saber a mulher, interrogando o pai. — O que voc6e andou aprontando, seu patife?
— Não sei de nada, não sei de nada! — respondeu ele, assustado tanto com a história do emissário russo quanto com o valor estratosférico do cheque.
Três dias depois, aparece o tal emissário russo, com uma barbicha estilo Lênin (aliás, a cara dele era muito parecida com o Lênin), e baixinho, carregando uma pesada valise.
— Bom dia, eu vim buscar a criança de vocês. — anunciou o russo.
— Mas que história é essa? — Espantou-se o pai.
— Bom, pela cara de vocês, eu preciso dar uma explicação. — adiantou-se o emissário.
Pigarreou, alçou a fronte, e disse:
— É o seguinte: eu sou empresário da bola. Acontece que nós estamos revolucionando o negócio de contratação de craques para o futebol europeu. Ao invés de ficar gastando rios de dinheiro em apostas ou em jogadores extremamente caros, devido à atravessadores de clubes de futebol e rábulas de porta de vestiário, nós estamos entrando na dinâmica da globalização do capitalismo futebolístico. Então, estamos apenas antecipando a tendência do futuro: os grandes clubes de futebol não vão comprar o passe de jogadores de dezessete, dezoito anos, e enviá-los para a Europa mal condicionados, mal treinados, mal alimentados, ignorantes embora supervalorizados e sem o domínio de uma língua de primeiro mundo. Então, nós estamos fazendo uma avaliação de crianças que possam vir a ser futuros boleiros profissionais e estamos levando todos, ainda em tenra idade, para o futebol europeu!
Os pais da criança estavam boquiabertos.
— Mas como?
— Ora, nós temos uma rede de influências, uma rede de informações, não jápodemos prever a qualidade e a funcionalidade dos futuros atletas através do genoma, do biootipo, da genealogia dos pais. Então, nós averiguamos o passado de vocês e concluímos, através de uma pré-análise matemático-metafísico-biológica baseado em documentos clínicos que o seu filho tem um Q. I altíssimo, biotipo de atleta, e capacidade de liderança, ou seja, é um craque!
— Mas...como? — a mãe tremia sob as chinelas.
— Nós temos as nossas fontes, madame. Nós temos as nossas fontes! Mas não se preocupe. No futuro, vai ser assim. Não se assuste. Isso é o futuro. Quem ficar preso a axiomas e a tradicionalismos provincianos, vai certamente ficar na contramão da História...
— O que o meu filhinho vai fazer na Rússia, naquele frio??
— O emissário, em tom suave e ligeiramente didático, explicava:
— Minha senhora, imagino que você esteja pensando no futuro do seu filho. Você quer que ele jogue todo o seu potencial fora, emburrecendo no sistema educacional do seu país, gastando malas de dinheiro em supletivo, cursinho, faculdade para, depois de cinco anos, ficar outros cinco anos desempregado e engordando em casa, e tendo que, depois de velho, ter que fazer cursinho para passar em concurso público? É isso o que a senhora quer? Ou quer que ele, dentro da sua potencialidade como jogador, abra mão de um futuro de ouro no esporte bretão, se carneando em jogos no interior do Brasil, e se tornar um boleiro desconhecido de clube de terceira divisão?
— Bom...pensando assim, acho que...não.
— Viu? Isso mostra que a senhora é uma mulher sábia — sorriu o emissário enquanto, sorridente, abria a sua misteriosa valise.
— Sim, mas o que a gente ganha com isso? — atravessou-se o pai. — quanto vale o meu jogador?
— Alberto! — irritou-se a mamãe. Isso é forma de chamar o nosso filho?
— A senhora não se preocupe, o processo de mudança será simples, indolor, e de muita valia no futuro. A senhora não perderá o contato como seu rebento. E o senhor também não se preocupe, nós vamos hoje mesmo depositar seis milhões de euros por 100% dos direitos federativos do seu jogador, que receberia outros dois milhões de numa negociação remota — se recebesse. O menino vai se criar cheio de saúde, vai se tornar um grande atleta e vocês vão lucrar rios de dinheiro, e terão passaporte comunitário para poder viver na Europa, no futuro. No fim, todos saem ganhando: vocês ficam ricos, e o menino não vai ter que ficar perdendo tempo jogando no Brasil — e, virando-se para o papai, perguntou: —.Qual é o time pelo qual o senhor torce?
— Quem, eu? Sou gremista.
— Então, assim o senhor poupa o seu garoto de ficar perdendo tempo e dinheiro e sendo desvalorizado em campeonatos intermináveis de clubes miseráveis e maus pagadores, e que não vão ser campeões de coisa alguma.
Mais aliviados, os papais preparam a mala de viagem como todas as roupinhas do bebê. A mãe reluta em entregar o menininho na hora de ir embora. Chora muito. Porém, dias depois, já está reconfortada. E o tempo passou. Passou e, um ano depois, o casal têm mais um filho. Um menino. Era outro menino robusto, rechonchudo e com uma cabeleira indomável, apesar da pouca idade. Duas semanas depois, toca o telefone. A mãe atende. Fica pálida. Depois, fica azul, cinza, amarela, cor-de-rosa, furta-cor. Larga o fone no ar, corre até o berço, e se tranca no banheiro. O pai vai atender a chamada. Ouve atentamente o sujeito do outro lado. Então vai falar com a mulher:
— Abre, querida.
— Não abro.
— Abre, querida.
— Não abro!
— Abre, querida.
— Não abro! Não abro! Não abrooooooooooooo!!
— Abre, amorizinha, eles disseram que está tudo bem, que está tudo em ordem. Eles disseram que o menino tem genoma de centroavante rompedor. Vai ser um número 9 nato!
— Eles quem, dessa vez? — perguntou a mulher, chorosa.
— Ah, parece que é um grupo de empresários portugueses.
Friday, August 26, 2005
Presidente Bossa Nova
O presidente citou Juscelino Kubitscek para se justificar em sua resignação no cargo do primeiro mandatário desta republiqueta de bananas que é o Brasil. Isso fez eu me lembrar de uma história envolvendo o Darcy Ribeiro.
Ele contou certa vez que, ao final de seu mandato, o velho JK o chamou, no então novíssimo e refulgente Palácio da Alvorada. O presidente resolveu fazer ao ilustre sociólogo a seguinte confidência: estava incomodado com as críticas que seu governo recebia. "que tipo de crítica, presidente?", Darcy quis saber. "Dizem que o meu governo não teve uma dimensão humana". Eis o problema: a hercúlea tarefa de criar Brasília e implantar o pacto entre os representantes estrangeiros e o patriarcado político tradicional, para uma política tão modernizadora quanto desnacionalizante, rezar a cartilha do FMI, entregar concessões de exploração mineral com documentação forjada a empresas estrangeiras para, depois romper com o próprio Fundo, que condicionou um empréstimo de US$ 300 milhões à imposição de uma política deflacionária e ao adeus ao propalado Plano de Metas. A crítica que o incomodava era a que ele não ampliou a participação do povo e menos no acesso ao trabalho.
Pediu então a Darcy que criasse um projeto de lei de "alto alcance social", para ser remetido ao Congresso como sua derradeira mensagem presidencial. O sociólogo pensou, pensou, e propôs um projeto de Reforma Agrária. Receoso e surpreso, JK pediu que ele fosse antes consultar San Thiago Dantas, que desconversou. "Pô, mas logo agora que seu estou comprando um baita fazendão à margem do São Chico???".
Creio que, para se comparar ao Juscelino Kubitschek, Lula vai precisar de muito mais do que paciência. Mas para quem fica falando em teorias conspiratórias, o presidente Bossa Nova teve que enfrentar greves, lockouts e o recrudescimento dos sindicatos em todo o Brasil. Mas o mais lhe custou paciência foram as quarteladas e a ferrenha oposição udenista ao seu governo.
Paciência: em 1955, meios militares, a oficialidade pró-Eduardo Gomes e parte da Marinha tentaram impedir, a qualquer curto, a posse de Juscelino e Jango. Com o auxílio da UDN, conspiraram. Café Filho simulou um enfarte, entregando o poder a Carlos Luz, que destituiu o Ministro da Guerra, Marechal Lott, que não acatou a decisão, mandando prá correr ele mesmo o presidente em exercício e empossando o senador Nereu Ramos em seu lugar. Foi o famoso 11 de novembro de 1955. Espumando de raiva, Carlos Lacerda, Carlos Luz e o baixo clero da UDN, junto com alguns oficiais da Marinha, raptaram o navio Tamandaré, e tentaram buscar resistência em São Paulo. Não conseguiram, até porque o tal navio não foi até a esquina. Lacerda teve que pedir asilo político para Fulgêncio Batista em Havana.
Duas vezes paciência: no ano seguinte, o divertido golpismo udenista, ainda inconformado com a pose de JK, resolveu inspirar novos atos destemperados. De volta ao Brasil, Lacerda cria outro escândalo com documentos falsos, visando agora Jango, envolvendo ele numa suposta negociata com o governo argentino. Enquanto isso, quatro oficiais da aeronáutica e mais um civil (que morreu na brincadeira) tomaram por quase três semanas o aeroporto de Jacareacanga, na selva amazônica, e dominam Santarém. Lá, esperaram que Juscelino os anistiasse para, de volta a suas funções, voltarem a conspirar calmamente...
Três vezes paciência: em 1958, para pôr termo a mais uma conspiração na Aeronáutica com a Marinha, JK teve a idéia de semear a discórdia entre ambos: resolveu comprar dos ingleses um porta-aviões de sucata, uma verdadeira panela velha ambulante, só útil para treinamento, e batiza com o sugestivo nome de Minas Gerais. Tanto dinheiro posto fora num elefante branco com proa e popa serviu para alguma coisa. Mas o povo resolveu chamá-lo de "Belo Antônio", que virou música do Juca Chaves, o rapsodo fundamental de Juscelino.
O Brasil já vai à guerra
Comprou um porta-aviões!
Um viva para a Inglaterra:
Oitenta e dois milhões? Mas que ladrões!
Quatro vezes paciência: em 1959, oficiais udenistas da Aeronáutica se sublevaram contra o governo: seqüestram um avião da Panair e voam para Aragarças, no Brasil Central. Inauguram, sem querer, os "seqüestros aéreos" como arma política. A revolta, novamente, deu com os burros n’água. Não bastasse a incompetência dos oficiais, havia dentro do aparelho um cadáver de uma mulher, e os rebeldes revolucionários não sabiam o que raios fazer com a tal defunta e seu inconsolável viúvo. JK riu, ofereceu a outra face, e os anistiou, outra vez.
Grande Juscelino. Empossado na presidência da República, prometeu fazer o Brasil saltar 50 anos em 5. Não o fez. Quem o faria?
Ele contou certa vez que, ao final de seu mandato, o velho JK o chamou, no então novíssimo e refulgente Palácio da Alvorada. O presidente resolveu fazer ao ilustre sociólogo a seguinte confidência: estava incomodado com as críticas que seu governo recebia. "que tipo de crítica, presidente?", Darcy quis saber. "Dizem que o meu governo não teve uma dimensão humana". Eis o problema: a hercúlea tarefa de criar Brasília e implantar o pacto entre os representantes estrangeiros e o patriarcado político tradicional, para uma política tão modernizadora quanto desnacionalizante, rezar a cartilha do FMI, entregar concessões de exploração mineral com documentação forjada a empresas estrangeiras para, depois romper com o próprio Fundo, que condicionou um empréstimo de US$ 300 milhões à imposição de uma política deflacionária e ao adeus ao propalado Plano de Metas. A crítica que o incomodava era a que ele não ampliou a participação do povo e menos no acesso ao trabalho.
Pediu então a Darcy que criasse um projeto de lei de "alto alcance social", para ser remetido ao Congresso como sua derradeira mensagem presidencial. O sociólogo pensou, pensou, e propôs um projeto de Reforma Agrária. Receoso e surpreso, JK pediu que ele fosse antes consultar San Thiago Dantas, que desconversou. "Pô, mas logo agora que seu estou comprando um baita fazendão à margem do São Chico???".
Creio que, para se comparar ao Juscelino Kubitschek, Lula vai precisar de muito mais do que paciência. Mas para quem fica falando em teorias conspiratórias, o presidente Bossa Nova teve que enfrentar greves, lockouts e o recrudescimento dos sindicatos em todo o Brasil. Mas o mais lhe custou paciência foram as quarteladas e a ferrenha oposição udenista ao seu governo.
Paciência: em 1955, meios militares, a oficialidade pró-Eduardo Gomes e parte da Marinha tentaram impedir, a qualquer curto, a posse de Juscelino e Jango. Com o auxílio da UDN, conspiraram. Café Filho simulou um enfarte, entregando o poder a Carlos Luz, que destituiu o Ministro da Guerra, Marechal Lott, que não acatou a decisão, mandando prá correr ele mesmo o presidente em exercício e empossando o senador Nereu Ramos em seu lugar. Foi o famoso 11 de novembro de 1955. Espumando de raiva, Carlos Lacerda, Carlos Luz e o baixo clero da UDN, junto com alguns oficiais da Marinha, raptaram o navio Tamandaré, e tentaram buscar resistência em São Paulo. Não conseguiram, até porque o tal navio não foi até a esquina. Lacerda teve que pedir asilo político para Fulgêncio Batista em Havana.
Duas vezes paciência: no ano seguinte, o divertido golpismo udenista, ainda inconformado com a pose de JK, resolveu inspirar novos atos destemperados. De volta ao Brasil, Lacerda cria outro escândalo com documentos falsos, visando agora Jango, envolvendo ele numa suposta negociata com o governo argentino. Enquanto isso, quatro oficiais da aeronáutica e mais um civil (que morreu na brincadeira) tomaram por quase três semanas o aeroporto de Jacareacanga, na selva amazônica, e dominam Santarém. Lá, esperaram que Juscelino os anistiasse para, de volta a suas funções, voltarem a conspirar calmamente...
Três vezes paciência: em 1958, para pôr termo a mais uma conspiração na Aeronáutica com a Marinha, JK teve a idéia de semear a discórdia entre ambos: resolveu comprar dos ingleses um porta-aviões de sucata, uma verdadeira panela velha ambulante, só útil para treinamento, e batiza com o sugestivo nome de Minas Gerais. Tanto dinheiro posto fora num elefante branco com proa e popa serviu para alguma coisa. Mas o povo resolveu chamá-lo de "Belo Antônio", que virou música do Juca Chaves, o rapsodo fundamental de Juscelino.
O Brasil já vai à guerra
Comprou um porta-aviões!
Um viva para a Inglaterra:
Oitenta e dois milhões? Mas que ladrões!
Quatro vezes paciência: em 1959, oficiais udenistas da Aeronáutica se sublevaram contra o governo: seqüestram um avião da Panair e voam para Aragarças, no Brasil Central. Inauguram, sem querer, os "seqüestros aéreos" como arma política. A revolta, novamente, deu com os burros n’água. Não bastasse a incompetência dos oficiais, havia dentro do aparelho um cadáver de uma mulher, e os rebeldes revolucionários não sabiam o que raios fazer com a tal defunta e seu inconsolável viúvo. JK riu, ofereceu a outra face, e os anistiou, outra vez.
Grande Juscelino. Empossado na presidência da República, prometeu fazer o Brasil saltar 50 anos em 5. Não o fez. Quem o faria?
Thursday, August 11, 2005
Classificados PATO MACHO
VENDE-SE Cavalo paraguaio, pangaré redomão legítimo natural de Assunción, quatro anos, único dono. melhor posição: chegou em sexto no Brasileirão de 2003. Ferraduras não incluídas. Tratar com dr. Fernando Carvalho, Estádio Beira-Rio, Porto Alegre.
Tuesday, August 09, 2005
Enquanto ifo, numa repartifão pública...
– Colega, eu não te encontrei ontem na paralisação. Por acaso fizeste greve de pijama?
– Que de pijama nada, companheiro! Eu fif paralisafão de camisa, calfa e fapato, trabalhando no meu fetor!
– Mas como, cara! Não estavas sabendo da movimentação?
– Claro que eu fabia, companheiro!
– Pois é, e tu que sempre estiveste nas greves, discutias os problemas do funcionalismo público, gostavas das atividades... mudaste agora com a esquerda em Brasília?
– Não, não mudei nadinha. Continuo goftando.
– Então não entendo... o ato público da categoria teria sido ainda melhor se toda a companheirada participasse.
– Aí é que eftá o problema. Lembra o motivo da paralisafão?
– Como não vou lembrar, se foi ontem? Era o nosso sindicato protestando contra a corrupção no governo! Estás contra o sindicato, agora?
– Que é ifo, companheiro! Eu fou é a favor da corrupfão!
– De onde tiraste essa idéia agora? Em quem foi que tu votaste, afinal?
– Por ifo mefmo! Eu não pofo perder a coerênfia, companheiro...
– Que de pijama nada, companheiro! Eu fif paralisafão de camisa, calfa e fapato, trabalhando no meu fetor!
– Mas como, cara! Não estavas sabendo da movimentação?
– Claro que eu fabia, companheiro!
– Pois é, e tu que sempre estiveste nas greves, discutias os problemas do funcionalismo público, gostavas das atividades... mudaste agora com a esquerda em Brasília?
– Não, não mudei nadinha. Continuo goftando.
– Então não entendo... o ato público da categoria teria sido ainda melhor se toda a companheirada participasse.
– Aí é que eftá o problema. Lembra o motivo da paralisafão?
– Como não vou lembrar, se foi ontem? Era o nosso sindicato protestando contra a corrupção no governo! Estás contra o sindicato, agora?
– Que é ifo, companheiro! Eu fou é a favor da corrupfão!
– De onde tiraste essa idéia agora? Em quem foi que tu votaste, afinal?
– Por ifo mefmo! Eu não pofo perder a coerênfia, companheiro...
Profunda
José Simão, em sua coluna, disse que o roubo à agência do Banco Central, na realidade, é o início das obras do metrô de Fortaleza. Pois eu diria que uma obra de 78 metros que custa R$ 156 milhões só pode estar superfaturada!
Thursday, August 04, 2005
De Primeira
Presidente do Inter é autuado por ação de flanelinhas
Marcelo Xavier/ enviado do PATO MACHO a Porto Alegre
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) autuou em seis salários mínimos o presidente do Sport Club Internacional, Fernando Carvalho, pela atuação ilegal de flanelinhas na Avenida Padre Cacique após a partida entre Inter e Santos, no Estádio Beira-Rio, na quarta-feira à noite. O clube paulista venceu o jogo por 1 a 0, gol do meia Robinho - com um pé nas costas - e que estava gozando de férias em Porto Alegre. Ao ser procurada pela reportagem, a diretoria do Sport Club Internacional preferiu não se comunicar sobre o caso.
Wednesday, August 03, 2005
Na casa do Chato
De tempos em tempos, a Gasol (nome pelo qual nos fazemos reconhecer) tinha a mania de reunir-se. Às vezes na casa do Chato, outras na do Polaco e, poucas, na do Cavernoso. Eram carreteiros, pizzas, churrascos e até sessões de vídeos pornôs. Sempre havia muito trago: cerveja, vinho ou caipiras. A comida era feita em meio à bagunça e à gritaria.
— Ô Pés-sujos, me pica essa cebola bem pequenininha — disse o Chato.
— À seco eu não consigo trabalhar. Diz pro Polaco me trazer uma caipa das buenas — replicou.
— Chato, é verdade que o Leite-com-bolachas teve aqui na semana passada e bebeu tanto, bebeu tanto, que regou a plantação de tempero-verde da tua mãe? — perguntou o Magrão.
— Destruiu. Bebeu quase um litro de vinho, ficou bobo como um neném e começou a dizer um monte de besteiras, até a hora que dormiu sentado. Quando o acordaram para ir embora, não resistiu e vomitou no tempero da mamãe.
— Pelo menos não foi que nem o Dagô, que vomitou no banheiro e agente teve de limpar — disse o Polaco.
— Vocês tiveram que limpar? Que audácia a tua, Polaco. Quando a festa é aqui em casa sou eu que fico até o amanhecer para limpar as cagadas de vocês. Quem escuta as reclamações sou eu.
— Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas cadê a porra da caipira — reclamou o Pés-sujos.
— Quantos nós somos? — perguntou o Polaco.
— Cinco — respondi. — e vem mais dois.
— Quem é que não vem? —interrogou o Vaca, arrumando os óculos na ponta do nariz.
— O Tampa e o Desbravador, as mulheres não deixam. O Cavernoso vem e disse que vai trazer o Nacadois. O Guasca disse que talvez viesse.
— Disse e vim. Podem colar o cu na parede porque quem não colar eu como.
— Como se fosse muito macho. Macho que nem tu eu como um por dia — replicou o Pés-sujos.
— Vai um gole para experimentar, Vaca?
— É, até vai. Me diz uma coisa, J.R., como é a história do porre que tu, o Pés-sujos e o Magrão tomaram?
— Olha, a pessoa mais indicada para falar a respeito é o Magrão porque ele foi o que se embebedou menos. Eu e o Pés-sujos ganhamos cicatrizes e nem sabemos como.
— O que eu sei é o seguinte: era véspera de um feriado e a “nega véia” tinha me expulsado da casa dela para poder estudar. Eu voltei para casa, puto da cara, e dei uma passada no bar dos guris (a família Saracura tinha um bar na Getúlio, amigos nossos). Como eu estava de cara resolvi ir embora, mas quando cheguei na esquina, o J.R. e o Pés-sujos passaram e me levaram para dar uma volta. Fomos até a 24 de Outubro e os bares estavam cheios. Também não tínhamos dinheiro, então juntamos todos os trocados e compramos um garrafão de vinho. A rolha foi devidamente empurrada para dentro pois não tínhamos saca-rolhas. Demos uma volta enorme, passamos pela Farrapos, pela Independência, seguimos duas garotas pela Assis Brasil até a igreja São João e não conseguimos nada. Então voltamos para a Getúlio e o J.R. estava tão bêbado que eu resolvi dirigir o carro dele. Quando chegamos na casa dele largamos o carro e fomos a pé até a casa do Pés-sujos. Daí os dois começaram a pular um nas costas do outro e caíam. Quando pulavam na minhas costas eu saía fora e os dois se esborracharam no chão. Os dois me contaram que depois vomitaram até as tripas.
— Por que tu fica revolvendo o meu passado negro, hein Magrão? — perguntou o Pés-sujos.
— Vamos parar com esse papo que não leva a nada e começar a beber. A caipira que eu fiz está aí a horas e ninguém toma — disse o Polaco.
— Eu quero é o vinho do pai do Chato — retrucou o Guasca.
— Tô nessa — completei. — No vinho do meu pai ninguém toca — sentenciou o Chato.
— Eu quero é que alguém prove o molho aqui.
Depois do Pés-sujos provar (em matéria de comida ele era sempre o primeiro), provaram o Vaca, o Guasca eu e o Magrão. E cada vez que um provava o molho, o Chato metia a colher de pau de volta na panela. Alguns reclamavam da falta de higiene do ato.
— Ô Chato, vê se lava a colher antes de botar na panela — reclamou o Vaca.
— Que lavar o quê! — desdenhou o Chato, esfregando a colher no meio das pernas e colocando na panela de novo.
— Até parece que tu não comeu merda quando era pequeno.
— Claro que não.
— Então come agora depois de velho — sugeriu o Guasca.
— Homem que é homem revira bosta de vaca para catar verme.
— Pra mim quem faz isso é passarinho vira-bosta — remendou o Polaco.
— E se é passarinho tem mais é que levar um fundaço na bunda.
— Vamos parar com a gritaria que chegou o Chefe — disse o Cavernoso quando chegou na casa do Chato.
— E quem te nomeou chefe da turma? — perguntou o Polaco.
— Se eu sou o Chefe não preciso ser nomeado. Eu mesmo me nomeio. E chega de discussão, porque eu decidi e pronto. As risada foram gerais porque todos conheciam o bom humor do Cavernoso.
— Ô Pés-sujos, me pica essa cebola bem pequenininha — disse o Chato.
— À seco eu não consigo trabalhar. Diz pro Polaco me trazer uma caipa das buenas — replicou.
— Chato, é verdade que o Leite-com-bolachas teve aqui na semana passada e bebeu tanto, bebeu tanto, que regou a plantação de tempero-verde da tua mãe? — perguntou o Magrão.
— Destruiu. Bebeu quase um litro de vinho, ficou bobo como um neném e começou a dizer um monte de besteiras, até a hora que dormiu sentado. Quando o acordaram para ir embora, não resistiu e vomitou no tempero da mamãe.
— Pelo menos não foi que nem o Dagô, que vomitou no banheiro e agente teve de limpar — disse o Polaco.
— Vocês tiveram que limpar? Que audácia a tua, Polaco. Quando a festa é aqui em casa sou eu que fico até o amanhecer para limpar as cagadas de vocês. Quem escuta as reclamações sou eu.
— Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas cadê a porra da caipira — reclamou o Pés-sujos.
— Quantos nós somos? — perguntou o Polaco.
— Cinco — respondi. — e vem mais dois.
— Quem é que não vem? —interrogou o Vaca, arrumando os óculos na ponta do nariz.
— O Tampa e o Desbravador, as mulheres não deixam. O Cavernoso vem e disse que vai trazer o Nacadois. O Guasca disse que talvez viesse.
— Disse e vim. Podem colar o cu na parede porque quem não colar eu como.
— Como se fosse muito macho. Macho que nem tu eu como um por dia — replicou o Pés-sujos.
— Vai um gole para experimentar, Vaca?
— É, até vai. Me diz uma coisa, J.R., como é a história do porre que tu, o Pés-sujos e o Magrão tomaram?
— Olha, a pessoa mais indicada para falar a respeito é o Magrão porque ele foi o que se embebedou menos. Eu e o Pés-sujos ganhamos cicatrizes e nem sabemos como.
— O que eu sei é o seguinte: era véspera de um feriado e a “nega véia” tinha me expulsado da casa dela para poder estudar. Eu voltei para casa, puto da cara, e dei uma passada no bar dos guris (a família Saracura tinha um bar na Getúlio, amigos nossos). Como eu estava de cara resolvi ir embora, mas quando cheguei na esquina, o J.R. e o Pés-sujos passaram e me levaram para dar uma volta. Fomos até a 24 de Outubro e os bares estavam cheios. Também não tínhamos dinheiro, então juntamos todos os trocados e compramos um garrafão de vinho. A rolha foi devidamente empurrada para dentro pois não tínhamos saca-rolhas. Demos uma volta enorme, passamos pela Farrapos, pela Independência, seguimos duas garotas pela Assis Brasil até a igreja São João e não conseguimos nada. Então voltamos para a Getúlio e o J.R. estava tão bêbado que eu resolvi dirigir o carro dele. Quando chegamos na casa dele largamos o carro e fomos a pé até a casa do Pés-sujos. Daí os dois começaram a pular um nas costas do outro e caíam. Quando pulavam na minhas costas eu saía fora e os dois se esborracharam no chão. Os dois me contaram que depois vomitaram até as tripas.
— Por que tu fica revolvendo o meu passado negro, hein Magrão? — perguntou o Pés-sujos.
— Vamos parar com esse papo que não leva a nada e começar a beber. A caipira que eu fiz está aí a horas e ninguém toma — disse o Polaco.
— Eu quero é o vinho do pai do Chato — retrucou o Guasca.
— Tô nessa — completei. — No vinho do meu pai ninguém toca — sentenciou o Chato.
— Eu quero é que alguém prove o molho aqui.
Depois do Pés-sujos provar (em matéria de comida ele era sempre o primeiro), provaram o Vaca, o Guasca eu e o Magrão. E cada vez que um provava o molho, o Chato metia a colher de pau de volta na panela. Alguns reclamavam da falta de higiene do ato.
— Ô Chato, vê se lava a colher antes de botar na panela — reclamou o Vaca.
— Que lavar o quê! — desdenhou o Chato, esfregando a colher no meio das pernas e colocando na panela de novo.
— Até parece que tu não comeu merda quando era pequeno.
— Claro que não.
— Então come agora depois de velho — sugeriu o Guasca.
— Homem que é homem revira bosta de vaca para catar verme.
— Pra mim quem faz isso é passarinho vira-bosta — remendou o Polaco.
— E se é passarinho tem mais é que levar um fundaço na bunda.
— Vamos parar com a gritaria que chegou o Chefe — disse o Cavernoso quando chegou na casa do Chato.
— E quem te nomeou chefe da turma? — perguntou o Polaco.
— Se eu sou o Chefe não preciso ser nomeado. Eu mesmo me nomeio. E chega de discussão, porque eu decidi e pronto. As risada foram gerais porque todos conheciam o bom humor do Cavernoso.
Thursday, July 28, 2005
No acender das luzes
Lula, na visita ao Rio Grande do Sul, disse que o Brasil não vai mais passar por apagão por falha do governo "porque a administração tem investido em projetos de longo prazo para evitar riscos no fornecimento de energia elétrica". Alguém poderia lembrar ao presidente que nós temos investido também, em longo prazo, e sem retorno algum, num tal de seguro-apagão...
Ele também afirmou que "todos que tentaram fazer mágica com a economia brasileira quebraram a cara”. Na economia popular, é o contrário, somos obrigados a fazer mágica porque quebramos a cara todos os dias.
Talvez minha estréia no Pato Macho não seja tão bem-humorada quanto o caráter do blog pede, mas resolvi começar assim por causa dessas declarações chocantes. Elas ficaram atravessadas na garganta de nós, patinhos.
Ele também afirmou que "todos que tentaram fazer mágica com a economia brasileira quebraram a cara”. Na economia popular, é o contrário, somos obrigados a fazer mágica porque quebramos a cara todos os dias.
Talvez minha estréia no Pato Macho não seja tão bem-humorada quanto o caráter do blog pede, mas resolvi começar assim por causa dessas declarações chocantes. Elas ficaram atravessadas na garganta de nós, patinhos.
Tuesday, July 26, 2005
Conversa de bar
O Sol declina seus raios vespertinos sobre os telhados de fibrocimento, que uma vez foram de zinco, aquecendo os etésios que sopram no lar de Plutão, ou nas terras de Hela. Enfim, um calor infernal. Resta-nos poucas saídas: a sombra, a cerveja gelada e o papo reconfortante.
— Ah! Se eu pudesse estar na praia!
— Não ia adiantar nada, — respondeu Evandro — estaríamos no boteco olhando o mar, as mulheres que passam e bebendo cerveja.
— É, mas pelo menos é mais refrescante.
— Se tu quer refresco senta numa barra de gelo.
— Brincadeira, hein! Prá tudo tu tens resposta.
— Mentira! Tu que é a enciclopédia ambulante.
— Mas eu não fico me deitando nos outros.
— Aí que tá a graça.
— Por falar em Graça, como vai a tua prima?
— Bah! Não sei. Faz tempo que eu não falo com ela. Desdaquela vez que tu tirou a roupa no Amadeus, só porque não tinha dinheiro para pagar a conta. Lembra?
— Como é que eu vou lembrar? Eu estava bêbado.
— Bêbado tava eu. Tu tava era trêbado.
— Falando trêbado, lá vem um.
Aponto então para o nosso companheiro tatuado, que vem se arrastando, o inigualável Naza.
— Tapaaado! — grita Evandro.
— E não vai sêêê! — responde o Naza.
— Afoxééé! — eu emendo.
— Saravááá! — ele replica.
Levantamo-nos e cumprimentamo-nos. E vai tapa nas costas, alisamento dos cabelos (bem mais para um escabelamento), abraços apertados e muitos apertos de mão.
— E aí? — me pergunta o Naza.
— Aqui nada, e aí? — retruco, apontando para o Evandro.
— Se nada é porque está folgado, e aí? — disse Evandro, devolvendo para o Naza.
— Tu tá me estranhando? Tu até parece que não sei! Pô gurizada, desde domingo à noite que a gente não se fala, apesar de ser segunda dez da manhã, há quanto tempo, hein? Tu nem sabe da maior. Ontem, depois que vocês foram embora, o Rã, a Merendinha, a Pandeiro e eu fomos pro meu apê e fizemos a maior orgia da minha vida. Era eu e a Pandeiro, o Rã e a Merendinha. Depois, eu e a Merendinha e o Rã com a Pandeiro.
— Ô Evandro, e nós só no punhal!
— Nós com as fichas e sem jogo.
— Não, e tem mais! — continuou o Naza.
— No meio do “dá-lhe para que te dê-lhe” não é que o Rã se soltou todo, começou a peidar e não parava mais. Todo mundo começou a rir e desistimos daquilo. Então começou a guerra: era a Pandeiro peidando dum lado, era eu do outro, no meio a Merendinha e o Rã. Tinha um que fedia, outro que só fazia barulho. Broxagem geral.
Risos gerais.
— Tá, — retruquei — onde é que eles estão?
— O Rã tinha curso, a Pandeiro saiu às duas e meia e levou a Merendinha com ela. Quando o Rã saiu me acordou para fechar a porta e eu não consegui dormir mais, muito quente. Então resolvi tomar um gelo com uns caras preza que nem voceis, meuss camaradas — explicou o Naza querendo dar uma chiada que nem carioca.
— Ô Filomena! Traz uma candibrina e um copázio pro Naza.
— A quantas vocês andam?
— Com essa que vem aí, meia dúzia — disse Evandro.
— Vamos até uma grade?
— E por que não? Só não podemos ficar que nem sexta, de abraço, empurrão e rolando no chão.
— Iiih, nem me lembra. Puta porre — falou Naza.
— Nem me lembra, Funil, já tava tentando me esquecer.
— E nós temos dinheiro para isso? Minha dívida da semana passada era de setenta contos e minha mãe não queria pagar, até que eu disse que ia morar com o meu pai se ela não pagasse — reagiu Naza.
— É o Funil que vai pagar hoje. Saiu o 13º dele.
— Peraí! Ontem eu paguei dois baurus, uma batatinha e meia dúzia de ampolas.
— Que preju, hein? — falou o Evandro. — Faz três semanas que eu venho te sustentando e tu nem liberou o brioco!
— Não, mas se quiser eu libero a mangüaça para Odete.
— Bah! — intervém o Naza — Muito papo e pouca ação. A Pochete já liberou-geral pro Funil e a Seqüela pra ti, Evandro, e até agora nada. Dois bundões.
— Tu fala isso porque tá de romance com a Pandeiro — retruquei.
— Que isso! Só bons amigos. Que se conhecem profundamente. Uns quinze centímetros pra dentro — terminou Evandro.
Nossas conversas eram sempre assim, muita gozação, muita deitação e muita ceva. Qualquer papo nos alegrava, principalmente mulheres e beberagem, claro que às vezes dávamos uma chance para o futebol, mas só quando havia uma derrota de um dos dois times da capital, Grêmio e Inter.
— Ô Filomena! Mais uma candibrina e mais um copo pro Fortaleza que tá chegando — disse o Naza.
— Fala aí, ô Matador — instiga Evandro.
— Todos vocês aí são tudo uns bunda-mole. Não tem um colorado nessa mesa aí — intimou-nos o alemão louco conhecido como Schuster.
— Pára com isso, Schuster, teu time ganhou a primeira depois de três derrotas consecutivas e do time mais fraco ainda — respondi.
— Só que o Grêmio perdeu pra esse time na semana passada — retrucou Evandro, surpreendendo a todos por nunca falar em futebol.
— Era só para dar uma chance para vocês, — falou o Naza — para ver se vocês saíam da turma dos desesperados. No meio do papo aparece uma colega nossa da PUC, Paty Bago, com seu namorado e ele trazia uma viola.
— Filô! Duas biritas e dois urinol — chamou o Schuster.
— Oi rapazes, como vão essas forças?
— E aí galera!
— Axé! — respondemos em coro.
— Olha, — recomeçou Paty — eu e o Amoreco estamos fazendo hoje dois anos de namoro e vamos fazer a maior festa na casa dele. Vocês estão convidados, mas só que têm que levar a bebida.
— Tá, mas já que trouxe a viola vai ter que tocar pelo menos uma meia dúzia de músicas — provoquei.
Então o Boiolinha, como era mais conhecido, começou a cantar com o nosso apoio na percussão e no coro, se bem que tava mais para uma matilha de cães uivando para a lua do que frades franciscanos praticando canto gregoriano. Depois da quinta música o sucesso já era total, então o Boiolinha resolveu cantar uma música da sua autoria. Após os aplausos Evandro não resistiu:
— Bah, tu tá perdendo dinheiro!
— Tu acha mesmo? — ele perguntou.
— Mas sem dúvida — disse Evandro.
— Eu já disse para ele procurar uns bares para fazer shows e o Amoreco ainda não quis — replicou a Paty.
— Só se for show de estripitize em bar gay, porque ele não toca um ovo, não canta um nabo e ainda por cima tem uma bundinha...
— Ah! Se eu pudesse estar na praia!
— Não ia adiantar nada, — respondeu Evandro — estaríamos no boteco olhando o mar, as mulheres que passam e bebendo cerveja.
— É, mas pelo menos é mais refrescante.
— Se tu quer refresco senta numa barra de gelo.
— Brincadeira, hein! Prá tudo tu tens resposta.
— Mentira! Tu que é a enciclopédia ambulante.
— Mas eu não fico me deitando nos outros.
— Aí que tá a graça.
— Por falar em Graça, como vai a tua prima?
— Bah! Não sei. Faz tempo que eu não falo com ela. Desdaquela vez que tu tirou a roupa no Amadeus, só porque não tinha dinheiro para pagar a conta. Lembra?
— Como é que eu vou lembrar? Eu estava bêbado.
— Bêbado tava eu. Tu tava era trêbado.
— Falando trêbado, lá vem um.
Aponto então para o nosso companheiro tatuado, que vem se arrastando, o inigualável Naza.
— Tapaaado! — grita Evandro.
— E não vai sêêê! — responde o Naza.
— Afoxééé! — eu emendo.
— Saravááá! — ele replica.
Levantamo-nos e cumprimentamo-nos. E vai tapa nas costas, alisamento dos cabelos (bem mais para um escabelamento), abraços apertados e muitos apertos de mão.
— E aí? — me pergunta o Naza.
— Aqui nada, e aí? — retruco, apontando para o Evandro.
— Se nada é porque está folgado, e aí? — disse Evandro, devolvendo para o Naza.
— Tu tá me estranhando? Tu até parece que não sei! Pô gurizada, desde domingo à noite que a gente não se fala, apesar de ser segunda dez da manhã, há quanto tempo, hein? Tu nem sabe da maior. Ontem, depois que vocês foram embora, o Rã, a Merendinha, a Pandeiro e eu fomos pro meu apê e fizemos a maior orgia da minha vida. Era eu e a Pandeiro, o Rã e a Merendinha. Depois, eu e a Merendinha e o Rã com a Pandeiro.
— Ô Evandro, e nós só no punhal!
— Nós com as fichas e sem jogo.
— Não, e tem mais! — continuou o Naza.
— No meio do “dá-lhe para que te dê-lhe” não é que o Rã se soltou todo, começou a peidar e não parava mais. Todo mundo começou a rir e desistimos daquilo. Então começou a guerra: era a Pandeiro peidando dum lado, era eu do outro, no meio a Merendinha e o Rã. Tinha um que fedia, outro que só fazia barulho. Broxagem geral.
Risos gerais.
— Tá, — retruquei — onde é que eles estão?
— O Rã tinha curso, a Pandeiro saiu às duas e meia e levou a Merendinha com ela. Quando o Rã saiu me acordou para fechar a porta e eu não consegui dormir mais, muito quente. Então resolvi tomar um gelo com uns caras preza que nem voceis, meuss camaradas — explicou o Naza querendo dar uma chiada que nem carioca.
— Ô Filomena! Traz uma candibrina e um copázio pro Naza.
— A quantas vocês andam?
— Com essa que vem aí, meia dúzia — disse Evandro.
— Vamos até uma grade?
— E por que não? Só não podemos ficar que nem sexta, de abraço, empurrão e rolando no chão.
— Iiih, nem me lembra. Puta porre — falou Naza.
— Nem me lembra, Funil, já tava tentando me esquecer.
— E nós temos dinheiro para isso? Minha dívida da semana passada era de setenta contos e minha mãe não queria pagar, até que eu disse que ia morar com o meu pai se ela não pagasse — reagiu Naza.
— É o Funil que vai pagar hoje. Saiu o 13º dele.
— Peraí! Ontem eu paguei dois baurus, uma batatinha e meia dúzia de ampolas.
— Que preju, hein? — falou o Evandro. — Faz três semanas que eu venho te sustentando e tu nem liberou o brioco!
— Não, mas se quiser eu libero a mangüaça para Odete.
— Bah! — intervém o Naza — Muito papo e pouca ação. A Pochete já liberou-geral pro Funil e a Seqüela pra ti, Evandro, e até agora nada. Dois bundões.
— Tu fala isso porque tá de romance com a Pandeiro — retruquei.
— Que isso! Só bons amigos. Que se conhecem profundamente. Uns quinze centímetros pra dentro — terminou Evandro.
Nossas conversas eram sempre assim, muita gozação, muita deitação e muita ceva. Qualquer papo nos alegrava, principalmente mulheres e beberagem, claro que às vezes dávamos uma chance para o futebol, mas só quando havia uma derrota de um dos dois times da capital, Grêmio e Inter.
— Ô Filomena! Mais uma candibrina e mais um copo pro Fortaleza que tá chegando — disse o Naza.
— Fala aí, ô Matador — instiga Evandro.
— Todos vocês aí são tudo uns bunda-mole. Não tem um colorado nessa mesa aí — intimou-nos o alemão louco conhecido como Schuster.
— Pára com isso, Schuster, teu time ganhou a primeira depois de três derrotas consecutivas e do time mais fraco ainda — respondi.
— Só que o Grêmio perdeu pra esse time na semana passada — retrucou Evandro, surpreendendo a todos por nunca falar em futebol.
— Era só para dar uma chance para vocês, — falou o Naza — para ver se vocês saíam da turma dos desesperados. No meio do papo aparece uma colega nossa da PUC, Paty Bago, com seu namorado e ele trazia uma viola.
— Filô! Duas biritas e dois urinol — chamou o Schuster.
— Oi rapazes, como vão essas forças?
— E aí galera!
— Axé! — respondemos em coro.
— Olha, — recomeçou Paty — eu e o Amoreco estamos fazendo hoje dois anos de namoro e vamos fazer a maior festa na casa dele. Vocês estão convidados, mas só que têm que levar a bebida.
— Tá, mas já que trouxe a viola vai ter que tocar pelo menos uma meia dúzia de músicas — provoquei.
Então o Boiolinha, como era mais conhecido, começou a cantar com o nosso apoio na percussão e no coro, se bem que tava mais para uma matilha de cães uivando para a lua do que frades franciscanos praticando canto gregoriano. Depois da quinta música o sucesso já era total, então o Boiolinha resolveu cantar uma música da sua autoria. Após os aplausos Evandro não resistiu:
— Bah, tu tá perdendo dinheiro!
— Tu acha mesmo? — ele perguntou.
— Mas sem dúvida — disse Evandro.
— Eu já disse para ele procurar uns bares para fazer shows e o Amoreco ainda não quis — replicou a Paty.
— Só se for show de estripitize em bar gay, porque ele não toca um ovo, não canta um nabo e ainda por cima tem uma bundinha...
Saturday, July 09, 2005
reclame
Ganhou o mensalão e não sabe onde esconder?
Quer fugir do Brasil com o seu suado mensalão e tem medo de ser pego pela Polícia federal por evasão de divisas?
Não confia em guardar o mensalão na sua velha mala preta porque dá muito na cara — já não basta a sua cara de ladrão?
Seus problemas acabaram!A Jefferson & Jefferson Enterprises acaba de lançar as revolucionárias
CUECAS GESUÍNO!!!!
Parece com uma simples cueca comum, mas além de ser 100% algodão, é totalmente a prova de xeretas e raios-X, você pode esconder dentro delas até 40 pacotes e passar pela PF que ninguém vai te embaçar! No stress! É refratária, tem bolsos anatômicos, é confortável e vem em várias cores. Não pague mico! Passe um "paninho" na Receita federal! Fuja do Brasil com seu dinheiro sujo mas viaje bem, viaje com a nova, revolucionária e confortável CUECA GESUÍNO. Esconda as suas vergonhas - principalmente as financeiras - nas CUECAS GESUÍNO!
Não seja ratão! Não seja um loser! Use as genuínas cuecas GESUÍNO!
Quer fugir do Brasil com o seu suado mensalão e tem medo de ser pego pela Polícia federal por evasão de divisas?
Não confia em guardar o mensalão na sua velha mala preta porque dá muito na cara — já não basta a sua cara de ladrão?
Seus problemas acabaram!A Jefferson & Jefferson Enterprises acaba de lançar as revolucionárias
CUECAS GESUÍNO!!!!
Parece com uma simples cueca comum, mas além de ser 100% algodão, é totalmente a prova de xeretas e raios-X, você pode esconder dentro delas até 40 pacotes e passar pela PF que ninguém vai te embaçar! No stress! É refratária, tem bolsos anatômicos, é confortável e vem em várias cores. Não pague mico! Passe um "paninho" na Receita federal! Fuja do Brasil com seu dinheiro sujo mas viaje bem, viaje com a nova, revolucionária e confortável CUECA GESUÍNO. Esconda as suas vergonhas - principalmente as financeiras - nas CUECAS GESUÍNO!
Não seja ratão! Não seja um loser! Use as genuínas cuecas GESUÍNO!
Friday, July 01, 2005
O olho roxo do deputado

Bob Jeff é um cara de pau. Desde pequeno sempre quis engrupir seus amigos. Pedia uma bala para não contar aos pais as estrepolias que seus amigos faziam. Depois começou a trocar bolitas por favorecimentos no time da rua. Ele não era o dono da bola mas era o melhor amigo do CB Durão. Na escola, Jeff entreva à professora quem colova na prova se seus colegas não o ajudasse. Adorava trabalho em grupo porque não fazia nada, só que conseguia com que todos ganhassem nota alta. Diziam até que ele reunia uma grana dos colegas e molhava a mão de um funcionário para conseguir uma cópia das provas mimeografadas. Ele negava tudo depois que aparecia com nota 10 no boletim, apesar de não conseguir resolver as questões de matemática no quadro quando a professora pedia. Um dia foi pego colando na prova, porém garantiu que não estava colocando, foi o colega que não sabia como escrevia uma determinada palavra e ele só estava ajudando. Mas isso não convenceu a professora. Bob Jeff resolveu então então entregar todo mundo que colava e até quem não colava. Resultado. A professora simplesmente teve que fazer outra prova e anulou aquela. Jeff passou e até hoje ninguém sabe como.
Jeff virou deputado federal e advogado. Enriqueceu e continuou cara de pau. Hoje fica entregando os colegas de plenário sobre irregularidades financeiras. Dizem que ele ainda mexe os pauzinhos por lá e tira um dinheirinho por fora, o mensalão. Bob nem garante que é vítima, prefere apenas falar dos outros. O olho, ele jura, machucou procurando um disco de Lupicínio Rodrigues, Nervos de Aço (irônico, não), ao bater em um armário. Soco, nem pensar.
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