Tuesday, August 31, 2010

Eu & a Cyd Charisse


Cyd



Minha cadela Frida amanheceu doente, hoje. Ela estava estranha demais, a ponto de sequer me sorrir latindo com o rabo. Levei ela correndo no veterinário; na verdade, força de expressão, é uma veterinária. Uma morena de lábios provocantes e pernas longas, enfim, quase uma Cyd Charisse.

Ela tratou minha cadela com todo o amor e carinho. Ficou horas conversandocom ela, como se fosse capz de curar aquele pobre animal com sua voz doce e amigável. Depois, afagou a Frida, e explicou a ela (e a mim, mas à ela, principalmente) qual seria o procedimento a ser tomado. E eu fiquei ali segurando a Frida pela crina enquanto o soro corria veias afora. Depois, Cyd Charisse fez de tudo para que a vacina não fosse dolorosa: acariciava o pequeno dorso da minha pobre schnauzer,para que obicinhno entendesse que a aplicação era para o seu bem.

Em seguida, a Cyd liberou a Frida. Agora de tarde, ela quis saber como a Frida estava, e portanto me igou. Disse que ela estava bem, e então a Cyd recomendou várias coisas, naturalmente muitíssimo (como diria Augusto dos Anjos) preocupada para que a Frida convalecesse a contento e ficasse radiante e disposta novamente para correr e brincar, como é típico de um schnauzer.

Muito emocionado (estava meio emocionado por outras questões, essas que não tem nada a ver com o caso, enfim, eu me despedi), e desliguei. Mas mais tarde, ligeiramente perplexo, eu fiquei comparado o modus operandi da Cyd e a forma com que a gente é tratada por médicos em geral — em geral com uma íngreme frieza hospitalar para conosco e tal, daqueles tipo atendente do Beco dos Livros, que pergunta e responde sem ao menos olhar na nossa cara de espanto. Enfim. Depois de tudo isso, eu cheguei a uma conclusão conclusiva: da próxima vez que eu ficar doente, vou me consultar com a Cyd Charisse.

Tuesday, August 24, 2010

A morte e a morte de D. Vicente Scherer

Outro dia eu cometi um ato falho, estava falando dos desafetos do Nelson Rodrigues e,entre eles estavam o pensador católico Gustavo Corção, o fundador da AGIR Editora (e também pensador católico), Tristão de Atahíde e o Dom Hélder Câmara.

Não é o que eu iria dizer, ou por outra, ocorre que, ao citar D. Hélder, eu falei Dom Vicente Scherer. Ninguém sabia de quem eu estava falando, até que eu me dei conta que citava por engano o antigo Arcebispo de Porto Alegre (de 1947 até 1981) porque eu descobri que ele havia sido pároco na igreja São Geraldo (bairro operário da cidade), onde meus pais se casaram e este que voz escreve foi levado intrépida e galhardamente à pia batismal.

Mas depois me dei conta que o D. Vicente é uma figura hoje pouco lembrada (e pouco biografada), mas que, mesmo não sendo daqui (ele era de Bom Princípio), foi um dos mais ilustres e folclóricos personagens desta paisagem urbana. Claro que apenas peguei a deixa do meu execrável ato falho paraacrescentar um fato que tem mais a ver com o lado folclórico dele, e que muita gente acha que é lenda urbana.

A história é a seguinte. O Dom Vicente tinha um programa na Difusora toda terça, chamada A Voz do Pastor (ele assinava um artigo de fundo semanal com o mesmo nome na imprensa porto-alegrense, que seguiu no Correio do Povo mesmo depois da sua morte, em 1996, mas redigida obviamente pelo seu sucessor, e não por Dom Vicente in excelsis, vocês entenderam).

Como eu ia dizendo, o Dom Vicente falava nos microfones da Difusora toda semana e, de tanto ouvir a sua vóz fina e anasalada ("mistéeerios gozóooozos"), em pouco tempo, quase toda Porto Alegre sabia imitá-lo. Não era raro apareceram trotes de toda a espécie, sempre "protagonizados" pelo nosso "arcebispo" ao passo que a vítima, com efeito, temendo estar falando com o próprio Dom Vicente, ficava com medo de revidar. Ou não.

Ou não porque, certa feita, no fim dos anos 50, num domingo sonolento de sol, final de tarde, um pouco antes das seis, uma voz de mulher ligou para a então recém fundada rádio Guaíba.

— Pronto, boa tarde — disse a senhora — Eu sou a Madre Heloísa e estou ligando aqui da Cúria Metropolitana para informar, com grande tristeza, que o nosso querido arcebispo, Dom Vicente Scherer, acabou de falecer. Se por acaso os senhores desejarem mais detalhes, por obséquio, liguem para o Cônego Pedro Abelardo, número 5923.

Atônito e sob o impacto de receber aquela hercúlea bomba no colo, o redator de plantão foi confirmar o trágico sinistro (perdoem o pleonasmo. ou não). Atendeu o tal Cônego Pedro Abelardo, muito consternado:

— Sim, é vrdade — respondeu o clérigo. — Estamos muito consternados com tamanha infausta. Ele prostrou o seu deradeiro suspiro...

Num átimo de minutos, a Guaíba irrompia o éter com uma edição extraordinária do Corrspondente Renner (saudoso, diga-se de passagem) enquanto os sinos da Cetedral dobravam (a rigor, eram seis da tarde e eles sempre tocam às seis da tarde — ou não).


Uma hora depois, descobriu-se que era um trote, e que o Dom Vicente estava vivão. O então chefe da redação da emissora, Flávio Alcaraz Gomes, e o diretor da Guaíba, Arlindo Pasqualini irromperam do seu dia de folga para acompanharam o desenrolar dos acontecimentos quando ficaram também duplamente surpreeendidos com a tremenda bariga deflagrada pelo Correspondente.

Pasqualini queria triturar o pobre redator que caiu na pegadinha (embora tenha recebido confirmação embora fria, de qualquer forma, indesculpável, mas eram outros tempos românticos e floridos e dourados & isso hoje não acontece mais não é mesmo gnt). Como ia sobrar — e devia sobrar — para alguém, esse alguém foi o repórter.

Nesse meio tempo, durante a noite de domingo e a segunda inteira, a central de telefones da Guaíba foi infestada por trotes de gente ligando para tirar sarro da barrigada da emissora e, com efeito, imitando o jeito de falar de Dom Vicente...


Mas nosso herói não levou aquilo a sério como Pasqualini, que tinha a credibilidade do jornalismo da rádio a zelar. mas como um valor mais alto se "alevanta", como diria Camões, o nosso arcebispo soube da demissão do redator e, numa sublime missão de paz, decidiu ligar para a Guaíba para falar com o "capitão". Scherer queria que eles voltassem atrás, o perdoassem, em nome dos céus, e o reintegrassem à redação.

Dom Vicente liga para a Guaíba. Alguém atende. Ele fala:

— Alóooo, aqui quem fala é o Dom Vicéénte Scherer, eu queria rogaáar ao doutoóóór Pasqualini para que ele voltasse atrás e...

— Ora, vá à merda!

E desligou.

No dia segunte, surpresa: o Dom Vicente apareceu pessoalmente na sede da Caldas Júnior, para tratar do caso. Da entrada até a porta da Guaíba, no segundo andar, foi uma procissão de beija mãos e de "louvado seja Nosso senhor Jesus" até que Pasqualini o recepciona. Os dois se abraçam, o diretor beija a mão de Dom Vicente, que sorri para Pasqualini e dispara:

— Quer dizer que além de me matarem vocééés me ressusitam e ainda me mandam à merda, não é?

Friday, August 20, 2010

Uma taça e um sonho




Meu amigo Parsifal me mandou isso, ontem. Ele é colorado fanático, e tem mais ou menos a minha idade.

Ele me disse: "cara, me lembro quando o Inter foi campeão do Supercampeonato de 2002. Era o primeiro título desde, sei lá, acho que 1998",disse. Aí me falou que saiu com a camisa do clube na rua e ouviu de dois gremistas, na rua (minto, na fila da Biblioteca da PUCRS, ele disse). "Só porque ganharam esse campeonatinho tiraram a camisa do armário".

Quase se botou no autor do gracejo. Mas se segurou. Depois foi o drama do Brasileiro daquele ano, e falou daquele São Caetano e Inter, na última rodada: o Inter precisava de 3 pontos para a vaga na Libertadores e levou 5 em São Caetano do Sul.

O cara adoeceu, tava com o complexo de Vira-Latas incubado. Depois, a duras penas, veio aquele jogo contra o Boca, em 2004. Um desastre em Buenos Aires, a ilusão da reação no jogo de volta. Goleiro do Inter sofreu um gol sintomático, de clube que tem sapo enterrado. Bola bate nas costas dele e entra. Azar de perdedor. Me disse que sempre que saía na rua, um gremista amigo dele inticava: "ão ao ao, só ganha gauchão!".

disse que a saída do jogo era um misto de orgulho por disputar uma parelha numa partida de caráter internacional e de frustração. Ele disse que sacudiu um amigo na frente do Celeiro de Ases, sentpu no meio-fio e chorou lágrimas de esquicho.

"Porra, cara, essa é a nossa diferença deles! Quando a gente tava em baixa, eles aproveitaram e chegaram no topo. Quando eles estão em baixa, o nosso time não sabe aproveitar! É o time do quase mesmo, droga!". E as lágrimas caíam para os lados, como um filme mudo. Era a imagem do palhaço da ópera.

Veio 2005 e e Campeonato Roubrasileiro. E a anulação dos jogos. "pora, mas como pode?", ele dizia, crispado de espanto. Fim do ano, ele, putíssimo, berava: "porra, cara, roubam a gente daquela maneira e essa direção de merda fica comemorando os 30 anos de 75. mas o que é isso? Prêmio de consolação era uma Libertadores. Mas era tanta injustiça que o limão ia virar limonada.

Ia porque o Inter era favorito e perdeu o Gauchão mais ganho de todos os tempos e em casa. Veio a Libertadores e o resto todos sabem. Mas, como dizia o Sinatra, o melhor ainda estava para vir.

Problema era o complexo de vira-latas — diz ele mas, como qualquer torcedor, ele entende que até é uma hipótese plausível. O xis da questão era entender como o clube conseguiu superar o doloroso estigma de ser o time "do quase" e de viver do passado só para elaborar tudo como um ciclo que acabou. É um problema de muitos times, independente da torcida. Nelson Rodrigues tecia inúmeras tesas sobre isso, principalmente quando ninguém imaginava que fosse possível colocar o futebol no divã. O sapo era psicológico.

Mas o engraçado foi ver o cara ontem. Tava todo de vermelho, com uma lata de cerveja, e vivendo numa espécie de transe, de mundo paralelo. Parecia que tinha visto a face de Deus na sarça de fogo e havia descido do monte com as tábuas da Lei. E a sua cabeleira tinha um quê de bíblico, de Moisés de Cecil B. de Mille.

Ele nem acredita. Ninguém acredita, mas tanto faz. só sei que largou o psiquiatra. E o Internacional definitivamente também. É aquela coisa; se a história tem um fim, ela tem que terminar com uma taça e uma volta olímpica. a explicação que fique para os deuses do futebol. "Se a bola bate nas costas do goleiro hoje, ela sai prá escanteio", ri o meu amigo Parsifal. Ele bebia a cerveja com uma sede brutal e ria pelos cotovelos feito um fauno,feito a Laranja Irritante. A cerveja saía pelo nariz dele.


Ah, ele disse que achou o cara que tirava onde dele. O Parsifal olhou para o sujeito de alto a baixo, bateu no distintivo da camiseta e bradou: "ão, ao, ao, só ganha gauchão!!!!!".

Thursday, August 19, 2010

Tuesday, August 17, 2010

Saturday, August 14, 2010

O pinguim do Marcelo


O nosso principal redator é torcedor de um grande time da Capital gaúcha ao mesmo tempo que torce para o crescente alvianil da zona norte, o São José. E sempre que vai para o estádio do Passo D'Areia, o Marcelo tem que fazer paradas estratégicas no decorrer do percurso em bares e similares para poder reabastecer-se. O nível etílico dos integrantes da Redação do Pato Macho é similar ao do álcool farmacêutico, por volta do 96% do volume. Quando o Marcelo faz esse percurso, se exagera na dose, uma coisa bastante comum, costuma a sumir por uns dias. Já aconteceu dele aceitar convite de um padre que estava tomando um pouco de vinho numa cantina e o Marcelo parar no seminário de Viamão para um retiro espiritual. Quando passou o efeito do álcool, o escriba pato-machense se deu conta que vestia um manto marrom com uma corda à cintura e sandálias de couro.
Noutra ocasião, o nosso redator acordou sendo lambido pelas águas achocolatadas do mar tramandaiense. Assim, encontrei o nobre escrivinhador de mão dada com um pinguim w perguntei:
- Ô, Marcelo, o que tu faz com esse galináceo antárctico?
- Não sei bem, encontrei o bicho na avenida Beira-Mar, em Tramandaí no domingo de tarde. Nem sei como fui parar lá, mas se não me engano, estava tomando uma candibrina com um índio charrua no sábado à tarde, ou guarani, não lembro direito, e ele precisava que eu ajudasse a erguer uma paliçada ali perto de Santa Terezinha ou Imbé. Chegando lá ele me deu um cauim para tomar e comecei a ver elefante cor-de-rosa voando. E saí caminhando em direção ao mar para ver se a água gelada curava aquela viagem. Encontrei o Bob Esponja e o Patrick caçando água-viva e o Lula Molusco tocando flauta. Saí caminhando pela beira da praia e atravessei o rio Tramandaí a nado. Adormeci na areia e acordei na manhã do domingo com o sol rachando na minha cara. Vi o pinguim parado ali, me olhando. Como eu achei que ainda o cauim estava fazendo efeito, peguei o bicho pela mão e fui pedir carona na ponte de Tramandaí. Cheguei agora à pouco e não sei o que fazer com o bicho.
- Tchê, mas leva o pinguim pro zoológico! - disse embasbacado com a história que o redator do melhor jornal do sul do Brasil acabara de contar.
Passou uns dias e nada do Marcelo aparecer na redação do Pato Macho.
No outro domingo, ao passar de carro pela avenida Assis Brasil, encontro o Marcelo de mão dada com a ave do polo sul.
- Pô, Marcelo, não levaste o bicho pro zoológico?
- Levei, tchê. Ele gostou muito. Agora tô levando ele para ver um jogo do grande Zequinha. Acho que ele vai gostar.

Imagem do Dia

Friday, August 13, 2010

Pirulito & Sabonete



— Cadê a neve, que a previsão do tempo prometeu?
— Neve, porra? Cadê o aquecimento global??

Wednesday, August 11, 2010

Vários Alemães




Depois que inventaram megastores, feiras de livros (como a Feira do Livro de Porto Alegre) se tornaram coisas tão arcaicas & superestimadas como, por exemplo beber chimarrão (podem achar a coisa mais tr00 cevar mate mas é algo ostensivamente paleolítico). Feira doLivro de Porto Alegre é ou para beber cerveja ou para cruzar. Digo isso porque a maioria delas possui um espaço para leitura que a maioria das bibliotecas do Brasil (que não tem bibliotecas) não tem. ALIÁS, eu já li vários livros nessas megastores. Se o senhor ou a senhora não têm o que fazer & também não têm dinheiro, bote a fatiota & vá ler um livro numa poltrona de megastore. E além do mais, se querem saber,essas super livrarias não foram feitas para vender livros, também, foram para encher de gente sem dinheiro & desocupada folheando revistas, já que ninguém mais compra revista mesmo, e quem compra é doente. Aceitem (entrementes, falaram que a Feira do Livro de Porto Alegre vai acabar. Pelo naipe de patronáveis, é bom que acabe o quanto antes mas enfim isso fica para um próximo post).

Enfim, não era isso o que eu ia dizer aqui. O problema é que existem livros interessantes, a ponto de fazer a gente lê-los. O preço é que ferra tudo. Por exemplo. Sexta eu tava folheando na Edipuc o livro Varig - Eterna Pioneira, do Joelmir Beting. Quase levei (BRINKS não tinha dinheiro nem para o ônibus de volta). E as fotos (mais de 400) são fantásticas. Como eu ia falar com um compadre lá na Universidade e ele ia demorar uma hora para chegar lá, eu simplesmente pedi licença ao pessoal & li o livro lá mesmo. Agora o bom do livro são as fotos. Sempre que eu passo na Edipucrs eu folheio o livro, vejo o Salgado Filho nos 'tempos mais primórdios'. Nada mais bizarro do que ver o Salgado Filho antes de levar o nome, e aquela vista maluca da Igreja São João reluzindo de nova ao fundo...

Divertido mesmo ver aquelas histórias dos primeiros pilotos com voos para Quaraí. Parece com aqueles relatos dos livros do Exupéry. Um dizia que quando o blend de carvão sumia, era porque eles estavam passando São Jerônimo e a Serra, rumo à Campanha. O piloto dizendo que todos eles devem ter um bom fato. Ou se eles sobrevoassem em rasante nas reses em determinado trecho e elas não se assustassem, era porque elas estavam acostumadas e logo, estavam na rota certa. Ah, o empirismo.

Ou quando a cidade parou quando a Varig (que era chamada de Vários Alemães Iludindo Gaúchos rsrs) comprou o primeiro Constellation e criou a rota para Nova Iorque. Depois a era dos jatos nos anos 60, as grandes rotas ao Oriente O auge foi quando eles pegaram as rotas da Panair, na época da Revolução, ali era o APSE, foi quando surgiu aquela campanha publicitária que até hoje a gente vê no You Tube, do tucano de Ray-ban e do jingle de fim-de-ano, nostalgia pura.



Aliás, eu sou do tempo do caviar da Primeira Classe. Meu pai aparecia em casa de viagem com aquela maletinha bege da Varig com aquela comida de plástico ruim de doer dentro. Óbvio que ele não comia aquele rango de terceira, ele não ia na Primeira Classe, ele não era funcionário estatal, bem feito.

Tem a história de que, quando ela faliu, em 2006, provou do mesmo veneno que destilou na Panair. Depois que a Panair foi tirada do ar pelo Governo Militar, a Varig virou praticamente uma estatal por mais de duas décadas, quando foi o auge, em detrimento da falecida. Mais ou menos o que aconteceu com relação à Globo, os Diários Associados, na mesma época. Como dizia Groucho Marx, tudo o que é sólido se espatifa no ar.

O livro é Varig, Eterna Pioneira, do Gianfranco & do Joelmir Beting, Edipucrs. O preço eu fico devendo, mas tá caro, mais de R$ 200 por aí (olha o preço, mesmo que tenha que custar isso mesmo). Azar. Afinal de contas, isso aqui não é resenha de livro, e não é para comprar, é para ir em qualquer megastore e ler de graça, mesmo. Mas na Edipucrs eu garanto que o cafezinho é de graça.



PS: Engraçado é que a Varig era azul, branca e preta, foi fundada por alemães e começou a decair ali por 2004. Engraçado, não é mesmo? Se você não achou engraçado, então você é gremista.

PS: GINGLE é de **der ¬¬

Tuesday, August 10, 2010

Desculpas Esfarrapadas

Se você não quer se submeter ao humor alheio ou a situações constrangedoras/desagradáveis/de risco ou não está em dia com a Funai (ou quer saber A VERDADE POR TRÁS DOS FATOS), eis aqui um valioso guia de desculpas esfarrapadas.


- Sofri uma pequena luxação e não pude sair de casa
- Tô com problemas na ciática, sem chance
- Não foi o quer você havia me dito
- Minha glicose está alta demais
- Minha glicose está baixa demais
- Minha glicose (coloque aqui qualquer coisa relativa á sua glicose)
- Eu apertei a campainha e ninguém atendeu, não vi nenhuma luz acesa e fui embora
- Eu fiz tudinho coimo a senhora mandou, ficou perfeito, mas esqueci em casa
- Meu irmão tem Down e comeu o meu trabalho, professora
- Eu não te esqueci
- Eu não te esqueci, eu estou passando por problemas pessoais
- Eu andei fora de Internet
- Minha Internet é 500k
- Não tenho Internet
- Eu posso, eu sou homem
- E eu por acaso sou guardião do meu irmão (essa foi a primeira, tá na Bíblia)
- Me esqueça, eu sou uma merda
- Eu não sinto por você o que você sente por mim
- Tive que pegar minha avó no Aeroporto
- Lá na loja funcionou
- Já tava tudo assim quando eu entrei em casa
- Eu não posso, eu sou evangélico
- Eu não posso, eu sou adotada
- Eu não sou assim, eu tava bêbado
- Achei que era para a sexta que vem

Aviso aos Navegantes



Essa foto,como vocês pode ver muito bom, é da redação do Pato Macho depois da Copa do Mundo. Pessoal saiu para comprar um fardinho de cerveja e cigarros & não voltou mais. Como já se passou um mês & a vida não pára, tiveram que me chamar da Pinel, lá dos altos da avenida Santana para o mundo, a fim de tirar a camisa de força deste escriba que vos fala, onde ele se encontrava amordaçado, taciturno & ermo de pensamentos em suas planícies de tédio desde fevereiro do ano passado, para retomar o projeto do Pato Macho de escovar a contrapelo às iniquidades da sociedade mundana do Rio Grande intelectualóide, pequeno burguês, limitado, contido, ignorante, colonizado, patrulheiro, agonizante, dogmático, meio século de atraso, etc.

A verdade por trás dos fatos (& vice-versa): nosso editor-chefe (vulgo Nildo Foster Kane) anda muito ocupado cuidando de sua cadeia de jornais aqui no O SUL É MEU PAÍS NOT & sendo muito bem subvencionado para tanto, o que fez com que o Pato Macho, este devezenquandário seminal do jornalismo sul-riograndense, ficasse ACÉFALO. Até que — eis que, com seu melhor & mais insígne (& único) repórter (oi) decidisse dar um GOLPE DE ESTADO no jornal. Agora é a linha dura & quem não marchar direito vai preso pro quartel, fik dik.

Aproveitando que tudo estava nesse clima de fim de festa, às moscas (nem às moscas, porque nem elas tinham o que fazer aqui, afinal, cinco posts em um ano é pior que lanterna do Brasileirão NOT), este que vos fala (eu) instaurei uma personalíssima & sanguinolenta DITADURA no jornal. Agora este escriba, ante o estado das coisas, decidiu concentrar todo o poder deste jornal: Sou o EDITOR, o secretário de redação, o repórter, o contínuo, porteiro, o folhetinista, o tio do cafezinho, o copidesque, o tiozinho da taxação, o editorialista, o colunista social, o foca, o rábula de porta de vestiário de clube de futebol, office-boy, enfim, O ESTADO SOU EU.

Mas enquanto os remédios controlados não acabarem & eu não tiver que voltar para as catacumbas macias & alcolchoadas da avenida Santana, é a vida que segue. & como diria aquele cartola de futebol tri engraçado, vamos mudar não mudando mas, se as coisas parecerem surreais por aqui, culpe os remédios controlados e chame a Pinel q

Thursday, May 06, 2010

O Menino Prodígio



Era um desses meninos modelos. Desses, é modo de dizer, pois nunca existiu outro igual. O seu primeiro choque com o mundo foi com o próprio pai. Estava um dia brincando com um trenzinho, fazendo barulho, enquanto o pai lia. De repente, o pai gritou: “Pára comisso, menino”. Ele parou, olhou para o pai e disse: “Talvez, meu pai, um outro menino da minha idade perguntasse por que o senhor dá essa ordem, eu não, obedeço e pronto”.

Outra feita, subiu numa escada-de-mão para tirar mangas de uma mangueira. A escada escorregou no tronco da érvore mlhada e lá veio ele ao chão, num tombo perigoso. Ficou caído,todo machucado, enquanto a mãe se aproximava, chorando e gritando. Levantou-se e disse: “minha mãe, espero que isso me sirva de lição”.
Às visitas, ele se apresentava rapidamente sempre que sua mãe o chamava.

Para não embaraçá-las, dizia logo: “realmente estou muito crescido, não estou? Agora posso retirar-me para brincar láfora e não perturbar a conversa das senhoras”.
Certa vez saía de casa para ir ao cinema. Sua mãe ajeitou-lhe o laço do sapato. Ele disse, olhando a expressão do rosto dela: “realmente a gente tem um filho, cria-o com tanto carinho e logo ele tem atitudes e vontades próprias. Isso é muito triste, a senhora não acha?”.

Quando falavam qualquer coisa de mais sérioou picante na frente dele, ele se levantava, pedia licança para se retirar: “os senhores sabem; eu ainda não tenho idade para ouvir certas coisas."

Quando o pai lhe dava dinheiro para comprar livros ou divertir-se, comentava invariavelmente: “na minha idade o senhor já ganhava vida sozinho".

Se surpreeendia com a mãe trabalhando fora de hora, não se esquecia de dizer: “Oh, a senhora trabalha como uma escrava para sustentar-me e a verdade é que eu nunca vou reconhecer isso".

Quando se esquecia e discutia um problema, voltava logo a si e ordenava-se: “Bem, e agora crio que a senhora não quer ouvir mais nenhuma palavra sobre esse assunto".

Se errava, dizia ao pai: “na verdade, não sei o que está acontecendo com os meninos da minha idade. No seu tempo não era assim".

Ou então: “realmente já não tenho idade para fazer isso".

Ou ainda: “nunca serei nada na vida se continuar assim".

Quando entrou para a faculdade disse aopai: “o senhor nunca teve as oportunidades que está me dando”. Quando teve o seu primeiro amor falou a ambos, pai e mãe: “acho que estou numa idade crítica".

Quis casar cedo, mas reconheceu-o diante da progenitora: “sim senhora, depois de todos os sacrifícios que a senhora fez por mim".


Era um cínico ou era um sábio.

Millôr Fernandes. In: Lições de um Ignorante, 1963.

Tuesday, March 02, 2010

Camisa do Charlie Brown na Eslovênia



Foi o Ivan Capelli que chamou a atenção. Coloco aqui só para deixar o registro, mas ele tem razão. A Eslovênia vai usar a camiseta de Charlie Brown na Copa.

Friday, January 29, 2010

Monday, September 07, 2009

Os problemas de Maradona


"Aquela mulher não fez as unhas como eu pedi"

"São só 15 minutos de jogo e já estou no último dedo"

Brasil x Argentina


De novo.

Thursday, June 25, 2009

2 a ZERO dos IANQUES



Nada mal para o pessoal do país do FUTEBOL DE ALUGUEL.

OLÉ!

Monday, June 15, 2009

... cem anos de perdão.

Como diz o ditado.
Tá no Correio do Povo, na página 2.

Thursday, May 21, 2009

Nova camisa do Grêmio vaza na Internet


Donald e a nova camiseta

As fotos do novo uniforme do Grêmio para o Brasileirão já circulam pela web afora – assim como aconteceu no início do ano, com as camisetas lançadas para a Taça Libertadores. Há mudanças significativas em relação ao usado nos dois primeiros jogos do campeonato e à camisa da competição sul-americana. A principal delas está na gola. A Puma, fornecedora do material esportivo, adotou para esta temporada como padrão um desenho diferenciado para a gola das camisetas que desenha.


O vice de marketing, César Pacheco, disse que está estudando a possibilidade de trazer o Pato Donald à Porto Alegre para divulgar o novo uniforme tricolor.

Thursday, May 14, 2009

Pirulito e Sabonete


- E as denúncias contra a Yeda? Vai acabar em impeachment?
- Não sei, só sei que a Luciana Genro voltou a assinar a Veja...

Wednesday, April 01, 2009

BOTERO! BOTERO!



GOL DE BOLÍVIA!! GOL DE BOLÍVIA!!! BOTERO!!! BOTERO!!! BOTERO UN PERU RASGANDO EL C***O DE AR6ENTINA!!! GOL DE BOLÍVIA!! GOL DE BOLÍVIA!!! GOL DE BOLÍVIAAAAAAAA!!

Thursday, March 26, 2009

Friday, March 20, 2009

Pois é



Depois gaúcho é que é viado.

Tuesday, March 17, 2009

Pirulito e Sabonete


- Descobriram afinal de contas por que o taal do Mário Fernandes sumiu para se apresentar no Grêmio?
- Parece que contaram que ele ia ter que marcar o Taison e o Nilmar, no próximo Gre-nal...

Tuesday, March 03, 2009

Grandes "tilts" cerebrais

Comer bagana de cigarro porque confundiu o cinzeiro com o pratinho de azeitonas
Fazer a barba pela metade ou deixar uma penugem embaixo no nariz
chamar o elevador, abrir a porta sem olhar e entrar no teto da cabine que, por sorte, está estacionada no andar de baixo
Jogar roupas de baixo no lixo
Entrar ana dispensa achando que é o banheiro
Fazer xixi no lixo
Entrar na fila da comunhão achando que é a fila de exéquias à família de conhecido falecido e constatar ao receber a hóstia que está na igreja errada
viajar de carro pelo interior durante enorme tempestade, sofrer violenta derrapagem e seguir em frente, indo parar no ponto de partida
parar o carro numa porteira, no campo, esperar o companheiro de viagem ir abri-la, para depois seguir sozinho, deixando o indivíduo à própria sorte
Vestir roupa nova sem tirar a etiqueta do preço, ou da gola da camisa a armação de cartolina
Comer feijão, não escovar os dentes e depois passar a tarde sorrindo com um dente preto para todos
Se despedir da vizinha cujo amarido se chama Constantino e amandar lembranças ao Nabucosonosor
Entrar no chuveiro de óculos
Deixar o controle-remoto na geladeira
Deixar a cafeteira na geladeira
Sair de manhã de óculos escuros e voltar para pegar o guarda-chuva, por achar o tempo escuro demais
Se distrair ouvindo futebol no rádio ao pilotar uma lancha puxando um esquiador e só notar a perda deste uns vinte minutos mais tarde
Chamar o convidado de gala vestido de summer jacket de garçom e lhe pedir champanha
Descer do táxi com a esposa numa esquina movimentada e, depois de pagar, sair de braço dado com um travesti que ali fazia ponto
Acender cigarro pelo filtro
Jogar aa banana no lixo e ficar com a casca na mão
Jogar a clara e a gema do ovo no lixo e pôr a casca para fritar
Usar com a esposa de alto oficial da polícia militar a expressão "quem gosta de apanhar é mulher de brigadiano"
Sentir cólica intestinal num restaurante da moda, correr ao banheiro temporariamente sem luz, aliviar-se no escuro evitando, por nojo, sentar no vaso e só depois perceber que esquecera de levantar a tampa
Em vez da bolsa, sair com a chaleira debaixo do braço
Procurar óculos ou chinelos usando-os
Sair de casa sem calcinhas e só se dar conta quando pretender puxá-alas de volta, no banheiro de uma loja do shopping-center
Entrar no carro no fim de semana e distraidamente ir parar na porta do trabalho
Fazer Nescau com água
Servir sopa em prato raso aos perplexos convidados
ser enfaticamente recomendado a não esquecer o guarda-chuva e chegar em casa com dois deles
Combinarem duas a realização de chá caseiro e, na hora aprazada, uma dirigir-se à casa da outra

Sunday, March 01, 2009

Pirulito e Sabonete


- Que tal o cafezinho, domingo?
- Muito bom! Ainda mais acompanhado com os brioches que o Celso Roth mandou para a gente saborear junto.

Saturday, February 28, 2009

Joaozinho da Bahia

No começo da década de 50, o melhor conjunto vocal em terras brasileiras se chamava Quitandinha Serenaders. O grupo nasceu pelas mãos do lendário produtor musical Carlos Machado, e era formado, em sua maioria, por gaúchos. Ele os batizou assim quando elas cantavam no também lendário Hotel Quitandinha, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, no tempo em que o estabelecimento era um cassino (os cassinos foram fechados durante o governo Eurico Dutra, em 1946). O fim da jogatina transformou o fumacento cassino em um hotel sóbrio. O conjunto deixou Petrópolis rumo às boates do Rio de Janeiro, mantendo o mesmo nome.

O grupo era formado pelos gaúchos Luís Telles, os irmãos Paulo e Alberto Ruschel (ator do filme O Cangaceiro), Francisco Pacheco e Luís Bonfá (pai de Marcelo Bonfá e autor de clássicos como Gentile Rain e Manhã de Carnaval). O líder era Luís, homem bondoso e timorato. Morando na capital federal, Telles participava do ambiente musical daquele tempo, da boemia carioca e, como não poderia deixar de ser, a rádio Nacional. Também conheceu grandes figuras da época: Assis Valente (Brasil Pandeiro), Paulinho Tapajós, o estreante João Donato (de A Rã) e Bororó, entre outros.

Um dia, ele conheceu um jovem de vinte e quatro anos, chamado por todos como Joãozinho da Bahia. Joãozinho era um guri contemplativo, muito sensível, tinha excelente memória musical e tocava violão. Através de amigos, descobriu que o rapaz não tinha dinheiro, nem trabalho e poucos amigos. Andava pelas boates de Copacabana, mas não entrava nelas (não tinha dinheiro). Ficava na calçada mesmo, cabelos quase caindo nos ombros, barba de semanas e roupa amarfanhada. Não podia voltar para casa, não conhecia ninguém que morasse em outra cidade.

O músico dos Serenaders descobriu também que o estado de Joãozinho era devido ao uso constante de maconha, que era fartamente distribuída pelas noites cariocas. Decidiu tirar o menino daquela situação terrível, levando-o para conhecer os ares de Porto Alegre, da próxima vez em que fosse desembarcar na capital gaúcha. Também convidou o rapaz para participar do Quitandinha, embora ele nunca fosse realmente um membro do grupo. Também conseguiram para o baiano um teste de voz e um contrato num clube noturno, mas ele recusou ambos, mais por ser tímido e exigente demais.

Acabou ficando todo o começo de 1955 em Porto Alegre. Luís Telles hospedou o guri no luxuoso Majestic (hoje tombado como centro cultural). Tão logo se adaptou ao hotel, Joãozinho começou a chamar a atenção de mensageiros, telefonistas, camareiras, hóspedes e até os proprietários do lugar. Todos ficaram encantados coma sua fineza e com o seu talento ao arranhar, distraído, um violão. Telles também arrumou apresentações perto dali, no bar Farolito, na mesma rua do Majestic, numa esquina da avenida dos Andradas. Levou o menino também ao Clube da Chave que, na época, era bastante freqüentado por não ser um bordel, como a maioria dos inferninhos existentes na capital.

Com o tempo — e por causa de Luís, todos na cidade o chamavam, simplesmente, de Joãozinho. Um dia, João não quis tocar. O violão emprestado tinha cordas de aço. Aturdidos, fizeram uma vaquinha e lhe arrumaram outro, novamente reprovado pelo jovem baiano. Com o novo “pinho”, desta vez, aprovado pelo guri, Telles levou o músico iniciante por todos os lugares: em programas de auditório, botecos do Mercado Público e o afamado (termo que se dizia então) Clube do Comércio, que era freqüentado pela fina flor da boemia bem vestida de Porto Alegre.

Magérrimo, quase alto, quase médio, já sem aquele cabelo de esquizofrênico e barbas de poeta beat, o baiano dormia muito pouco. Passava o dia no quarto do hotel, tocando violão e comendo bergamota (tangerina). As arrumadeiras do Majestic sempre se deparavam com inúmeras cascas da fruta pela cama. Tontas, descobriram que se tratava de um padrão: todo dia ele fazia isso. Achavam que o hóspede estava ficando maluco, mas ele explicou, depois. Ele colocava as casquinhas ali para que as formigas viessem lhe fazer companhia. Todo fim de tarde, vestia o seu único e fora de número (curto demais) casaco (na verdade, um sobretudo Príncipe de Gales emprestado por Telles ao seu pupilo) para se apresentar ou encontrar conhecidos, quando a boca-da-noite se abria nas portas de vai-e-vem dos bares. Quando precisou de um smoking, lhe conseguiram um — curto também. Ao se ver no espelho, apenas disse:

— Rui Barbosa.

A opinião dos seus ouvintes era sempre a mesma. O jovem demonstrava ser um virtuose em seis cordas, e conhecia uma quantidade exorbitante de músicas — algumas conhecidas, outras nem tanto, em sua maioria compostas por seu ilustre patrício, Dorival Caymmi. Contudo, a platéia não entendia como ele era capaz de descaracterizar as notas coloridas e dissonantes do violão de forma tão singular quanto inédita, naquele lugar. Alguns especialistas e conhecedores de música, como o pianista Armando de Albuquerque, notaram que ele tocava sob influência de um ritmo que era estranho aos ouvidos brasileiros: parecia um misto de Stravisnky com Be-Bop. Se Joãozinho decidisse tocar uma de suas preferidas, “A Primeira Vez” (Bide-Marçal), sucesso de Orlando Silva, ou “Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda” (Lamartine Babo), o resultado era algo muito diferente e mais intimista do que as originais. Mesmo criticado, ele conseguiu um fiel grupo de admiradores.

Falando em Orlando Silva, ao contrário do seu ídolo, Joãozinho tinha uma voz diferente do “Cantor das Multidões”, embora ainda guardasse ecos ao que se refere à empostação e os vibratos muito bem cuidados. Sempre precisava de microfone, mas não mudava a emissão de voz, sempre pequena, baixa, calculada, sem emoções exacerbadas, mesmo nos momentos cruciais. Às vezes, arriscava um Augustin Lara (“farolito que alumbras somente mi calle deserta”) arranhando um espanhol incompreensível de tão abaianado. O acento nordestino do rapaz também era o algo a mais que o transformou numa pequena lenda pelas noites da capital gaúcha em meados dos anos 50.

Tempos depois, o baiano Joãozinho sumiu, de forma tão discreta quanto apareceu pela primeira vez aos olhos do pessoal do Clube da Chave, num longínquo janeiro de 1955. Seus amigos se espantaram com a ausência repentina. Nunca mais se ouviu falar do lendário jovem do nordeste, que encantava a assistência dos botecos de Porto Alegre como um Paganini em voz e violão. Nunca mais se soube que fim tivera o guri de Juazeiro, de sotaque peculiar e de modos esquisitos. Eventualmente, ele aparecia em rodas de conversa, no Largo dos Medeiros, no Centro, em frente à antiga Confeitaria Central. Perguntavam sobre Joãozinho. Alguém ao ouviu falar a quantas anda o Joãozinho? Nada, ninguém sabia o que aconteceu com ele.

Em meados de 1958, alguém jurou ter escutado uma voz parecida com a do violonista baiano. Meses depois, em março do ano seguinte, o long-play com o dono daquela voz apareceu. Entrou na loja de discos e reconheceu o mesmo rosto, num disco que fazia o maior sucesso no centro do país, principalmente São Paulo. Um grupo de admiradores de Joãozinho se amontoou na vitrine. Ouviam, reouviam, se entreolhavam, e não sabiam se acreditavam: é ele? Pediram para ouvir o álbum, com cuidado. Ao prestarem atenção na batida sincopada do violão, a mesma divisão de frases. Todos foram unânimes. Era Joãozinho mesmo. O que os confundiu foi que o intérprete do disco de selo Odeon se chamava João Gilberto, “com Antônio Carlos Jobim e Orquestra”.

O disco era Chega de Saudade, e que lançou a Bossa Nova para o Brasil e o mundo.


A capa

Friday, February 06, 2009

O último concerto de rock



The Last Waltz (O Último Concerto de Rock) é o último registro ao vivo de uma banda chamada A Banda (The Band), um filme de Martin Scorsese, feito em 1976 e lançado em 1978. A obra retrata o fim anunciado de uma banda de rock que cansou de ficar viajando e tocando em vários cantos do mundo, principalmente Estados Unidos, Inglaterra e Canadá. Para a apresentação, o guitarrista e cantor Robbie Roberson convidou vários músicos conhecidos para a filmagem ter êxito. Martin Scorsese, inclusive, abandonou outra filmagem para fazer o registro (as más línguas dizem que a grande quantidade de cocaína que havia nos bastidores foi um grande incentivo, assim como para os muito músicos convidados). Estavam lá Muddy Waters, Paul Butterfield, Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison, Dr. John, Neil Diamond e Eric Clapton. O DVD tem um extra feito em 2002 que traz entrevista com diretor Scorsese e com o produtor Roberson, que revelam várias coisas sobre o projeto. O diretor diz que trabalhou de graça, tal a limitação do orçamento.
Destaque para as apresentações Muddy Waters e Neil Young, mas como diz o blog, gosto é gosto, porque tem gente que vai achar melhor a apresentação de Eric Clapton e outros que vão gostar mais de Bob Dylan ou de Neil Diamond.
A The Band (fica engraçado colocar um artigo na frente de outro artigo, mesmo sendo em outra língua) tinha uma particularidade interessante, todos os integrantes eram cantores, algo raro nos conjuntos de rock. E, no show, cada um tem o seu momento de solar. A Banda era formada por Rick Danko (baixo e vocal), Levon Helm (bateria e vocal), Garth Hudson (teclado/órgão), Richard Manuel (piano e vocal) e Robbie Robertson (guitarra e vocal). As músicas eram na sua maioria da Band, mas os convidados cantaram suas próprias composições. Apesar de não ser muito conhecida, a The Band era uma bela banda de folk rock, daquelas que mistura blues, country e rock. Ela era a banda de apoio de Bob Dylan e de Ronnie Hawkins, mas preferiu trilhar um caminho próprio.
Este é um dos filmes musicais de Scorsese, que recentemente fez Shine a Light com os The Rolling Stones, como New York, New York e Martin Scorsese Presents The Blues - A Musical Journey. Vale a pena ver e ouvir este filme.



Filme: The Last Waltz - O Último Concerto de RockDiretor: Martin ScorseseProdutor: Robbie RobertsonElenco: The Band, Muddy Waters, Paul Butterfield, Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison, Dr. John, Neil Diamond e Eric ClaptonNa internet: http://www.imdb.com/title/tt0077838/
Song Listing (Guest):
1. Don't Do It
2. Up On Cripple Creek
3. The Shape I'm In
4. Who Dp You Love
5. It Makes No Difference
6. Such A Night (Dr. John)
7. Helpless (Neil Young)
8. Stage Fright
9. The Weight (The Staples)
10. The Night They Drove Old Dixie Down
11. Dry Your Eyes (Neil Diamond)
12. Coyote (Joni Mitchell)
13. Mystery Train (Paul Butterfield)
14. Mannish Boy (Muddy Waters)
15. Further On Up the Road (Eric Clapton)
16. Evangeline (Emmy Lou Harris)
17. Ophelia
18. Caravan (Van Morrison)
19. Forever Young (Bob Dylan)
20. Baby Let Me Follow You Down (Bob Dylan)
21. I Shall Be Released (All with Ringo and Ron Wood)
22. Theme From Last Waltz

Tuesday, February 03, 2009

O Brasil de Pelotas está Vivo


E pensar que o Danrlei começou o ano salvando o Brasil.

Wednesday, December 10, 2008

Thursday, November 20, 2008

Coisas idiotas que a gente faz

- Se declarar via depoimento do Orkut
- Ouvir música para alavanc-ala no Lastfm
- Cronometrar comerciais de TV pra ver se eles duram 15', 30', 45'
- Depois de encharcar o banheiro na saída do banho, enxugá-lo com papel higiênico, pra mamãe não suspeitar nem se chatear.
- Jogar gol a gol sozinho no apartamento com a camisa do clube e narrando o jogo
- Iniciar um download à 1h30 da manhã, para ter pretexto pro computador ficar ligado durante a madrugada
- Ficar tentando imaginar o que as pessoas (aleatórias, evidentemente) fazem, onde vivem, o tipo de vida que levam, as músicas que ouvem e coisas idiotas que fazem no fim de semana
- Nutrir ódio por desconhecidos
- Mania de procurar "24" nos números de telefone dos amigos, só pra depois falar "Ahhhh, gay, 24
- Ficar online no MSN e esperar um tempo pra falar, pra não parecer que tá desesperado
- Quando chorar por causa de alguém, discutir com a pessoa e falar tudo na cara dela, claro sozinho no quarto, com luz apagada e com trilha sonora no fundo
- Adicionar uma pessoa no MSN e depois nunca mais falar com ela
- Falar sozinho
- Discutir e xingar pessoas com a televisão
- Encher o saco de todo mundo com falas do filme Tropa de Elite

Thursday, October 30, 2008

A que mais seca

Você sabe qual é a toalha que mais seca?


A vermelha, é lógico.

Wednesday, September 17, 2008

Crime e Castigo


Eleições 2008

Candidatos a vereador do PHS pedem impugnação de Carlos Gomes
Justificativa apresentada é de que o concorrente a prefeito de Porto Alegre teria descumprido o estatuto do partido


O autor do Guarani não cumpriu a cartilha

Quatro candidatos a vereador do PHS em Porto Alegre pediram, na Justiça Eleitoral, a impugnação da candidatura a prefeito de Carlos Gomes, do mesmo partido. Eles alegam que Gomes teria descumprido o estatuto do PHS por suportamente não ter realizado o curso de formação política obrigatório a todos os membros do partido que pretendem disputar eleições.

De acordo com o presidente estadual do PHS, Raul Plangg, o candidato tem o curso. O partido promete comprovar a realização na defesa da ação que deve ser entregue ainda na tarde desta quarta-feira à Justiça.

— Eles não estão sabendo do que acontece dentro do partido. O Carlos Gomes tem o curso e nós vamos comprovar isso — afirmou Plangg.

Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral do Estado (TRE-RS), o pedido de impugnação deve ser julgado até o final da semana. Caso o juiz responsável aceite a ação, o candidato do PHS ainda pode recorrer ao TRE.

Tuesday, August 19, 2008

Encontrada a vara da Fabiana Murer




Diego Hypólito havia caído sentado em cima. Depois de achada a vara, Diego chorou.