Friday, January 11, 2008

FEBEAPÁ neles!

O Pato Macho (que, quando se faz de sério é para cair na gandaia) presta hoje uma singela homenagem ao inesquecível jornalista e compositor, Sérgio Porto, o Stanslaw Ponte Preta, criador das Certinhas do Lalau, da Tia Zulmira e dos impagáveis Febeapás (Festival de Besteira que Assola o País) e que nasceu há exatos 85 anos. Tava morrendo de rir lendo semana passada o Febeapá 2. A primeira parte é só gafes da imprensa e coisas estapafúrdias que os políticos e a ditadura faziam. Um deputado propondo um projeto de lei exigindo caixas de fósforo com duas cabeças, para economizar madeira. Ou quando a Censura proibiu a peça Ivã o Terrível, acusada de subversiva, por sua "alusão ao comunismo". O problema é que a história se passava 313 anos antes da Revolução Russa. Essa série de livros é fantástica para se ver o lado surealista da realidade do poder na política. E o estilo ferino, de uma velada diatribe, sutil como um florete, da sua crítica.

Uma história interessante dele envolve o Cartola: foi o Sérgio quem achou o nosso amigo Angenor, sumido de tudo e de todos, trabalhando de lavador de carros, e deu uma força para o autor de "Alvorada" retomar a carreira perdida. Outra é que o Ponte Preta ajudou o então paupérrimo Nelson Cavaquinho a mobiliar a casa dele. No antológico programa Ensaio, da TV Educativa (tem no You Tube, vale a pena vê-lo contando as histórias dos sambas!) o Nelson relembra o jornalista morto, quando falava da mobília: "quando eu olho para os meus móveis, eu me lembro do Sérgio Porto". Uma pena ter vivido tão pouco - morreu com 45 anos. quem passou os olhos nos três Febeapás fica imaginando o quanto ele não teria de material para destilar o seu sarcasmo sobre notas de jornal e as épicas bizarrices dos nossos políticos...

Aqui vão algumas das frases imortalizadas pelo criador do Samba do Crioulo Doido nas suas colunas em revistas e jornais como a Manchete, Tribuna da Imprensa, Diário Carioca e a Última Hora. Algumas já se incorporaram ao falar do brasileiro ("mais por fora que umbigo de vedete"):


"Ser imbecil é mais fácil".

"Mais monótono do que itinerário de elevador".

"Macrobiótica é um regime alimentar para quem tem 77 anos e quer chegar aos 78".

"Consciência é como vesícula, a gente só se preocupa com ela quando dói".

"Lavar a honra com sangue suja a roupa toda".

"Difícil dizer o que incomoda mais, se a inteligência ostensiva ou a burrice extravasante".

"Mania de grandeza é a desses suplementos literários que têm um aviso dizendo que é proibido vender separadamente".

"Se mosquito fosse malandro mordia antes e zunia depois".

"Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!".

"Esperanto é uma língua universal que não se fala em lugar nenhum".

"Quem dá aos pobres e empresta, adeus!".

"Levou um susto e ficou mais branco do que bunda de escandinavo".

"Ficou numa melancolia de pingüim no Piauí".

"Tirante mulher, a gente só deve recomendar o que experimentou e gostou".

"O terceiro sexo já está quase em segundo".

"Se a senhora está mesmo disposta a se despir de todos os seus preconceitos então porque não tira logo as calcinhas também?".

"Dono de cartório de protesto é uma espécie de cafetão da desgraça alheia".

"Minissaia é um traje que quando a mulher senta aparece o que a saia tinha obrigação de fazer sumir".


"Por mais eficaz que sejam os métodos novos de fazer criança, a turma jamais abandonara o antigo".

"A polícia prendendo bicheiros? Assim não é possível. Respeitemos ao menos as instituições".


"O rapaz era militar e Flamengo, portanto duplamente supersticioso".

"Quando o casal começou a dançar o chá-chá-chá Tia Zulmira disse que já conhecia aquilo, apesar de que, de pé, era a primeira vez que via".

"A dúvida dele não era a de que pudesse não ser um homem mas a de que talvez nem chegasse a ser um rato".

"Mais inútil do que um vice-presidente".

"Há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna".

"Pra não se sentir diminuído no meio dos amigos, confessou: "Não é pra me gabar não, mas eu também sou meio tarado!".

*"Era uma empregada tão perfeita que a patroa concordou em cozinhar para ela".

"Os valores morais são os únicos que conservaram os preços de antigamente".

"Ele tinha um medo terrível de se apaixonar pela esposa".

"Mais vale um filé no prato do que um boi no açougue".

"Quando estamos fora, o Brasil dói na alma; quando estamos dentro, dói na pele".

"Quando acabou aquele velório teve-se a impressão de que o morto ficou mais aliviado".

"Amor, dinheiro e lua, parando de crescer começam logo a diminuir".

"Nem todo rico tem carro, nem todo ronco é pigarro, nem toda tosse é catarro, nem toda mulher eu agarro".

"Coitado, freqüentou tantas noites de autógrafos que acabou alcoólatra".

"Se você não acredita que o reino do céu é aqui, repare então como os pobres de espírito se divertem".

"O cachorro abana o rabo quando quer agradar, a mulher, quando quer agrado".

"Mulher e livro, emprestou, volta estragado".

"O sol nasce para todos, a sombra pra quem é mais esperto".

"Era desses caras que cruzam cabra com periscópio pra ver se conseguem um bode expiatório".

"Televisão é uma máquina de fazer doidos"

"Homem que desmunheca e mulher que pisa duro não enganam nem no escuro".

"O melhor da televisão é o botão de desligar".

"Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade".

"Tirante mulher, a gente deve recomendar tudo aquilo que experimentou e gostou".

"Uma feijoada só é realmente completa quando tem ambulância de plantão".

1 comment:

Nildo Júnior said...

Grande, Marcelo. Sempre tive vontade de ler os Febeapás, mas nunca tive oportunidade. Acho que deveríamos fazer um comentário desse tipo do Barão de Itararé, outro cara que jamais deveria ser esquecido.